Enquanto o povo iraniano é alvo da agressão promovida pelo imperialismo e seus agentes no Oriente Próximo, o Ministério das Relações Exteriores do governo Lula prepara, para o próximo dia 16 de abril, um seminário sobre “enfrentamento ao antissemitismo” recheado de lideranças sionistas e sob coordenação da assessora presidencial Clara Ant.
O objetivo não é, obviamente, discutir o problema da perseguição aos judeus — até porque não há registro de perseguição deste tipo no Brasil hoje. Trata-se de uma operação para abrir ainda mais espaço ao lobby sionista justamente no momento em que “Israel”, sustentado pelo imperialismo, aprofunda sua política criminosa contra os povos da região.
Ao invés de se colocar com clareza ao lado dos povos agredidos, como o povo palestino e o povo iraniano, Lula insiste em uma ladainha diplomática vazia sobre “paz” e “contenção”, enquanto seu governo recebe e prestigia representantes da máquina política que dá sustentação ao massacre.
A composição do evento é reveladora. Entre os convidados estão majoritariamente dirigentes ligados ao sionismo, incluindo figuras centrais da Confederação Israelita do Brasil (Conib), entidade conhecida por perseguir os defensores da Palestina no Brasil.
A própria programação do encontro mostra seu objetivo político. Fala-se longamente sobre definições de antissemitismo, “zonas cinzentas” entre liberdade de expressão e “discurso de ódio”, e sobre os limites das críticas ao Estado de “Israel”. Ou seja, é um encontro de conteúdo policialesco. Enquanto isso, não há espaço reservado para discutir o genocídio do povo palestino. Não se fala dos crimes de guerra cometidos em Gaza. Não se fala da política de terror permanente do Estado sionista. Não se fala, tampouco, da guerra em curso no Oriente Médio e do papel central de “Israel” e dos Estados Unidos na agressão contra o Irã.
Se o debate sobre o holocausto não serve para impedir que um novo holocausto aconteça, qual o seu propósito?





