O Plantão Irã, programa diário realizado em parceria entre a Causa Operária TV (COTV) e o Diário Causa Operária (DCO), voltou a abordar, na edição desta quinta-feira (9), os principais desdobramentos da guerra contra o Irã após o anúncio do cessar-fogo. Transmitido todos os dias às 16 horas desde 17 de março, o programa reuniu Chico Muniz, Adriana Machado, Pedro Burlamaqui e Victor Assis para discutir as declarações contraditórias do governo norte-americano, as violações promovidas por “Israel” no Líbano, a posição do governo iraniano diante das negociações e as manifestações populares realizadas 40 dias após o martírio de Ali Khamenei.
Logo no início da discussão política, Pedro Burlamaqui destacou que Donald Trump e a Casa Branca passaram a negar, em suas declarações públicas, os termos do acordo que havia sido apresentado como base do cessar-fogo. Segundo ele, Trump afirmou em sua rede social que os 10 pontos divulgados em torno do entendimento com o Irã seriam uma “farsa”, enquanto o vice-presidente norte-americano, J. D. Vance, chegou a dizer que uma primeira proposta teria sido “jogada no lixo”, para depois falar de novas rodadas de pontos apresentados.
Ao comentar essa mudança de posição do governo norte-americano, Adriana Machado afirmou que a repercussão política do acordo colocou o imperialismo em dificuldade:
“Eu acho que não tem dúvida. A gente viu a imprensa do mundo inteiro, inclusive a imprensa imperialista, a imprensa sionista, afirmar que era uma derrota do imperialismo e do sionismo e uma vitória do Irã. A gente viu o povo iraniano comemorando nas ruas e isso pega muito mal para o Trump e para o Netaniahu. Então, eu acho que essa resposta do Trump, clássica, de falar uma coisa e depois voltar atrás, de maneira histérica… representa isso. O Irã está mostrando muita força, está com controle da situação, controle militar, controle do Estreito de Hormuz. A economia, o mundo inteiro pressiona pelo fim da guerra. E os Estados Unidos e Israel ficam aí sem saída.”
Na mesma linha, Victor Assis avaliou que as declarações contraditórias de Trump exprimem a crise do próprio imperialismo. Segundo ele, o governo norte-americano não apresentou uma política clara para a guerra, oscilando entre ameaças abertas e a aceitação de um cessar-fogo. Para Assis, essa vacilação demonstraria a decadência do regime imperialista diante de uma situação em que o Irã manteve firmeza política e militar.
Em seguida, o programa passou a tratar das violações do cessar-fogo por parte de “Israel”. Burlamaqui afirmou que, logo após o anúncio do acordo, o Estado sionista realizou um dos maiores bombardeios de sua história recente contra o Líbano, lançando 160 bombas em 10 minutos. Segundo as autoridades libanesas, mais de 260 pessoas foram assassinadas e mais de 1.200 ficaram feridas.
Ainda de acordo com o que foi exposto, o presidente do parlamento iraniano, Mohamed Bagher Ghalibaf, declarou que três dos 10 pontos do entendimento já haviam sido violados antes mesmo do início formal das negociações previstas para Islamabad. Entre essas violações, foram citados o ataque ao Líbano, a entrada de uma aeronave não tripulada de ataque no espaço aéreo iraniano — derrubada pelo Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (CGRI) — e a negação do direito iraniano ao enriquecimento de urânio.
Sobre esse ponto, Chico Muniz afirmou que os acontecimentos confirmam o acerto da política adotada pelo Irã ao tratar o cessar-fogo com desconfiança:
“Não dá pra confiar, não dá pro pessoal vacilar com relação a isso daí. O imperialismo, inclusive, tem de ser encarado a partir do fato de que essa é uma situação temporária. A crise que gerou o conflito não se encerrou, há a perspectiva inclusive de uma conflagração mundial, em escala mundial, de diversos países. Então tudo isso tem que ser levado em consideração. Está longe de significar uma paz duradoura e de forma alguma se deve confiar no imperialismo mundial.”
