A Rússia denunciou a ampliação das capacidades militares do Japão e afirmou que o país asiático avança para um papel cada vez mais agressivo no plano militar, em estreita integração com os Estados Unidos e com alianças lideradas pelo imperialismo. A declaração foi feita por Nikolai Patruxev, assessor do presidente russo e presidente do Conselho Marítimo da Rússia, em entrevista ao jornal russo Rossiyskaya Gazeta.
Segundo Patruxev, não há qualquer sinal de que o Japão pretenda recuar no processo de remilitarização. Pelo contrário, a avaliação russa é de que Tóquio continuará reforçando seu potencial militar “com ênfase em ações ofensivas”, tanto de maneira isolada quanto no interior de amplas coalizões que incluem países da OTAN.
A manifestação russa ocorre em meio à intensificação dos exercícios militares conjuntos entre Japão, Estados Unidos e Coreia do Sul. Essas manobras têm sido denunciadas repetidamente pela República Popular Democrática da Coreia (RPDC) como ensaios de invasão e ameaça direta à estabilidade regional. Ao mesmo tempo, cresce a tensão em torno de Taiuã, o que amplia as preocupações sobre o abandono, por parte do Japão, das limitações que marcaram sua política do pós-guerra.
Para Patruxev, esse processo integra uma tendência mais ampla de remilitarização que compromete a segurança de toda a região Ásia-Pacífico. Ele declarou que tais atividades são incompatíveis com a legislação internacional e nacional, violam disposições do Instrumento de Rendição do Japão e entram em choque com a própria Constituição japonesa, que não prevê a posse de armamentos de ataque.
A denúncia russa diz respeito ainda às tensões históricas entre os dois países, incluindo as disputas territoriais que permanecem desde a Segunda Guerra Mundial. O governo russo tem acusado o Japão, há anos, de preparar o terreno para renovar reivindicações sobre ilhas disputadas entre os dois países.
Em declarações anteriores, Patruxev também havia advertido que o Japão possui capacidade técnica para desenvolver armas nucleares em prazo relativamente curto. A avaliação reforça a preocupação russa de que a atual trajetória do país possa ultrapassar o rearmamento convencional.
Nos últimos anos, o Japão elevou de maneira acentuada seus gastos militares e aprofundou a coordenação com seus aliados imperialistas. O governo japonês procura justificar essas medidas alegando deterioração da situação internacional, com referência ao crescimento da China, aos programas nuclear e de mísseis da RPDC e à guerra na Ucrânia.
Essas desculpas, no entanto, escondem o papel que o Japão tem no aumento das tensões regionais. A aquisição de chamadas “capacidades de contra-ataque”, somada à participação em exercícios trilaterais cada vez mais complexos, indica uma mudança de política: em vez de uma postura estritamente defensiva, o Japão passa a desenvolver uma força com capacidade de projeção militar mais ampla.




