Causa Operária TV

Plantão Irã destaca impasse em Ormuz e ameaça de Trump

Edição desta terça-feira (7) abordou veto de Rússia e China na ONU, recuo britânico, crise em Ormuz e resposta iraniana às ameaças de Trump

Na edição desta terça-feira (7), o Plantão Irã, programa diário da Causa Operária TV em parceria com o Diário Causa Operária, abordou os principais acontecimentos da guerra contra a República Islâmica do Irã. Apresentado por Adriana Machado, com participação de Victor Assis, o programa tratou do veto de Rússia e China, no Conselho de Segurança da ONU, à proposta de reabertura do Estreito de Ormuz por meio de ação militar, do recuo do Reino Unido diante da possibilidade de entrar diretamente na guerra, do impacto do bloqueio de Ormuz sobre a economia mundial e das ameaças feitas por Donald Trump contra o povo iraniano. A edição também tratou da mobilização popular em defesa do país e da versão iraniana sobre o episódio de Isfahan.

Ao comentar o veto de Rússia e China, Adriana afirmou que a proposta levada ao Conselho de Segurança buscava abrir caminho para uma escalada militar ainda maior no Golfo Pérsico. Segundo ela, o posicionamento dos dois países ocorreu depois de semanas de silêncio diante dos ataques ao Irã.

“A Rússia, no Conselho de Segurança, falou que são quase dois mil iranianos civis mortos, entre eles, um quarto de mulheres e crianças. Já jogaram bomba em escolas, hospitais e lá na usina nuclear de Bushehr, e o Conselho de Segurança não disse nada e agora vieram com essa proposta que incluía admitir ações militares para reabrir o estreito de Ormuz. Então eles vetaram, mudaram o texto, ficou uma coisa mais branda. A Colômbia e o Paquistão se abstiveram e a gente vê aí a Rússia e a China como parceiros do Irã, tentando defender, sem ser abertamente uma coisa totalmente contra. Eles estão na diplomacia, mudando o texto, tentando chamar os países para continuarem com as negociações que não envolvam as ações militares, tentando desescalar a guerra, que cada vez mais escala para situações críticas.”

Na sequência, o programa destacou o recuo britânico. Victor Assis observou que o Reino Unido passou a sustentar que não permitirá o uso de suas bases para ataques norte-americanos ao Irã, mas relacionou essa posição ao medo de sofrer represálias iranianas. Adriana acrescentou que uma entrada mais profunda do governo de Keir Starmer na guerra poderia abrir uma crise política interna, em um país já marcado por carestia, alta da energia, privatização de serviços e amplas manifestações contra a guerra. Para os comentaristas, o recuo britânico não decorre de qualquer preocupação com a paz, mas do temor diante da capacidade de resposta do Irã.

Outro ponto de destaque foi a situação do Estreito de Ormuz. Victor afirmou que o barril de petróleo havia chegado a US$117,00 e que o número diário de navios caiu de 104 para cerca de cinco, ao mesmo tempo em que começaram a aparecer notícias sobre falta de produtos no Japão, entre eles combustível, fraldas e bebidas. Adriana afirmou que o problema não se limita ao petróleo bruto, mas alcança toda a cadeia de produtos derivados e, por isso, pressiona o conjunto da economia mundial.

“São produtos imprescindíveis, né? Gasolina, fralda de bebê, imagina as mães desesperadas com a bagunça das crianças, e álcool, que eu não preciso nem falar. Ninguém pode viver sem. Realmente… O poder do Irã, nesse caso, controlando o estreito de Ormuz, é… não dá para medir, o mundo inteiro vai sentir cada vez mais. Porque a gente tem que lembrar que ali no Estreito de Ormuz não é só petróleo que passa, são todos os produtos que derivam, são usados para fazer plástico, gases, fazer poliuretano. Toda a indústria capitalista é baseada no petróleo, no gás e nos minerais que são produzidos ali. Então, não tem jeito. Todos os países estão ameaçados. Por isso que o Trump está tão desesperado, o imperialismo está tão desesperado. E a gente vai ver cada vez mais isso.”

