Política internacional

Diante da crise com o Irã, imperialismo recua na Ucrânia

Zelenski afirmou que, se a Rússia estiver pronta para parar os ataques ao setor energético da Ucrânia, Kiev responderá da mesma forma.

O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, declarou nesta segunda-feira (6) que mantém a proposta de interromper ataques ao setor energético russo, desde que Moscou faça o mesmo contra a infraestrutura de energia ucraniana. Segundo a agência Reuters, a proposta foi transmitida ao lado russo por intermédio dos Estados Unidos. Zelenski afirmou que, se a Rússia estiver pronta para parar os ataques ao setor energético da Ucrânia, Kiev responderá da mesma forma.

A declaração ocorre depois de semanas de escalada contra refinarias, portos petrolíferos e ativos logísticos russos. O próprio noticiário internacional registrou ataques a instalações ligadas ao petróleo em Novorossiysk e em outras áreas fundamentais para a exportação de energia, enquanto a Rússia continuou bombardeando cidades ucranianas, inclusive Odessa, onde uma nova ofensiva deixou mortos e feridos. Ao mesmo tempo, a reação russa à proposta foi fria, com o Kremlin dizendo anteriormente que preferia discutir um acordo mais amplo e que não havia recebido detalhes suficientes sobre a trégua setorial.

A importância do tema está no peso do setor energético russo. Terminais, refinarias e rotas de exportação de petróleo seguem entre os alvos mais sensíveis da guerra porque tocam diretamente a principal fonte de receitas externas da Rússia e afetam o mercado mundial. 

No entanto, a proposta de Zelenski não deve ser entendida apenas como manobra militar localizada. Ela surge num momento em que a crise com o Irã se aprofundou e colocou o petróleo no centro da situação internacional. Com a escalada no Oriente Médio, os preços da energia voltaram a ganhar peso estratégico ainda maior. Nessa condição, ampliar os ataques ao setor energético russo significaria aprofundar uma perturbação que atinge o abastecimento global, pressiona aliados europeus e eleva o custo geral da crise para o próprio bloco imperialista.

É justamente por isso que ocorre o recuo. O imperialismo segue sustentando a guerra na Ucrânia, mas procura conter uma ampliação descontrolada da crise energética num momento em que já está pressionado pela questão iraniana. Em vez de intensificar o ataque a um setor decisivo da economia russa, passa a estimular um entendimento limitado. 

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