As Forças Armadas iranianas anunciaram na sexta-feira (3) a derrubada de dois jatos, dois mísseis de cruzeiro e três VANTs empregados pelos Estados Unidos e por “Israel” na guerra contra a República Islâmica do Irã. Em nota divulgada no sábado, o Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (CGRI) qualificou a jornada como um “dia negro” para as forças aéreas norte-americana e sionista.
De acordo com a nota, unidades da defesa aeroespacial do CGRI destruíram dois mísseis de cruzeiro nos céus de Khomein e Zanjan. Também foram abatidos dois VANTs de ataque MQ-9 sobre Isfahan e um VANT Hermes sobre Bushehr. Segundo o CGRI, as interceptações foram realizadas por um novo sistema avançado de defesa antiaérea, operando sob o comando da rede integrada de defesa do país.
No mesmo dia, a defesa aeroespacial do CGRI atingiu e derrubou um caça inimigo avançado no centro do Irã. Em outra ação, o Exército iraniano informou ter abatido um avião de ataque A-10 sobre as águas do sul do país, nas proximidades do Estreito de Ormuz. Segundo a nota militar, a aeronave foi rastreada pelos sistemas da Força de Defesa Antiaérea do Exército e caiu nas águas do Golfo Pérsico.
O porta-voz do Quartel-General Central Khatam al-Anbiya, tenente-coronel Ebrahim Zolfaghari, informou que o caça abatido no centro do país era um F-35 norte-americano. Ele declarou que, “devido à forte explosão no momento do impacto e da queda, é improvável que o piloto tenha conseguido ejetar”.
Imagens dos escombros circularam posteriormente. Uma análise divulgada pela emissora estatal IRIB apontou a presença de parte da deriva vertical do avião, com uma inscrição parcial da Força Aérea dos Estados Unidos na Europa. Segundo as informações divulgadas pelo Irã, o aparelho pertencia ao esquadrão de Lakenheath. O dia 3 de abril marcou, de acordo com essas informações, a segunda vez em que um F-35 foi atingido e derrubado nos céus iranianos.
O CGRI destacou que o resultado desmonta a propaganda de Donald Trump, que havia afirmado que as defesas iranianas teriam sido destruídas. Em nota, a corporação declarou:
“Com o prosseguimento do monitoramento inovador, contínuo e preciso dos heróis da defesa antiaérea do Irã, os céus do Irã se tornarão cada vez mais inseguros para os caças do inimigo agressor.”
Os próprios Estados Unidos admitiram ao menos parte das perdas. The New York Times, citando autoridades norte-americanas sob condição de anonimato, informou que um segundo avião de combate da Força Aérea dos EUA “caiu” na região do Golfo na sexta-feira. Segundo o jornal, tratava-se de um A-10, cujo piloto único foi resgatado. A Reuters, também com base em um funcionário norte-americano, informou que um caça dos EUA havia sido abatido e que uma operação de busca e resgate estava em andamento.
Ao mesmo tempo, a Axios, citando uma fonte familiarizada com o caso e a imprensa iraniana, informou que outra operação de busca e resgate foi aberta para localizar dois tripulantes. A TV estatal iraniana divulgou imagens e vídeos do que seriam partes da aeronave abatida, inclusive um assento ejetável.
Segundo a agência Tasnim, o Exército norte-americano enviou vários helicópteros Black Hawk e um avião de transporte C-130 Hércules para recuperar pilotos após um dos abatimentos. As informações iranianas davam conta de que a operação foi recebida a fogo pela defesa antiaérea iraniana. A agência Mehr informou que um dos helicópteros foi atingido durante a tentativa de resgate sobre o Irã. Diante da reação iraniana, a operação teve de recuar.
Menos de 24 horas antes, a rede integrada de defesa do Irã já havia abatido outro caça inimigo sobre o sul da ilha de Qeshm. Segundo o CGRI, o avião caiu entre as ilhas Hengam e Qeshm, afundando nas águas do Golfo Pérsico. Nesse mesmo episódio, as defesas iranianas também derrubaram dois VANTs de média altitude e longa permanência, entre eles um MQ-9 fabricado nos EUA. As informações divulgadas apontavam ainda que um míssil antiaéreo 9-Dey atingiu um dos aparelhos.
Até sexta-feira, as Forças Armadas iranianas haviam realizado 93 ondas de ataques com mísseis e VANTs contra instalações militares de “Israel” nos territórios ocupados e contra bases e ativos norte-americanos espalhados pela Ásia Ocidental.
Desde o início da guerra, as defesas iranianas vêm acumulando uma série de abatimentos. Em 19 de março, o Irã anunciou o primeiro acerto bem-sucedido de que se tem notícia contra um F-35, utilizando o sistema infravermelho Majid no centro do país. O programa F-35 havia sido apresentado por décadas como o ponto mais alto da superioridade militar norte-americana, um aparelho de quinta geração concebido justamente para atravessar as defesas antiaéreas mais avançadas.
Outros aviões da família F também foram atingidos ao longo do último mês. Foram registradas interceptações contra F-15, F-16, F-18 e F-35, todas realizadas pela rede integrada de defesa iraniana. Segundo os números anunciados pelo Irã, desde o início da agressão já foram abatidos dois F-35, um F-18, dois F-16 e quatro F-15. No caso dos VANTs, o total derrubado pela rede integrada do Quartel-General Conjunto de Defesa Aérea ultrapassou 150, incluindo mais de uma dúzia de MQ-9 Reaper, cada um avaliado em cerca de US$30 milhões.
Parte dessas perdas já apareceu até mesmo em informações divulgadas pela própria imprensa norte-americana. Os EUA confirmaram oficialmente a perda de três F-15 e de um avião-tanque KC-135 durante a guerra em curso. O Pentágono procurou apresentar esses episódios como “fogo amigo” ou “acidentes”. Também houve o anúncio recente da queda de um F-35 em Nevada, versão que especialistas militares passaram a apontar como uma cobertura para a perda de caças furtivos na guerra contra o Irã.
As baixas não se limitaram aos aparelhos abatidos no espaço aéreo iraniano. Na base aérea Príncipe Sultão, na Arábia Saudita, um avião E-3 Sentry, do tipo AWACS, foi destruído por um ataque de precisão, atribuído a um VANT iraniano de via única. Ainda segundo alegações divulgadas pelos próprios norte-americanos, dois KC-135 colidiram em pleno voo sobre o Iraque; um deles sobreviveu ao choque, embora avariado, enquanto o outro caiu, matando seis militares da Força Aérea dos EUA. Além disso, de acordo com reportagens da imprensa norte-americana, um F/A-18 cuaitiano derrubou acidentalmente três F-15 norte-americanos sobre o Cuaite, durante a tentativa de interceptar mísseis de cruzeiro e VANTs.