O assunto central da edição foi a resposta às ameaças de Trump. Victor resumiu o ultimato norte-americano como uma exigência de rendição incondicional, envolvendo a abertura de Ormuz, o fim do programa balístico e a limitação do programa nuclear iraniano. Adriana respondeu dizendo que a proposta norte-americana não tem nada de razoável e lembrou o destino da Líbia depois de aceitar exigências semelhantes do imperialismo.

“Eu não tenho opinião aqui nesse programa, eu vou só colocar os fatos. O mundo inteiro acordou horrorizado com a ameaça de um presidente do país supostamente mais civilizado do mundo ameaçando acabar em uma noite com um outro país, acabar com toda uma civilização de 7 mil anos. É impossível ele fazer isso mesmo. O maior medo das pessoas que comentam isso é um ataque nuclear, que a gente acha que seria uma coisa muito drástica, difícil de acontecer. Mas ele quer colocar esse medo. Mesmo se ele jogasse uma bomba nuclear, ele não ia conseguir acabar com a civilização do Irã, porque o Irã agora já faz parte do mundo. Mas foi isso que ele ameaçou.

E o que os Estados Unidos estão pedindo, por exemplo, encerrar o programa nuclear, não é uma coisa sensata, porque se a gente ver na história, quando eles fizeram essa mesma demanda na Líbia com o Gaddafi, o que aconteceu com o Gaddafi é que ele foi morto, sodomizado com a baioneta. Qualquer racionalidade vai abrir mão do programa nuclear? O Irã já falou que não quer fazer bomba nuclear. Eles estão mantendo o mínimo do programa nuclear para a energia e para a sua defesa. Eles estão trabalhando com o urânio enriquecido, mas até um nível que não tem bomba nuclear. Mas eles não vão abrir mão porque é parte da defesa.”

Adriana também afirmou que a exigência para que o Irã rompa com Hesbolá, Hamas e Ansar Alá atinge um dos fundamentos da própria Revolução Iraniana, que ela caracterizou como uma revolução anti-imperialista. No mesmo trecho, ela mencionou a posição iraniana sobre Ormuz, citando a proposta de cobrança de uma taxa de US$2 milhões por navio para financiar a reconstrução do país, em vez de reparações diretas .

A parte final do programa deu ênfase à mobilização popular no Irã. Adriana descreveu imagens de multidões concentradas em pontes, usinas e pontos de infraestrutura ameaçados por bombardeios, formando cordões humanos e se oferecendo para defender o país. Segundo ela, havia notícias de 10 milhões de pessoas dispostas a participar dessa defesa, número que depois teria chegado a 14 milhões, incluindo o próprio presidente Masud Pezexkian.

“O povo iraniano está demonstrando mais uma vez a maior coragem, dignidade e determinação diante das ameaças do imperialismo. Mais uma vez a gente vê o que é a diferença de um povo que tem educação, tem cultura, que tem 7 mil anos de civilização, em comparação a um povo que vive numa sociedade de um capitalismo degenerado, que só quer saber de dinheiro e de individualidade. É a revolução diante do capitalismo. A gente vê, enquanto os israelenses estão correndo para sair do país, abandonando tudo, os iranianos se juntaram no cordão humano, em frente às usinas nucleares, às pontes, toda a infraestrutura.”

Na reta final, o programa tratou de Isfahan. Adriana contestou a versão norte-americana de que teria ocorrido apenas uma operação de resgate de um piloto de F-15 e afirmou que, segundo informações divulgadas por fontes iranianas e por analistas militares citados no programa, a ação teria buscado tomar ou destruir o urânio iraniano armazenado na região. Ela relatou que aviões de transporte e helicópteros norte-americanos teriam sido atingidos e que a operação lembraria a fracassada intervenção de Tabas, nos anos 80.

“Mas nos últimos dias foram várias discussões sobre a operação de resgate do piloto do avião F-15 que teria sido atingido no Irã e o piloto teria caído em terras iranianas. E os Estados Unidos falaram que tentaram resgatá-lo. Só que agora estão saindo as notícias, tanto de pessoas analistas que trabalharam no Exército americano quanto do governo iraniano, de que na verdade o que aconteceu não foi uma operação de resgate do piloto do F-15. Na verdade, o que aconteceu era uma operação de que o Trump estava tentando ir na usina nuclear de Isfahan e roubar o urânio com que o Irã trabalha lá.”

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