No exato momento em que “Israel” intensificava sua agressão contra o Líbano e fazia desabar a trégua estabelecida entre o Irã e os Estados Unidos, o senador Jaques Wagner apareceu em público para cumprir um papel já conhecido: proteger o Estado sionista. Ao declarar que o primeiro-ministro Benjamin Netaniahu “não representa o pensamento judaico”, o líder do governo Lula no Senado procurou apresentar o massacre como obra de uma única pessoa, e não de um regime assentado, desde a sua fundação, na expulsão, na ocupação militar e no extermínio do povo palestino.
Não importa se Netaniahu não representa todos os judeus. O problema está em usar essa obviedade para ocultar o essencial: a política criminosa de “Israel” não começou com Netaniahu, não depende dele e não terminaria com sua saída. O Estado sionista já existia como máquina de limpeza étnica e terror contra os povos da região muito antes do atual primeiro-ministro. Reduzir tudo à “política externa do atual governo” é uma fraude política destinada a salvar o regime.
Na tarde de quarta-feira (8), “Israel” lançou cerca de 150 ataques aéreos coordenados contra o território libanês em apenas duas horas. Os bombardeios atingiram Beirute, o sul do Líbano e o Vale do Beca. Segundo o balanço das autoridades libanesas, o ataque assassinou mais de 300 pessoas. Foi uma ofensiva de grande escala, justamente no momento em que os mecanismos de desescalada começavam a ser implementados.
Os ataques não se limitaram a alvos militares. Bairros densamente povoados do subúrbio sul de Beirute, como Bir Hassan, Haret Hreik, Chiah e Hay al-Sellom, foram atingidos por bombardeios do tipo “cinturão de fogo”. A destruição se estendeu ao centro da capital, alcançando edifícios residenciais e áreas comerciais em horário de grande circulação. No Monte Líbano, Kaifun registrou um dos episódios mais letais, com ao menos 12 mortos sob escombros. No sul, Saida, Nabatieh, Tyre e Adloun também foram atacadas, inclusive com o assassinato de crianças dentro de residências. Em Shmestar, um ataque aéreo atingiu até mesmo um cortejo fúnebre. Trata-se, em todos os sentidos, de uma operação de massacre contra a população civil.
Foi nesse cenário que Jaques Wagner resolveu ir a público para separar o “pensamento judaico” da política de Netaniahu e advertir contra o risco de críticas a “Israel” resvalarem em antissemitismo.
Essa posição é especialmente hipócrita no caso de Jaques Wagner. Ele já defendeu abertamente o extermínio do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas). Numa sociedade em que o Hamas é um partido de massas, apoiado por quase a totalidade da população de Gaza, “exterminar o Hamas” é endossar o massacre de todo o povo palestino. Quer dizer aderir, em essência, à linguagem do sionismo, segundo a qual a resistência palestina deve ser eliminada custe o que custar.
A presença de figuras como ele ajuda a explicar por que o governo Lula permanece acuado. O presidente faz declarações contra o genocídio, mas o governo não rompe relações com “Israel”, não expulsa o embaixador sionista e não adota medidas à altura da barbárie que denuncia. Parte desse imobilismo decorre justamente da influência de quinta-colunas comprometidos com a contenção de qualquer política real de enfrentamento ao sionismo. O resultado é um governo que fala muito e faz pouco, enquanto seus próprios quadros tratam de proteger o Estado genocida nos momentos decisivos.





