O portal Brasil 247 publicou um artigo assinado por Elizabeth Lopes que diz que, em 2026, a “escolha deixou de ser difícil”. Segundo o autor, o cenário é nítido: Lula representa a “inclusão social” e a família Bolsonaro (agora na figura de Flávio) representa o “neoliberalismo na veia”.
O problema dessa análise não é o que ela diz sobre a extrema direita — que de fato é capacho do imperialismo norte-americano—, mas o que ela esconde sobre o atual governo e sua política de submissão aos grandes capitalistas.
O texto gasta parágrafos louvando Fernando Haddad, pintando-o como um gestor “democrata” e “ilibado”. Essa é uma piada de mau gosto com o trabalhador.
Haddad é, hoje, o homem de confiança da Faria Lima dentro do Palácio do Planalto. É o pai da taxa das blusinhas, um ataque à população pobre e à Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT). Chamar Haddad de “alternativa ao neoliberalismo” é uma fraude intelectual. Ele é o executor do programa neoliberal com uma roupagem “limpinha”.
O artigo argumenta que a escolha é fácil porque Lula seria o polo da “autonomia nacional”. Onde está essa autonomia?
No Banco Central “independente” que o governo se recusa a enfrentar de fato?
Na manutenção da política de preços da Petrobrás que ainda favorece acionistas estrangeiros?
O que o autor chama de “projeto de inclusão social” é, na verdade, uma política de migalhas. O governo Lula está amarrado por uma frente ampla que inclui de Geraldo Alckmin a Alexandre de Moraes. Ao dizer que a escolha é “fácil”, o articulista está pedindo que o trabalhador aceite qualquer coisa, por pior que seja, apenas para não ter um Bolsonaro no poder. É a política do “mal menor” que, historicamente, prepara o terreno para o retorno da extrema direita.
O texto critica os “ataques” de Flávio Bolsonaro às instituições e ao “Estado de Direito”. O problema é que as “instituições” (STF, Congresso, Forças Armadas) não são aliadas do povo.
Ao defender o fortalecimento do aparato repressivo do Estado e do Judiciário (como o STF de Alexandre de Moraes) para “proteger a democracia”, a esquerda está criando um monstro. Amanhã, esse mesmo aparato, fortalecido com o aplauso do PT, será usado para esmagar as greves operárias e as ocupações de terra. A “estabilidade institucional” que o texto defende é a estabilidade da burguesia para continuar explorando o trabalhador sem ser incomodada.
O artigo denuncia corretamente que Flávio Bolsonaro foi ao Texas se rastejar para o imperialismo norte-americano. Mas o que o texto não diz é que a “estratégia de defesa da soberania” do governo Lula tem sido meramente retórica. Na prática, o governo continua pagando trilhões em juros para o capital internacional e se recusa a defender o povo iraniano.
Dizer que “a escolha não é difícil” é um convite à passividade. É dizer ao povo: “fique em casa, vote no Lula e aceite o ajuste fiscal de Haddad, porque o outro lado é pior”.





