O desaparecimento de mais um funcionário com acesso a informações sensíveis reforça uma série de mortes e sumiços envolvendo profissionais ligados a programas nucleares e espaciais dos Estados Unidos.
Steven Garcia, 48 anos, desapareceu em 28 de agosto de 2025 após sair a pé de sua casa em Albuquerque, no Novo México, levando apenas uma arma de fogo. Ele trabalhava como contratado do governo no Kansas City National Security Campus (KCNSC), instalação responsável por produzir mais de 80% dos componentes não nucleares das armas atômicas norte-americanas.
Garcia ocupava uma função de supervisão de ativos na unidade do KCNSC, com autorização de segurança elevada e acesso amplo a materiais sensíveis. Seu desaparecimento é considerado o décimo caso envolvendo pessoas ligadas a segredos nucleares ou tecnológicos dos EUA nos últimos anos, quatro deles ocorridos em circunstâncias semelhantes.
Segundo registros policiais, Garcia foi visto por câmeras deixando sua residência pela manhã, vestindo roupas camufladas. Apesar de autoridades indicarem que ele poderia representar risco para si mesmo, fontes próximas afirmam que ele era uma pessoa estável e sugerem a possibilidade de espionagem estrangeira.
Dias após o sumiço, equipes analisaram computadores e arquivos do trabalhador em busca de pistas, sem sucesso. O caso foi comparado ao desaparecimento do general aposentado da Força Aérea William Neil McCasland, que sumiu em fevereiro de 2026, também em Albuquerque, levando apenas um revólver.
Outros dois desaparecimentos semelhantes ocorreram em 2025. Anthony Chavez e Melissa Casias, ambos ligados ao Laboratório Nacional de Los Alamos (LANL), desapareceram após saírem de casa a pé, deixando para trás veículos e pertences pessoais. Os três casos foram associados ao general McCasland, que havia supervisionado pesquisas nucleares na Base Aérea de Kirtland.
Além dos desaparecimentos no Novo México, a cientista da NASA Monica Jacinto Reza desapareceu durante uma trilha na Califórnia em junho de 2025. Ela mantinha vínculos profissionais com projetos financiados pela Força Aérea.
Nos últimos três anos, ao menos cinco cientistas ligados a áreas estratégicas morreram, incluindo dois assassinatos confirmados. Entre eles está Nuno Loureiro, morto em dezembro de 2025 em Boston, cujo trabalho em fusão nuclear foi considerado altamente inovador. Outro caso foi o do astrofísico Carl Grillmair, assassinado em fevereiro de 2026.
Também permanecem sem explicação as mortes de dois pesquisadores ligados ao Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da NASA, Frank Maiwald e Michael David Hicks, cujas causas de morte não foram divulgadas nem submetidas a autópsias.
Em outro episódio recente, Jason Thomas, pesquisador farmacêutico que trabalhava com tratamentos contra o câncer, foi encontrado morto em um lago em Massachusetts em março de 2026, tendo desaparecido meses antes.
FBI levanta hipótese de interferência estrangeira
Diante da sequência de desaparecimentos e mortes, o ex-diretor assistente do FBI, Chris Swecker, afirmou que pode haver uma operação de espionagem internacional em curso contra os Estados Unidos.
Segundo afirma, cientistas e técnicos ligados a programas estratégicos são alvos frequentes de serviços de inteligência estrangeiros, especialmente nas áreas nucleares e de propulsão de foguetes.
Swecker alertou que, se os casos estiverem interligados, potências estrangeiras podem estar tentando sequestrar, coagir ou eliminar especialistas para obter informações estratégicas. Países como China, Rússia, Paquistão, Índia, Irã e Coreia do Norte foram citados como nações com histórico de interesse nesse tipo de tecnologia.
O ex-diretor também destacou que tentativas de sabotagem e espionagem contra programas secretos dos EUA ocorrem desde a Guerra Fria, quando tecnologias nucleares e de mísseis passaram a ocupar posição central na disputa geopolítica.




