O Hesbolá afirmou nesta sexta-feira (10) que manterá as operações militares contra “Israel” e que a agressão norte-americana e sionista contra o Líbano fracassou no campo de batalha. A declaração veio no mesmo dia em que o Ministério da Saúde libanês elevou para 357 o número de pessoas assassinadas e 1.223 o de feridos no massacre de quarta-feira (8), quando a aviação israelense lançou cerca de 150 bombardeios em poucos minutos contra Beirute, seus arredores, o sul do país, o Vale do Becá e o Monte Líbano.
Segundo o ministério, o total de vítimas da ofensiva israelense desde 2 de março chegou a 1.953 assassinados e 6.303 feridos. Em balanço anterior, quando os números ainda eram parciais, a pasta havia informado que ao menos 30 crianças e 71 mulheres estavam entre os assassinados, além de 142 crianças e 358 mulheres feridas. Também haviam sido registradas vítimas entre pessoas com mais de 65 anos.
A agressão prosseguiu nesta sexta-feira. Um ataque israelense atingiu as proximidades da sede do governo em Nabatieh e assassinou 13 integrantes da Segurança do Estado libanês, em mais uma ação direta contra instituições do próprio país. No sul, as forças de ocupação também realizaram demolições em várias localidades, ao mesmo tempo em que mantiveram bombardeios e disparos de artilharia. Um posto recém-criado da Defesa Civil em Siddiqin foi atacado, assim como estradas que ligam Deir Qanoun Ras al-Ain, a região de al-Housh, no distrito de Tiro, e cidades como Deir al-Zahrani, Kfar Reman, Qaqaiyat al-Jisr e Srifa. Bint Jbeil também voltou a ser bombardeada. No Becá, ataques contra Douris e Sohmar deixaram mais três mártires.
Os ataques ocorreram apesar do anúncio, mediado pelo Paquistão, de um cessar-fogo entre Irã e Estados Unidos que incluía o Líbano e todas as frentes que responderam à agressão norte-americana e sionista. Mesmo assim, o governo de Benjamim Netaniahu insistiu em dizer que o acordo não abrangia o território libanês e intensificou a agressão.
Em carta dirigida ao povo libanês, o secretário-geral do Hesbolá, xeique Naim Qassem, afirmou que “‘Israel’ fracassou no campo de batalha diante dos heróis da resistência e não conseguiu realizar a invasão terrestre que anunciou repetidamente”. Segundo ele, o inimigo foi surpreendido “pelas táticas da resistência, pela flexibilidade dos movimentos dos mujahidin e por suas capacidades defensivas”.
Qassem afirmou ainda que a guerra expôs a incapacidade do inimigo de manter objetivos estáveis e de alcançar qualquer resultado decisivo no terreno. Em outra passagem da carta, declarou:
“O inimigo recorreu a crimes sangrentos em Beirute, no subúrbio sul, no sul, no Becaá, no Monte Líbano e em toda parte, tendo como alvo civis. A ocupação fracassou em toda a sua agressão por mais de 40 dias em impedir que foguetes, projéteis e VANTs chegassem a seus colonatos próximos e distantes.”
O dirigente da resistência também rejeitou qualquer retorno à situação anterior à guerra e advertiu as autoridades libanesas contra concessões políticas. Em uma das declarações mais duras da carta, afirmou:
“Mobilizar 100 mil soldados não ajudará o inimigo israelense a alcançar a ocupação; ao contrário, eles se transformarão em cadáveres e pedaços de corpos, e aqueles que permanecerem no campo de batalha viverão com medo.”
Na sexta-feira, a Resistência Islâmica no Líbano anunciou uma nova sequência de operações em resposta aos massacres e à destruição de cidades, casas e infraestrutura civil. Entre as ações mais importantes esteve o lançamento de mísseis táticos contra a base naval israelense no porto de Asdode, perto da Faixa de Gaza. A organização também informou que realizou, na quinta-feira (9), 75 operações, incluindo confrontos diretos a curta distância com tropas invasoras no eixo de Bint Jbeil.
Ao longo da madrugada e do dia, o Hesbolá atingiu concentrações de soldados israelenses em al-Marj, Biranit, Wata al-Khiam, Taibeh, Khirbet Yaroun, Ainata e Bint Jbeil. Um tanque Merkava, ao sudeste do centro de detenção de Khiam, foi atingido por um VANT de ataque. Também foram bombardeados quartéis, posições de artilharia e infraestrutura militar em Kiryat Shmona, Metula, Nahariya, Safed, Carmiel, Meron e outros pontos do norte da Palestina ocupada.
Segundo a resistência, a resposta continuará “até que termine a agressão EUA-‘Israel’ contra nosso país e nosso povo”. Na noite de quinta-feira, segundo informações divulgadas pela Al Mayadeen, também foram lançados mísseis de longo alcance contra Telavive e Asdode.
Os combates terrestres continuaram intensos na periferia de Bint Jbeil e nas proximidades de Khiam. De acordo com a Al Mayadeen, a resistência conseguiu até agora frustrar o plano israelense de tomar Bint Jbeil, apesar da propaganda da imprensa sionista de que a cidade estaria cercada e de que centenas de combatentes do Hesbolá teriam sido mortos. A própria organização anunciou vários ataques contra tropas israelenses posicionadas nos arredores da cidade, inclusive nas proximidades do Triângulo da Libertação e do complexo Moussa Abbas.
Em meio aos combates, o deputado libanês Hassan Fadlallah, dirigente do Hesbolá, declarou: “o Estado abandonou o sul, e de Bint Jbeil estamos defendendo a capital, Beirute”. Em seguida, acrescentou: “temos plena confiança no Irã para apoiar nosso povo, e ele não o abandonará”.
Enquanto a guerra prosseguia, novas manifestações foram realizadas diante da sede do governo no Líbano contra as negociações diretas com a ocupação israelense. Os protestos ocorreram em meio à crescente oposição à política do governo de discutir o desarmamento da resistência enquanto “Israel” continua ocupando território libanês e bombardeando o país.
O Partido Social Nacionalista Sírio também divulgou uma nota rejeitando qualquer proposta de negociação direta com o regime israelense, afirmando que isso equivaleria ao reconhecimento da ocupação e empurraria o Líbano para a capitulação. O partido defendeu a manutenção da resistência como eixo da política nacional diante da agressão em curso.
Segundo um alto funcionário libanês ouvido pela agência Reuters, o Líbano pretende participar, na próxima semana, de uma reunião nos Estados Unidos com representantes norte-americanos e israelenses para discutir uma declaração de cessar-fogo, embora a data ainda não tenha sido confirmada. Ao mesmo tempo, informações da Al Mayadeen apontaram que o governo libanês insiste em que qualquer negociação só pode começar depois de um cessar-fogo efetivo e que ainda aguarda dos Estados Unidos a definição oficial da data.
Ainda de acordo com essas informações, a delegação libanesa deverá contar com o embaixador Simon Karam e outro diplomata de alto escalão. Do lado israelense, o gabinete de Netaniahu informou que orientou o governo a iniciar o mais rápido possível negociações diretas com o Líbano, tendo como temas o desarmamento do Hesbolá e o estabelecimento de “relações pacíficas” entre os dois países.
Mesmo após declarações de Donald Trump de que havia pedido a Netaniahu que reduzisse a intensidade dos ataques para preservar as negociações, a agressão continuou em várias regiões do Líbano ao longo desta sexta-feira.




