A política de da esquerda pequeno-burguesa brasileira de depositar no Supremo Tribunal Federal (STF) a tarefa de combater o chamado “fascismo” revelou-se um erro estratégico de proporções catastróficas. Após três anos e meio de uma ofensiva baseada em medidas judiciais, o cenário que se apresenta às vésperas das eleições não é o da derrota da extrema direita, mas sim o seu fortalecimento. O Judiciário, longe de ser uma barreira, tem atuado como combustível para a mobilização bolsonarista.
Os métodos adotados, sob a condução do ministro Alexandre de Moraes, são ficaram marcados por seu caráter profundamente arbitrário e desmoralizante. A aplicação de penas de 15 anos de prisão para casos como o de Débora Santos, uma manifestante que pichou uma estátua com batom, é uma aberração jurídica. Tais medidas não desarticularam o movimento de direita; pelo contrário, conferiram a ele a aparência de uma resistência contra uma ditadura judicial, o que é um presente para o bolsonarismo.
O fato concreto é que a ilusão de que o STF combateria o “fascismo” faliu. O bolsonarismo está hoje mais forte do que nunca, demonstrando que a repressão institucional não substitui a luta política. A esquerda, ao se colocar na posição de “torcida” das decisões de toga, abandonou a luta política. Enquanto a direita se estabelece como um movimento ideológico sólido, a esquerda limita-se à politicagem junto as instituições mais reacionárias do País, apoiando medidas de censura na Internet.
Essa política de convivência e aliança com o sistema dominante é desmoralizante. Ao apresentar juízes e políticos da direita “tradicional” como baluartes da democracia, o governo e seus apoiadores jogam areia nos olhos da população e obstaculizam a mobilização. Não houve, por parte das organizações de esquerda, qualquer tentativa séria de mobilizar do povo ou de enfrentar a extrema direita direita. O resultado é um governo que não avançou um único milímetro na conquista do apoio popular real e que agora fica cada vez mais acuado.





