No último sábado (4), o Centro Cultural Benjamin Péret (CCBP), em São Paulo, realizou uma sequência de atividades que reuniu debates sobre a conjuntura nacional e a situação política no Oriente Médio. A programação teve início às 12h com uma deliciosa paella servido aos presentes, seguido por duas mesas de discussão transmitidas ao vivo pela Causa Operária TV.
Às 13h, foi realizada a edição da Análise Política da Semana, apresentada por Rui Costa Pimenta, presidente nacional do PCO. O tema central foi a crítica ao projeto de lei da deputada Tabata do Amaral (PSB), que propõe a prisão de quem critique o Estado de “Israel”. Pimenta afirmou que a medida integra uma ofensiva de censura no país, visando restringir a liberdade de expressão na Internet e dificultar a denúncia de ações militares na Palestina. Segundo o dirigente, o projeto tenta equiparar o antissionismo ao antissemitismo, o que ele classificou como uma manobra para tornar o Estado de “Israel” uma entidade intocável no debate político.
Durante a análise, Pimenta também abordou a composição política em torno do projeto, apontando a presença de parlamentares do PT entre os signatários iniciais da proposta. Ele criticou a influência de setores sionistas dentro da esquerda brasileira e denunciou a atuação da Polícia Federal (PF) do governo Lula, que, segundo ele, tem impedido a entrada de palestinos no Brasil sob pretexto de segurança, enquanto permite a livre circulação de soldados israelenses. A análise concluiu que a proposta legislativa serve para ocultar o desgaste da imagem de “Israel” perante a opinião pública mundial após a guerra em Gaza.
A partir das 17h, o CCBP sediou o painel Guerra contra o Irã: abaixo a agressão imperialista, com a participação de Rui Costa Pimenta, do comandante Robinson Farinazzo (canal Arte da Guerra) e do jornalista Breno Altman (Opera Mundi). O debate focou na resistência militar e política da República Islâmica. Pimenta destacou que a estrutura de defesa iraniana atual é resultado da Revolução de 1979, que rompeu com a dependência externa e estabeleceu um regime de nacionalismo radical capaz de enfrentar as pressões do imperialismo no Oriente Médio.
O comandante Robinson Farinazzo apresentou dados técnicos sobre o conflito, contabilizando a destruição de 35 aeronaves e VANTs dos Estados Unidos em um período de 35 dias. Farinazzo afirmou que a Marinha norte-americana recuou de áreas próximas ao território iraniano devido à eficácia dos mísseis e sistemas de defesa desenvolvidos localmente. Ele ressaltou a qualidade da engenharia iraniana e a unidade nacional do país como fatores que inviabilizaram uma vitória rápida das forças estrangeiras na região.
Encerrando a atividade, Breno Altman analisou o conflito sob a ótica da crise da hegemonia do dólar e do avanço do bloco liderado por China e Rússia. Altman argumentou que o ataque ao Irã visa o controle estratégico do Estreito de Ormuz para conter a expansão econômica chinesa. O jornalista defendeu que a solidariedade ao Irã deve ser tratada como uma prioridade anti-imperialista, sem as ressalvas ideológicas comuns em setores da esquerda pequena-burguesa, consolidando o painel com uma defesa da soberania dos povos contra intervenções externas.




