O Partido da Causa Operária (PCO) participou nesta quarta-feira (15) da Marcha da Classe Trabalhadora, em Brasília, com uma intervenção própria voltada à propaganda política, à distribuição de materiais e à venda de publicações e camisetas. A mobilização teve como eixo público o fim da escala 6×1, a redução da jornada de trabalho e a entrega da “pauta da classe trabalhadora” aos Três Poderes.
Em relato enviado à redação, um militante do Partido destacou que foi montada uma banca do PCO com venda de livros e outros materiais, além de uma banca da Loja Robespierre, onde foram comercializadas camisetas. Segundo o mesmo relato, entre os destaques estavam as camisetas em defesa da Palestina, publicações políticas e revistas ligadas à causa palestina e ao debate internacional.
Além da banca, o Partido levou sua imprensa ao ato. O PCO distribuiu a Gazeta Causa Operária “com bastante boa recepção” e também entregou bandeirinhas do Irã durante a marcha. Segundo essa estimativa inicial, foram distribuídas cerca de 2 mil bandeiras. A presença do material internacionalista chamou atenção num ato em que, segundo o mesmo relato, os temas centrais ficaram concentrados na jornada de trabalho, na escala 6×1 e nas questões apresentadas pelas entidades sindicais ao governo.
Antes da marcha, os organizadores afirmavam esperar 15 mil trabalhadores em Brasília. Segundo a avaliação dos presentes, o ato teve cerca de metade deste público. Os militantes ouvidos por este Diário relataram ainda a presença de trabalhadores de vários estados e de diferentes categorias, com destaque para a mobilização em torno da redução da jornada e do fim da escala 6×1.
Segundo a cobertura oficial da CUT, a marcha começou por volta das 11 horas, saiu da região do Teatro Nacional e seguiu pela Esplanada dos Ministérios em direção ao Congresso Nacional. A Conclat, realizada na parte da manhã, aprovou uma pauta com 68 reivindicações, incluindo o fim da escala 6×1, a redução da jornada sem redução salarial, a regulamentação do trabalho por aplicativos, o combate à pejotização e o direito à negociação coletiva para servidores públicos. Ainda no mesmo dia, as entidades entregaram o documento ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em reunião no Palácio do Planalto.
O ato teve um caráter mais institucional do que propriamente de enfrentamento independente dos trabalhadores. Segundo depoimentos, a chamada “Conclat” realizada no local não funcionou como uma conferência ou plenária real de debate, mas como uma atividade de escuta de discursos de parlamentares, ministros e representantes do governo. Em sua formulação, tratou-se mais de um ato de apoio ao projeto governista em tramitação do que de uma mobilização operária com deliberação própria e medidas concretas de luta.
Segundo um militante ouvido por este Diário, a polícia isolou apenas uma faixa da via, o que alongou excessivamente a manifestação e dificultou a concentração política do ato. Ele disse ainda que havia um carro principal e outros dois carros de som, o que teria dispersado as falas ao longo do percurso e tornado difícil ouvir o que era dito na frente da marcha. Na sua avaliação, isso prejudicou a visualização geral da manifestação e o impacto político da concentração final.
Do ponto de vista político, o debate internacional apareceu pouco nas falas ouvidas durante o ato. Segundo os relatos, entre os setores presentes, quem mais abordou temas como Palestina, Cuba e Venezuela foram dirigentes ligados ao PCdoB e à CTB. Nesse quadro, a distribuição de material do PCO e das bandeiras do Irã apareceu como uma intervenção própria do partido para marcar uma posição mais ampla diante da situação internacional.




