A greve dos trabalhadores da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares entrou no quinto dia ontem (2) com manutenção e fortalecimento do movimento em diferentes estados. Em Goiás, os servidores reunidos em assembleia na porta do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás rejeitaram por unanimidade a proposta apresentada pela Ebserh na mediação ocorrida no Tribunal Superior do Trabalho e decidiram manter a paralisação. No Rio Grande do Sul, empregados dos três hospitais da rede no estado também recusaram a oferta e reafirmaram a continuidade da greve.
A proposta patronal fazia parte da negociação do Acordo Coletivo de Trabalho 2026-2027 e previa reajuste correspondente a 100% do INPC do período, incidindo sobre salário e demais cláusulas econômicas, além da manutenção das cláusulas sociais existentes e do acréscimo de novas cláusulas. Para a categoria, isso não atende à principal reivindicação, que é o aumento salarial com ganho real. A leitura predominante nas assembleias foi a de que a empresa quer empurrar um acordo rebaixado para uma categoria que trabalha em condições de sobrecarga e forte pressão.
Em Goiás, a assembleia foi conduzida pelo presidente do SINTSEP-GO, Antônio Gilvan, que apresentou o conteúdo do ofício da Ebserh e alertou para a pressão exercida pela empresa ao afirmar que, caso a proposta fosse rejeitada, a mediação seria encerrada e o caso seguiria para dissídio coletivo. Ainda assim, depois dos debates, a proposta foi recusada por unanimidade, com 92 votos. Em seguida, os trabalhadores deliberaram pela manutenção da greve.
As falas da base mostraram indignação e disposição de luta. Luciene Martins, tecnóloga em radiologia, criticou duramente a proposta e lembrou o papel desempenhado pelos trabalhadores da saúde durante a pandemia. Maria Sueli, assistente social, defendeu a continuidade do movimento e afirmou que a categoria tem peso político suficiente para arrancar recuos da empresa. Edson Leite, da área administrativa, resgatou experiências anteriores de negociação e destacou a importância de garantir o debate antes da votação. A enfermeira Laiz Brito questionou a desigualdade entre os diretores e os profissionais que estão expostos na linha de frente do atendimento.
Segundo Antônio Gilvan, cerca de 500 trabalhadores participam da greve em Goiás, considerando os diferentes turnos. A assembleia aprovou encaminhamentos para ampliar a adesão nos setores não essenciais, manter a mobilização na porta do hospital e nos locais de trabalho e seguir pressionando por negociação sem imposição de dissídio. A orientação é engrossar o movimento e reforçar a unidade da base.
No Rio Grande do Sul, as assembleias realizadas no Hospital Universitário Dr. Miguel Riet Corrêa Jr., no Hospital Escola da Ufpel e no Hospital Universitário de Santa Maria chegaram à mesma conclusão. Mesmo sob ameaça de ajuizamento de dissídio coletivo, os empregados rejeitaram a proposta e mantiveram a greve. A avaliação expressa pelos sindicatos é de que a empresa segue desrespeitando os trabalhadores, apesar de depender deles para assegurar o funcionamento da rede hospitalar.
A continuidade da paralisação em vários estados mostra que a categoria não está disposta a aceitar um acordo sem ganho real. Depois de anos de arrocho, sobrecarga e deterioração das condições de trabalho, os servidores da Ebserh mantêm a posição de luta e indicam que o movimento tende a se intensificar caso a empresa não apresente uma proposta que atenda às reivindicações centrais.





