Mesmo sendo declarada ilegal pela Justiça do Trabalho a medida da direção do Banco do Brasil de ampliar de 6 para 8 horas a jornada diária de diversas categorias no banco, a instituição voltou à carga e, passando por cima da decisão judicial, divulgou um novo edital interno para funções de assessor com jornada de 8 horas.
Conforme nota divulgada pelo Sindicato dos Bancários de Brasília: “O Sindicato identificou, inicialmente, a abertura de processo seletivo para o cargo de Assessor II, com jornada de 8 horas, na Dipes (Diretoria de Pessoas, grifo nosso). Agora, em nova investida, o banco lançou outro edital, desta vez para o cargo de Assessor I, também com jornada de 8 horas, igualmente vinculado à mesma estrutura de Unidades Estratégicas”, e que “os editais foram amplamente divulgados na intranet do banco e também por gestores em grupos internos de funcionários vinculados às diretorias, inclusive direcionados a trabalhadores que atualmente cumprem jornada legal de 6 horas. A prática revela que o banco não apenas ignora a decisão judicial, como insiste em reproduzir e expandir exatamente a conduta que foi declarada ilegal pela Justiça”. (Site Bancários DF, 02/04/2026)
Todo esse processo de tentativa de impor o aumento da jornada de trabalho dos bancários do BB não deixa dúvida de que a atual direção do banco passou a ser a ponta de lança dos interesses dos banqueiros parasitas, nacionais e internacionais, para acabar com um direito histórico da categoria bancária.
Para aqueles que não se lembram, no ano de 2019 o governo Bolsonaro editou uma Medida Provisória (MP 881) em que, logicamente para satisfazer os interesses dos banqueiros, uma das cláusulas autorizava o trabalho aos sábados, domingos e feriados. Essa MP, no mesmo ano, se tornou a Lei nº 13.874/2019, mas, por conta da insatisfação dos trabalhadores, o ponto sobre o trabalho aos domingos foi retirado pelo Senado antes da sanção presidencial.
E agora, o que temos são representantes de um banco público cuja atual presidência é ocupada por uma mulher negra e homossexual, que se diz defensora dos direitos das minorias, numa ofensiva gigantesca contra todo o funcionalismo do Banco do Brasil.
Essa medida desnuda completamente essa face e revela que a “defesa da diversidade”, pregada pela atual presidenta, é apenas uma fachada para aplicar uma política reacionária não só para os bancários do Banco do Brasil, mas para toda a categoria bancária. Não é por acaso que a presidenta do banco, Taciana Medeiros, é a queridinha do mercado financeiro e dos grandes banqueiros e capitalistas nacionais e internacionais, e se mantém à frente do BB por esse longo período justamente por isso.
É bom lembrar que a conquista das 30 horas semanais foi uma luta árdua dos bancários contra as péssimas condições de trabalho da categoria. De lá para cá, o que se vê é o aumento, diante da voracidade por lucros dos banqueiros, do adoecimento laboral entre os bancários. O aumento da carga de trabalho, a exigência, a cada dia, sob regime de chicote, para cumprir metas cada vez mais rigorosas, mesmo sem as condições mínimas para isso, tem ampliado consideravelmente o desenvolvimento de inúmeras doenças, tais como depressão, síndrome do pânico, LER/Dort, entre outras sequelas que fazem da categoria uma das mais afetadas por doenças ocupacionais. Dados do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (CRST) revelam que os transtornos psiquiátricos superaram as doenças osteomusculares, que por muitos anos sempre foram as maiores causadoras de adoecimento entre os bancários.
A atual medida do banco mostra o total servilismo da direção do Banco do Brasil aos interesses dos banqueiros privados e, se concretizada, tende a agravar exponencialmente a política direitista para toda a categoria bancária.





