A França anunciou na sexta-feira (3) a criação de um programa emergencial de empréstimos para pequenas e médias empresas atingidas pela disparada no preço dos combustíveis, em meio à crise provocada pela guerra dos Estados Unidos e de “Israel” contra o Irã. A medida atende, sobretudo, empresas dos setores de transporte, agricultura e pesca, enquanto a população francesa continua submetida ao aumento dos custos de energia e combustíveis.
O Ministério da Economia informou que as empresas desses setores poderão acessar os chamados empréstimos-relâmpago para combustíveis, no valor de até 50 mil euros. Segundo o governo, a linha cumpre uma promessa feita na semana anterior pelo primeiro-ministro Sébastien Lecornu, em meio ao esforço das autoridades europeias para conter os impactos econômicos da guerra sobre o abastecimento de energia.
Os empréstimos serão concedidos pelo banco público de investimentos Bpifrance, por meio de um processo digital simplificado, com liberação do dinheiro em até sete dias. O prazo de pagamento será de três anos, com juros de 3,8%.
Separadamente, o ministro da Economia, Roland Lescure, informou ter enviado uma carta à Comissão Europeia pedindo uma investigação sobre possíveis abusos praticados por refinarias do continente na formação dos preços dos combustíveis. A iniciativa mostra a preocupação crescente dos governos europeus com a possibilidade de setores da área energética estarem aproveitando a crise para elevar ainda mais seus ganhos às custas dos consumidores e das pequenas empresas.
A França também adotou outra medida emergencial nos últimos dias. Segundo a emissora BFMTV, o governo decidiu flexibilizar temporariamente os padrões técnicos do diesel, permitindo a comercialização de combustível com menor resistência a temperaturas baixas. Pelas regras habituais, o diesel vendido no país precisa funcionar a até -15 °C. Com a exceção agora autorizada, o combustível poderá ser distribuído mesmo sendo utilizável apenas até 0 °C.
A decisão foi apresentada como uma medida preventiva para evitar desabastecimento, num momento em que as cadeias globais de suprimento se estreitam em consequência da crise no Oriente Médio. Na semana anterior, o próprio Lescure havia afirmado que a situação do mercado energético francês não era tão grave quanto a de outros países da União Europeia, embora o governo já estivesse preparando ações de contenção.
O fechamento do Estreito de Ormuz atingiu em cheio o mercado internacional de energia. Cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo passam pelo estreito, e a redução do fluxo elevou os preços e ameaçou retirar milhões de barris diários da oferta global de diesel. O resultado foi uma pressão ainda maior sobre os mercados europeus.
A Europa se encontra em posição especialmente vulnerável. Depois de reduzir sua dependência da energia russa e manter sanções contra o Irã, os países europeus passaram a depender mais intensamente de importações vinculadas aos fluxos internacionais do Golfo Pérsico. Com isso, ficaram mais expostos aos efeitos da guerra que seus próprios aliados ajudaram a provocar.
A França, em particular, depende fortemente do suprimento externo. Antes da crise atual, o país importava cerca de metade de seu consumo de diesel, com parcela importante ligada a fluxos internacionais agora afetados pelas perturbações no Golfo. Isso ajuda a explicar a rapidez com que Paris começou a montar mecanismos de contenção para socorrer empresas mais diretamente afetadas.




