Na edição desta sexta-feira (3), o Plantão Irã, programa diário do Diário Causa Operária em parceria com a Causa Operária TV (COTV), tratou do aprofundamento da guerra no Oriente Médio, com destaque para a 92ª onda da Operação Promessa Cumprida 4, a denúncia iraniana de um novo ataque de bandeira falsa e a ampliação da frente militar contra os interesses norte-americanos e sionistas na região. Ao longo da transmissão, os comentaristas também abordaram a entrada mais ativa do Iêmen no conflito, os ataques a centros de tecnologia ligados ao complexo imperialista e os bombardeios contra universidades em Teerã.
Logo no início, Pedro Burlamaqui afirmou que a nova onda da operação iraniana atingiu “barcos anfíbios norte-americanos e um esquadrão de jatos F-16 israelenses”, além de uma nova barragem de mísseis contra Haifa. Em seguida, destacou outra informação apresentada no programa: o abate de mais um caça F-35 e, depois, de um helicóptero enviado para resgatar os pilotos ejetados. Segundo os comentaristas, a operação aprofundou a crise militar do imperialismo, uma vez que o F-35 é apresentado como um dos principais símbolos da superioridade tecnológica norte-americana.
Juca Simonard ressaltou o significado político e militar do episódio. “O F-35 era o avião invisível dos Estados Unidos. Nenhum radar podia pegar, mas agora o Irã está com uma tecnologia que percebe através de infravermelho. Ou seja, isso demonstra uma alta tecnologia militar para derrubar um avião desse tipo”, afirmou. Adriana Machado, por sua vez, declarou que a ação se deu depois de mais uma tentativa de resgate fracassada e assinalou que a resposta iraniana ocorreu em meio ao agravamento da ofensiva inimiga contra alvos civis.
O programa também dedicou ampla parte à participação do Iêmen na guerra. Burlamaqui informou que esta foi a terceira operação iemenita desde a entrada do país no conflito ao lado do Irã e do Eixo da Resistência, em uma ação conjunta com forças iranianas e com o Hesbolá, tendo como alvo a cidade de Jafa. A discussão girou em torno do peso militar e geográfico do Iêmen e das consequências que sua atuação pode trazer para o imperialismo e para os regimes árabes aliados dos EUA.
Victor Assis afirmou que a entrada do Iêmen “é mais um elemento de crise para o imperialismo”. Em sua avaliação, trata-se de um país que, mesmo sendo um dos mais pobres do mundo, manteve durante anos a resistência contra uma ampla coalizão financiada pelos EUA. “O simples fato de você ter um grupo que, além de dar conta dos seus problemas locais, está estendendo a mão para os povos vizinhos, é uma coisa extraordinária”, disse. Ele ainda destacou a posição geográfica iemenita, fronteiriça com a Arábia Saudita e com capacidade de intervir sobre o estreito de Babelmândebe, o que amplia a pressão sobre toda a circulação regional de petróleo.
Adriana Machado chamou atenção para o fato de o Iêmen ter atingido Jafa com mísseis balísticos produzidos pelo próprio país, o que, segundo ela, demonstra “a determinação do povo do Iêmen”. A comentarista observou ainda que as operações iemenitas, de acordo com o comunicado mencionado no programa, serão ajustadas conforme a intensificação das ações do inimigo, seguindo a política de resposta proporcional já anunciada pelo Irã.
O eixo central da edição, no entanto, foi a denúncia iraniana de um novo ataque de bandeira falsa. Segundo o que foi apresentado no programa, “Israel” realizou um ataque contra uma usina de energia e dessalinização no Cuite e tentou atribuí-lo ao Irã, numa tentativa de criar um conflito entre a República Islâmica e países vizinhos. A denúncia foi relacionada, no debate, à proposta apresentada pelo Barém no Conselho de Segurança da ONU para utilizar “todos os meios possíveis” para reabrir o Estreito de Ormuz. Os comentaristas observaram que a votação foi adiada e destacaram que a própria França, por meio de Emmanuel Macron, reconheceu que uma operação militar desse tipo seria irrealizável.
Simonard afirmou que a acusação contra o Irã não fazia sentido do ponto de vista militar. “Atacar usina de dessalinização não faz sentido, não tem objetivo militar nenhum. Você está atacando uma infraestrutura de um país no meio do deserto que traz água potável para a população”, declarou. Em seguida, acrescentou que o Irã já havia deixado claro que divulga seus alvos e suas operações e que, portanto, não haveria motivo para agir às escondidas justamente num caso dessa natureza.
Victor Assis sintetizou o problema ao definir a operação de bandeira falsa como “um ataque realizado pelo inimigo, mas atribuído falsamente ao país que está sendo agredido”. Ele lembrou que, dias antes, o Líder da Revolução Islâmica já havia advertido para a possibilidade de ações desse tipo, voltadas a criar discórdia entre o Irã e governos da região. Na avaliação do comentarista, o objetivo imediato seria pressionar Estados vizinhos e empurrá-los para uma posição mais aberta ao lado do imperialismo.
Outro ponto de destaque foi a continuidade dos ataques iranianos a centros de tecnologia ligados aos interesses norte-americanos e sionistas. O programa relembrou a ação contra uma instalação da Amazon no Barém e informou um novo ataque à Oracle, na Arábia Saudita. Burlamaqui observou que o Irã havia anunciado previamente que responderia aos assassinatos cometidos pelo inimigo atingindo empresas de tecnologia ligadas aos EUA e a “Israel”, inclusive com aviso para a retirada de trabalhadores e de moradores num raio de um quilômetro.
“O Irã realizou ataques contra centros de empresas de tecnologia na região”, afirmou Burlamaqui, acrescentando que, antes disso, o país havia declarado que, “para cada assassinato cometido pelo imperialismo”, atacaria companhias integradas aos seus interesses estratégicos. Adriana Machado citou, entre essas empresas, Amazon, Oracle, Intel, Microsoft, Apple, Google, Meta, JP Morgan, Boeing, Tesla e GE, sustentando que se trata de firmas associadas à inteligência, à censura e ao aparato militar imperialista.
Na parte final da análise, os comentaristas voltaram a denunciar os ataques contra universidades iranianas. Segundo o programa, EUA e “Israel” atingiram mais uma instituição de ensino em Teerã, a Universidade Shahid Beheshti, depois de já terem bombardeado a Universidade de Ciência e Tecnologia e o Instituto Pasteur. O tema foi relacionado à política anteriormente anunciada pelo Irã de responder a agressões contra instituições acadêmicas.
Adriana Machado afirmou que “o ataque às universidades é parte desse ataque à soberania do país”, assinalando que a indústria iraniana depende das pesquisas desenvolvidas nesses centros e que uma parcela importante desse trabalho é realizada por mulheres. Segundo ela, a ofensiva imperialista busca destruir a capacidade científica e tecnológica do país, mesmo depois de décadas de sanções.




