Análise Política da Semana

Rui Costa Pimenta denuncia lei de censura pró-‘Israel’

Presidente do PCO afirmou que projeto de Tabata do Amaral busca proibir críticas ao sionismo e encobrir os crimes cometidos na Palestina

No programa Análise Política da Semana, transmitido pela Causa Operária TV, Rui Costa Pimenta, presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO), denunciou o projeto de lei apresentado pela deputada Tabata do Amaral, do PSB, contra críticas ao Estado de “Israel”. Segundo Pimenta, a proposta integra uma ofensiva mais ampla de censura no País e tem como objetivo restringir a liberdade de expressão, sobretudo na Internet, e dificultar a denúncia dos crimes cometidos pelo sionismo na Palestina

Logo na abertura do programa, Pimenta afirmou que as leis de censura vêm se multiplicando no Brasil e declarou que o foco principal dessas medidas é o cerceamento das redes sociais. Em seguida, tratou o projeto encabeçado por Tabata do Amaral como um passo adiante nessa ofensiva, por visar diretamente aqueles que se opõem ao sionismo e defendem a Palestina.

“Ocorre que apareceu no Congresso Nacional uma proposta de lei, encabeçada pela deputada do PSB, Partido Socialista Brasileiro, Tabata do Amaral, ex-PDT, que visa a interditar as críticas ao Estado de Israel. Essa lei não é uma novidade, isso daí é uma coisa que faz parte de um esforço propagandístico do sionismo internacional, no sentido de evitar críticas à ação do Estado de Israel.”

Pimenta afirmou ainda que a proposta transforma o Estado de “Israel” em uma entidade intocável no debate político. Segundo ele, a medida procura equiparar a oposição ao sionismo ao antissemitismo, acabando com a diferença entre um movimento político e uma religião. Para defender esse ponto, recordou o debate realizado com o rabino norte-americano Israel Weiss e lembrou que o religioso é contrário à existência do Estado de “Israel”, o que, segundo ele, desmonta a tentativa de identificar automaticamente antissionismo com hostilidade aos judeus

“Essa lei praticamente impede você de propor o fim do Estado de ‘Israel’. Você pode, por exemplo, propor o fim do Estado brasileiro, mas você não pode propor o fim do Estado ‘Israel’ segundo essa lei. Quer dizer, o Estado de ‘Israel’ teria se transformado em uma espécie de entidade sagrada.”

Ao tratar do conteúdo do projeto, Pimenta afirmou que a medida serve para perseguir quem denuncia os crimes cometidos pelo sionismo. Segundo ele, a aprovação da lei abriria caminho para transformar em delito justamente a exposição pública de ações praticadas pelo Estado de “Israel” na Palestina.

“Nós vamos ficar na situação paradoxal de que denunciar um crime do sionismo, no caso, mais um crime, vai ser uma conduta criminosa. Quer dizer, você vai denunciar o crime e você é o criminoso por denunciar o crime. Esse é o intuito da lei. O intuito da lei é encobrir, é tornar crime toda tentativa de revelar os crimes que estão sendo cometidos. O intuito da lei é ocultar crimes.”

Ao desenvolver sua análise, o dirigente do PCO ligou o surgimento do projeto ao desgaste político do sionismo após mais de dois anos de massacres em Gaza. Segundo ele, a ofensiva militar contra os palestinos destruiu perante a opinião pública a propaganda montada em torno da origem do Estado de “Israel”. Ainda de acordo com Pimenta, o projeto é uma tentativa de erguer uma “lei do silêncio” em torno da história da Palestina e da situação atual no território ocupado

“A verdade verdadeira é que o sionismo com o que aconteceu em Gaza nos últimos dois anos e meio, o sionismo perdeu completamente a batalha da opinião pública. Completamente. Muita gente tinha uma posição neutra, outros tinham uma posição de defesa dos palestinos, mas o fato é que a esmagadora maioria das pessoas no mundo inteiro estão contra o Estado de ‘Israel’.”

Pimenta retomou então a origem do Estado de “Israel”, que classificou como uma imposição colonial do imperialismo sobre a Palestina. Segundo ele, o Estado sionista não surgiu de uma deliberação da população local, mas de uma operação apoiada pelas potências imperialistas, em especial Inglaterra e Estados Unidos, para impor uma minoria sobre a maioria árabe-palestina. Ele também criticou a partilha aprovada pela ONU e afirmou que a medida ignorou completamente a vontade do povo palestino e dos países árabes da região

“Esse estado é um estado sui generis. Ele não foi constituído a partir da deliberação do povo da região. Ele foi constituído a partir do apoio dos países que não têm nada a ver com a região, Inglaterra, Estados Unidos e na época inclusive a própria União Soviética, como uma imposição, um apoio a uma minoria da população que vivia naquele estado.”

