A política do Partido dos Trabalhadores (PT) sustenta-se, hoje, sobre a viga mestra da “luta contra o fascismo”, personificado no bolsonarismo. No entanto, a prática política do partido e de suas lideranças revela uma contradição insustentável: enquanto agita o espantalho de um fascismo doméstico, o PT abriga em seus quadros e apoia institucionalmente o sionismo, uma ideologia que exerce, no presente, um fascismo real, prático e genocida na Faixa de Gaza.
O PT justifica alianças espúrias com o Judiciário e o setor mais reacionário da burguesia sob o pretexto de derrotar o bolsonarismo. Contudo, a credibilidade dessa postura é nula quando confrontada com os fatos internacionais. A extrema direita brasileira é capaz de atrocidades, mas o sionismo já as comete diariamente. Não é possível sustentar um discurso antifascista coerente quando lideranças do próprio PT, como o senador Jaques Wagner, utilizam o termo “extermínio” para se referir à resistência palestina. O uso do vocábulo “extermínio” não é acidental; é a adoção direta da terminologia e da metodologia fascista.
O que ocorre na Palestina é a manifestação nua e crua da dominação imperialista pela violência extrema. O bombardeio sistemático de populações civis indefesas, o massacre de milhares de crianças e a política de privação de alimentos e remédios compõem o quadro de um fascismo em sua fase mais aguda.
Aqueles que, dentro do PT, defendem a preservação do Estado de “Israel” e o aniquilamento do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) estão, na prática, apoiando o fascismo real. A ambiguidade petista é moralmente falida: condena-se o “fascismo” de Bolsonaro por motivos puramente oportunistas e eleitorais, enquanto se coabita com o fascismo sionista que promove um banho de sangue em Gaza.
O sionismo é um método brutal de dominação de classe a serviço do imperialismo. Os mesmos interesses econômicos que sustentam o massacre na Palestina operam no Brasil. Se os setores da “frente ampla” apoiam métodos selvagens contra os palestinos, não hesitarão em apoiar os mesmos métodos contra o povo brasileiro caso este decida se rebelar contra o regime. A letalidade da Polícia Militar na Bahia, sob governos petistas, é o laboratório doméstico dessa mesma mentalidade.
A política de “abraçar o inimigo” e de convivência com figuras sionistas dentro do governo Lula desmoraliza a esquerda e fortalece o próprio bolsonarismo. Ao transformar o antifascismo em uma peça retórica vazia, utilizada apenas para justificar o apoio ao STF e à censura, o PT abdica da luta real. Não há meio-termo: ou se combate o fascismo em todas as suas formas, começando pelo genocídio sionista na Palestina, ou se admite que o “antifascismo” do governo é apenas um truque de propaganda para manter a submissão do povo brasileiro aos interesses do grande capital.





