A missão Artemis 2 realizou com sucesso a chamada injeção translunar, às 20h49 da quinta-feira (2). A manobra tirou a espaçonave Orion da órbita da Terra e a colocou em trajetória rumo à Lua, o movimento mais importante do voo. O acionamento dos motores durou cinco minutos e 50 segundos e foi o maior desde o lançamento, além de tornar um voo em torno da Terra numa viagem ao espaço profundo.
A cápsula estava dando voltas em torno da Terra numa órbita elíptica, uma órbita mais alongada. No ponto mais baixo dessa órbita, a nave estava se deslocando mais rapidamente. É justamente aí que a equipe ligou o motor principal do módulo de serviço. Ao acelerar nesse ponto, a nave aproveita melhor a física do movimento orbital e ganha a velocidade necessária para escapar da órbita terrestre e seguir para a Lua. A cápsula usou o momento de maior velocidade em torno da Terra para receber o empurrão decisivo.
O lançamento da missão havia ocorrido na noite de quarta-feira (1º), às 19h35, a partir do Centro Espacial Kennedy, na Flórida. O foguete utilizado foi o Sistema de Lançamento Espacial, que emprega quatro motores RS-25 no corpo principal e dois propulsores laterais de combustível sólido. São motores de altíssima potência, desenvolvidos para tirar da Terra uma cápsula tripulada pesada o suficiente para viajar além da órbita baixa. A espaçonave Orion, por sua vez, é a cápsula que abriga os astronautas e será responsável por toda a fase de ida, contorno da Lua e retorno à Terra.
A tripulação é formada por Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, da Nasa, e Jeremy Hansen, da Agência Espacial do Canadá. Eles não vão pousar na Lua nesta missão. O plano é contornar o satélite, passar além do lado oculto e retornar à Terra em pouco mais de 10 dias. Ainda assim, a viagem representa a primeira missão tripulada rumo à região lunar em mais de meio século.
Antes da decolagem, houve um susto com o sistema de aborto da missão, o mecanismo de segurança que permitiria ejetar os astronautas e destruir o foguete em caso de falha crítica. O problema foi resolvido e a contagem regressiva prosseguiu. Depois da decolagem, a nave entrou em órbita da Terra e os astronautas começaram uma sequência de verificações. Uma delas foi a elevação do perigeu, manobra curta, de cerca de 50 segundos, destinada a ajustar a órbita antes do grande impulso translunar.
Nos dias seguintes, a viagem terá longos períodos de deslocamento com manobras muito curtas, mas decisivas. Em termos práticos, anos de planejamento e bilhões de dólares se convertem em acionamentos de motor que duram poucos minutos. A viagem total passa de 800 mil quilômetros somando ida e volta. No trecho em torno da Lua, a espaçonave Orion deverá voar entre 6.500 e 9.500 quilômetros da superfície lunar e passar cerca de 10 mil quilômetros além do lado oculto, que não é possível ver da Terra. A nave não precisará de outro grande disparo de motor para voltar: ela usará a combinação da gravidade da Terra e da Lua para desenhar a trajetória de retorno.
A cápsula deve regressar à Terra após cerca de 10 dias. No fim da missão, o módulo de tripulação se separa do restante da nave e enfrenta a reentrada atmosférica em velocidade altíssima. O escudo térmico é projetado para suportar o calor extremo gerado pelo atrito. Depois disso, entram em ação os paraquedas, e a cápsula deve cair no Oceano Pacífico, onde equipes da Marinha dos Estados Unidos estarão posicionadas para resgatar os astronautas.
A missão tem sido apresentada pela Nasa como passo intermediário para futuros pousos lunares, para a instalação de uma base na Lua e, mais adiante, para viagens a Marte. O argumento técnico é que a Lua serviria como plataforma de teste para aprender a viver fora da Terra, desenvolver sistemas de geração de água, ar, energia e proteção contra radiação.
A nova corrida espacial não pode ser separada da corrida armamentista. A tecnologia de lançamento de foguetes, controle orbital, navegação espacial e domínio de trajetórias tem aplicação direta no terreno militar. Além disso, o domínio do espaço funciona como instrumento de pressão e intimidação sobre adversários. Nesse sentido, a Artemis 2 é uma tentativa do imperialismo de mostrar força no momento em que passa pela maior crise de sua história.