No mesmo trecho, Pimenta afirmou que a expulsão de cerca de um milhão de palestinos de suas casas e terras demonstra o caráter violento da formação do Estado de “Israel”. Segundo ele, a operação foi conduzida com apoio imperialista, financiamento internacional e violência contra uma população mais pobre, lançada em campos de refugiados em vários países árabes após a criação do novo Estado

Ao voltar ao debate político brasileiro, Pimenta afirmou que a proposta de Tabata do Amaral não pode ser tratada como um episódio isolado. Segundo ele, a iniciativa revela a presença de setores sionistas não apenas na direita, mas também nos partidos apresentados como democráticos e até em setores da esquerda. Nessa linha, atacou diretamente o PSB, partido de Tabata e de Geraldo Alckmin, classificando-o como um partido sionista e apontando sua aliança com o PT como parte do problema

“O que muita gente não sabe é que os chamados democratas brasileiros também são ultrassionistas. E que dentro da esquerda brasileira existe uma influência muito grande do sionismo. Isso que o pessoal não sabe. O nome da Tabata do Amaral, ela ajuda a compreender esse problema. Tabata do Amaral é do Partido Socialista Brasileiro, partido do Geraldo Alckmin, que acaba de ser novamente indicado como vice do Lula.”

Em seguida, Pimenta afirmou que o sionismo também está presente dentro do próprio PT. Ele lembrou que, quando o projeto veio a público, seis deputados petistas haviam assinado a proposta e só retiraram seus nomes após a repercussão negativa. Segundo ele, isso não ocorreu por desconhecimento, mas porque esses parlamentares apoiariam conscientemente a medida

“Aqui eu queria entrar num aspecto direto do PT. Quando apareceu a denúncia do projeto da Tabata do Amaral, seis deputados do PT tinham assinado esse projeto. Aí, como houve, começou uma gritaria, alguém percebendo o impacto negativo que isso iria ter, falou com os deputados e eles tiraram o nome. Dá a impressão de que eles retiraram o nome porque eles haviam colocado o nome sem saber no que eles estavam colocando o nome. Não. Esses deputados do PT são sionistas. Todos eles.”

Ainda sobre o governo, Pimenta citou a assessora presidencial Clara Ant, que, segundo ele, teria organizado um seminário no Itamaraty para que sionistas expusessem suas posições, e recordou declarações de Jaques Wagner em defesa da preservação do Estado de “Israel” e pelo extermínio do Hamas. Na avaliação do dirigente do PCO, esses fatos mostram que a presença sionista em torno do governo Lula não é marginal, mas ocupa posições centrais da máquina estatal e da direção petista

“Nós já tínhamos denunciado aqui o caso do Jaques Wagner, que também é sionista. Ele compareceu aí num ato que foi chamado ato pela amizade Brasil-Israel, sei lá que coisa, uma dessas manifestações extremamente cínicas, porque você fazer uma manifestação em favor de Israel no momento em que você tem aquele genocídio monstruoso na Palestina é de um cinismo inacreditável.”

Na parte final do programa, Pimenta procurou demonstrar que essa política teria efeitos concretos sobre a atuação do Estado brasileiro. Para isso, citou a situação dos palestinos que são impedidos de entrar no Brasil pela Polícia Federal (PF), enquanto soldados israelenses acusados de crimes de guerra entram no País sem maiores obstáculos. Ele apontou a PF do governo Lula como responsável por esse tratamento desigual e disse que isso esvazia, na prática, as denúncias verbais feitas pelo presidente sobre o genocídio em Gaza

“Os palestinos não conseguem entrar no Brasil. No Brasil. A Polícia Federal não deixa. Polícia Federal do governo Lula. Eles são tratados como se eles fossem todos terroristas. […] Ao passo que os soldados israelenses, que todo o mundo, aqui não é uma expressão, é uma coisa literal, o mundo inteiro, o planeta Terra inteiro, sabe que são criminosos, eles entram sem nenhum problema, hostilizam os brasileiros, não acontece nada.”

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