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Plantão Irã analisa fim das negociações em Islamabade

Programa apresentado por Francisco Weiss e Victor Assis discutiu os motivos que levaram os Estados Unidos a rasgar o plano de cessar-fogo

Na edição do programa Plantão Irã, transmitido pela Causa Operária TV (COTV) transmitida neste domingo (12), Francisco Weiss e Victor Assis discutiram o fracasso das negociações diplomáticas entre os Estados Unidos e a República Islâmica do Irã. O debate focou na incapacidade do governo norte-americano de impor sua vontade política após uma série de reveses militares e na crescente pressão econômica global resultante do conflito.

O ponto de partida da análise foi a reunião realizada em Islamabade, no Paquistão, que terminou sem acordo após 21 horas de discussões intensas. Citando fontes da imprensa estatal iraniana e da agência Tasnim, Francisco Weiss informou que a delegação iraniana agiu com o objetivo de “salvaguardar os interesses nacionais do povo iraniano”, mas encontrou barreiras nas exigências dos Estados Unidos.

Segundo Weiss, a agência Tasnim reportou que os Estados Unidos tentaram, pela via diplomática, “garantir concessões as quais eles foram incapazes de obter através da investida militar”. Entre os pontos de atrito mais críticos estavam o controle sobre o enriquecimento de urânio e a navegação no Estreito de Ormuz. O apresentador reforçou que as exigências norte-americanas foram consideradas “descabidas e ilógicas” pelo governo de Teerã. Os Estados Unidos apresentaram três pontos principais que foram prontamente rejeitados pelo Corpo de Guardas da Revolução Islâmica do Irã (CGRI):

  • Uma fatia conjunta nos lucros do Estreito de Ormuz entre EUA e Irã;
  • A retirada de todo o urânio enriquecido a 60% do território iraniano;
  • A suspensão do direito de enriquecimento de urânio por 20 anos.

Sobre essa situação, os iranianos afirmaram:

“Os norte-americanos foram à mesa de negociação como quem tinha ganhado a guerra, como quem tinha devastado o inimigo, e se deram de cara com um adversário que tinha consciência de que a situação não era essa.”

Ao analisar o campo de batalha, Victor Assis argumentou que o Irã detém uma “franca vantagem militar”. Ele destacou que, embora o imperialismo e o Estado de “Israel” tenham atingido cerca de 130 mil alvos em território iraniano — dos quais 100 mil seriam civis —, a infraestrutura bélica da República Islâmica permanece operacional.

Um ponto central da análise foi a neutralização do sistema de defesa norte-americano. Assis citou declarações iranianas indicando que o aparato de guerra norte-americano no Oriente Médio ficou “completamente cego” após a destruição de radares e sistemas de monitoramento. “Para os Estados Unidos e Israel neutralizarem a capacidade iraniana, eles nem sabem como fazer, porque ela é composta por partes autônomas”, explicou.

Além disso, Assis refutou a ideia de que o anúncio de um cessar-fogo por parte de Donald Trump fosse uma política planejada, classificando-a como uma reação desesperada à pressão militar e econômica. Segundo ele, o governo Trump é “muito fraco e deteriorado pelos próprios erros”, o que torna qualquer retirada militar um processo caótico.

O programa também trouxe dados sobre o impacto mundial da guerra. A pressão sobre o preço do petróleo e as rotas marítimas já atinge economias distantes. Foram citados exemplos de desabastecimento de produtos básicos (como fraldas) no Japão e a falta de insumos na construção civil brasileira.

“O Irã está impondo consequências econômicas para o mundo inteiro. Isso gera uma pressão muito grande contra os Estados Unidos e tende a jogar a população mundial contra o imperialismo”, afirmou Victor Assis. Ele destacou que países como Rússia e China sofrem menos por possuírem maior independência econômica, enquanto os aliados do bloco imperialista enfrentam crises agudas.

Questionado sobre as manifestações anti-Trump nos Estados Unidos, Victor Assis foi direto ao apontar que, embora exista insatisfação popular real, os protestos atuais são majoritariamente dirigidos pelo Partido Democrata.

Assis mencionou especificamente o movimento “No Kings” (Sem Reis), caracterizando-o como uma operação financiada pelo magnata George Soros. “O imperialismo está se aproveitando da situação para impulsionar manifestações grandes que coloquem o governo contra a parede”, observou, diferenciando a revolta popular espontânea das manobras políticas do setor democrata do imperialismo.

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