Lula afirma defender a Palestina e denunciar o genocídio em Gaza, mas seu governo permite que as instituições brasileiras atuem em favor do sionismo e contra os próprios palestinos. De um lado, há declarações públicas contra os crimes de “Israel”. De outro, na prática, palestinos são barrados no Brasil, soldados israelenses denunciados por crimes de guerra circulam sem maiores obstáculos e manifestações políticas contra o sionismo são perseguidas pelo poder público.
Esse abismo entre discurso e ação ficou ainda mais evidente nos últimos dias. No Rio de Janeiro, o bar Partisan, de proprietários de esquerda, foi punido pela prefeitura depois de expor um cartaz informando que cidadãos norte-americanos e israelenses não eram bem-vindos. O cartaz era um protesto político contra a agressão dos Estados Unidos e de “Israel” contra o Irã. A resposta foi imediata: uma multa de R$9 mil, aplicada com rapidez incomum. Quando se trata de perseguir um protesto contra o sionismo, afinal, o Estado brasileiro funciona com eficiência exemplar.
O problema é que esse caso não é isolado. Ele se soma a uma política mais ampla, em que todas as instituições se mobilizam para reprimir qualquer denúncia mais consequente dos crimes do imperialismo e do sionismo.
Se o próprio presidente afirma que há um genocídio em curso, seria de esperar alguma medida real correspondente. Um governo que reconhece um genocídio deveria, no mínimo, romper relações com o governo responsável por esse genocídio, expulsar seu embaixador e impedir que as instituições nacionais atuem contra as vítimas e a favor dos agressores. Nada disso aconteceu. O governo fala, mas não age.
O caso dos palestinos barrados ao entrar no Brasil é talvez o exemplo mais grave dessa contradição. Na semana passada, uma audiência pública em Brasília, convocada por parlamentares do Partido dos Trabalhadores (PT) a pedido do Instituto Brasil-Palestina (Ibraspal), buscou justamente cobrar explicações do governo sobre essa política. A questão colocada era simples: por que palestinos são impedidos de entrar no País, enquanto indivíduos ligados ao aparato militar israelense, inclusive denunciados por crimes de guerra, entram e saem com ampla liberdade?
A resposta foi o silêncio. O Ministério da Justiça e a Polícia Federal simplesmente não compareceram à audiência. O Ministério de Relações Exteriores esteve presente, mas não esclareceu nada.
Essa política do fato de que setores fundamentais do aparato de Estado, especialmente na área policial e migratória, operam sob orientação direta do imperialismo. A Polícia Federal brasileira atua como uma sucursal dos serviços de informação dos Estados Unidos e de “Israel”. O caso do bar Partisan mostrou como a máquina pública pode ser acionada com velocidade para intimidar um protesto contra “Israel” e os Estados Unidos, enquanto se mostra inerte para acolher os palestinos refugiados.
É justamente aí que a política do governo Lula se revela em toda a sua fraqueza. O presidente faz declarações contra o genocídio, mas não denuncia as instituições que deveriam estar sob seu próprio governo. Não impede a perseguição aos palestinos. Não enfrenta a atuação da Polícia Federal. Não rompe relações com “Israel”. Sua política, nesse ponto, fica reduzida à retórica.
Isso também mostra o limite de um governo de esquerda que se recusa a travar uma luta contra aqueles que controlam o Estado. Um governo que não consegue impedir que palestinos sejam perseguidos dentro do próprio território, e que não consegue conter a atuação pró-sionista das instituições estatais, mostra que seu compromisso com a luta dos oprimidos não vai além da palavra.





