A Universidade Marxista ministrará o curso A história da Revolução Bolivariana nos dias 18 e 19 de abril. A atividade será conduzida por Henrique Simonard, integrante da Direção Nacional do Partido da Causa Operária. A formação poderá ser acompanhada de maneira presencial ou remota e tem como eixo principal reconstruir, em ordem histórica, os processos políticos e sociais que levaram à ascensão de Hugo Chávez e à abertura de uma etapa de enfrentamento ao imperialismo na Venezuela e em toda a América Latina.
O curso se apresenta como uma iniciativa de estudo sistemático de um dos processos políticos mais importantes do continente nas últimas décadas. Em vez de tratar a Revolução Bolivariana como episódio isolado, a atividade propõe examinar a longa crise do regime venezuelano, os conflitos sociais acumulados ao longo do século XX e as experiências de luta que prepararam o terreno para a ruptura com o velho sistema do Pacto de Puntofijo.
Segundo a programação divulgada, um dos primeiros blocos do curso abordará a influência da Revolução Cubana e a herança da luta armada dos anos 1960 na Venezuela. Serão estudadas as experiências de guerrilha rural e urbana e a maneira como essas formas de combate expressaram a crise do regime político venezuelano, bem como a busca de setores populares e nacionalistas por uma saída distinta da submissão ao imperialismo. Esse ponto é importante porque resgata uma tradição muitas vezes apagada nas leituras superficiais sobre o chavismo.
Outro eixo previsto trata dos anos 1970, período em que a alta do petróleo impulsionou a chamada “Venezuela Saudita”. O curso examinará o boom petroleiro, a nacionalização da indústria com a criação da PDVSA e, ao mesmo tempo, a decomposição progressiva do modelo econômico e político baseado na alternância entre os partidos tradicionais. Essa etapa ajuda a compreender como um país com enorme riqueza energética entrou numa crise estrutural que acabaria explodindo nas décadas seguintes.
Entre os episódios centrais está o Caracazo de fevereiro de 1989, rebelião popular desencadeada após a adoção de medidas de austeridade. O programa inclui o estudo dos protestos iniciados em Guarenas e espalhados por Caracas e outras cidades, bem como da repressão que deixou centenas de mortos. Esse episódio é decisivo para entender o colapso do regime anterior e a radicalização de amplos setores da população contra a política ditada pelo imperialismo e aplicada pelas oligarquias locais.
A atividade também dedicará atenção ao surgimento do Movimento Bolivariano Revolucionário 200 e à insurreição militar de 1992. Nesse momento entra em cena Chávez como liderança nacional, ligado a uma fração das Forças Armadas que expressava a crise do regime e a busca de uma saída nacionalista e popular. O curso pretende acompanhar esse percurso desde a derrota da tentativa militar até a anistia, a reorganização do chavismo e a passagem para a luta eleitoral, culminando na vitória presidencial de 1998.
A etapa aberta com a posse de Chávez em 1999 também integra o programa. Estão previstos debates sobre as medidas sociais nas áreas de saúde, educação e moradia, o confronto com a burguesia venezuelana, a ofensiva do imperialismo norte-americano e o golpe de 2002, derrotado pela mobilização popular e pela resistência de setores das Forças Armadas. Ao incluir esse conteúdo, o curso oferece aos participantes uma visão de conjunto sobre como a Revolução Bolivariana se estruturou em meio a choques permanentes com os setores golpistas internos e externos.
A continuidade do processo depois da morte de Chávez, em 2013, também será tratada. O programa menciona o cerco político e econômico imposto à Venezuela por meio de sanções, bloqueios e iniciativas de desestabilização. Esse recorte reforça o caráter atual do curso, já que a crise venezuelana continua sendo tema de disputa internacional e de intensa deformação pela imprensa pró-imperialista.
A atividade custa R$ 250 e as inscrições podem ser feitas pelo telefone (11) 99741-0436 e pela plataforma da Universidade Marxista.




