O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (10) que os navios de guerra norte-americanos estão sendo reabastecidos para atacar o Irã novamente caso as negociações no Paquistão fracassem. A declaração foi dada em entrevista ao New York Post, às vésperas do encontro entre delegações dos dois países em Islamabad.
“Estamos rearmando. Estamos carregando os navios com as melhores munições, as melhores armas já fabricadas; até melhores do que as que usamos anteriormente, com as quais os destruímos”, disse Trump. “E se não chegarmos a um acordo, eles verão o que acontece”, completou.
Horas antes da entrevista, Trump havia publicado uma mensagem breve e enigmática em sua rede social Truth Social, referindo-se ao “REARMAMENTO MAIS PODEROSO DO MUNDO!!!”. A publicação foi interpretada como mais uma ameaça contra Teerã.
O vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, partiu nesta sexta-feira para Islamabad para liderar a delegação americana nas negociações com o Irã, marcadas para este fim de semana. Vance emitiu um alerta a Teerã para que não “engane” Washington nas conversas.
As negociações ocorrem após os ataques norte-americanos e israelenses contra o Irã no final de fevereiro, que desencadearam a mais grave crise energética da história recente com o fechamento do Estreito de Ormuz. Um cessar-fogo de duas semanas foi acordado, e as partes agora buscam transformá-lo em uma trégua permanente.
Trump tem tradicionalmente uma política de intimidação baseada em falas extremamente agressivas, mas, em grande medida, inócuas, visando pressionar países por acordos favoráveis aos EUA sem a necessidade de entrar em conflito armado diretamente. Essa estratégia busca conciliar a exigência de guerra da burguesia imperialista, que pressiona pela expansão militar norte-americana, com a pressão de suas bases eleitorais — setores patronais menores da economia interna e operários — que não querem ver os EUA envolvidos em mais uma guerra custosa e impopular.
No entanto, essa política fracassou completamente no Irã. As ameaças retóricas não foram suficientes para dobrar Teerã, que manteve suas exigências e conseguiu impor condições nas negociações. O recente cessar-fogo atende às exigências iranianas, também a inclusão do Líbano no acordo e o desbloqueio de ativos. O que se vê é o fracasso da política de bravatas de Trump, que precisou recuar diante da resistência iraniana e aceitar negociar nos termos propostos pelo adversário.