Ao comentar a situação no Líbano, Adriana Machado afirmou que o ataque mostrou mais uma vez o caráter da ofensiva sionista. Ela destacou que as imagens exibidas no programa mostravam fuga em massa de civis, congestionamentos e explosões em áreas residenciais:
“A imprensa mentiu que eles estavam atacando áreas militares e do Hesbolá, mas as explosões mostram que foram enormes no meio da cidade, áreas residenciais. Realmente não foi uma coisa normal, não foi qualquer bombardeio, foram mais de 250 pessoas que morreram, mais de 1.200 que ficaram feridas num bombardeio totalmente covarde, mais uma vez, em meio ao cessar-fogo.”
Machado também afirmou que o objetivo do ataque é pressionar o governo libanês a desarmar o Hesbolá, principal força de defesa do país diante da agressão sionista. Segundo sua avaliação, o Hesbolá continua combatendo e impedindo o avanço de “Israel”, apesar da propaganda que buscou apresentar a organização como esgotada.
O programa registrou ainda as declarações do presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, segundo as quais o país não deixará o povo libanês sozinho. Também foi lida a declaração do secretário de Defesa do Paquistão, que qualificou “Israel” como “uma maldição para a humanidade” e denunciou o prosseguimento do genocídio no Líbano enquanto as negociações avançavam em Islamabade. Adriana Machado sustentou que a inclusão do Líbano no acordo sempre esteve presente nos pontos divulgados e que a tentativa norte-americana de negar isso surgiu depois do ataque de Netaniahu.
Na parte final do programa, os participantes destacaram os 40 dias do martírio de Ali Khamenei, assassinado no início da guerra, em 28 de fevereiro, e as grandes mobilizações realizadas no Irã em sua homenagem. De acordo com Burlamaqui, manifestações tomaram as ruas do país, em especial na Praça da Revolução, em Teerã, com palavras de ordem contra os Estados Unidos e “Israel”. O programa também afirmou que o governo iraniano conclamou a população a permanecer mobilizada mesmo após o cessar-fogo, tanto para celebrar a vitória quanto para estar preparada diante de uma possível retomada da agressão.
Ao comentar a figura de Khamenei, Victor Assis afirmou:
“Ali Khamenei era, acima de tudo, militante político. Uma pessoa que foi bastante perseguida pela ditadura do xá Reza Pahlavi, e justamente por causa disso foi se radicalizando até se tornar uma das figuras mais importantes no quadro dirigente da Revolução Islâmica de 1979. (…) A defesa da religião nos termos que o Khomeini fazia, e o próprio Khamenei, era a defesa de vários princípios revolucionários. Nesse sentido, ele foi fundamental para todo o desenvolvimento do regime iraniano, que a gente viu no último período.”
Segundo Assis, o efeito político do martírio foi visível nas multidões que ocuparam as ruas do Irã e de outros países. Para ele, a reação popular desmente a propaganda imperialista segundo a qual o povo iraniano teria comemorado a morte do Líder da Revolução Islâmica.
Já no encerramento, o programa abordou a reabertura da Mesquita de Al-Aqsa após 40 dias de fechamento imposto por “Israel” e relacionou a data ao aniversário de 78 anos do massacre de Deir Yassin. Os comentaristas lembraram que o massacre ocorreu mesmo depois de um acordo de paz aceito pelos moradores da vila, o que, segundo eles, demonstra o caráter da ocupação sionista desde a fundação do Estado de “Israel”.
Adriana Machado resumiu esse ponto da seguinte maneira:
“O massacre de Deir Yassin é um marco do começo do Estado de Israel porque realmente mostra, desde o começo, a vontade de exterminar totalmente os palestinos, de roubar as terras palestinas. (…) Vale a pena lembrar: 78 anos e continuamos no mesmo lugar. Israel falando que vai fazer acordo e indo lá e massacrando os civis, inclusive crianças, bebês. Parece que nada mudou em 78 anos.”




