Palestinos realizaram nesta quarta-feira (1º) uma greve geral na Cisjordânia e em Al-Quds ocupada contra a lei aprovada pelo Parlamento de “Israel” que autoriza a execução de prisioneiros palestinos. O protesto paralisou o comércio, repartições públicas e instituições de ensino em várias cidades e foi acompanhado por manifestações de rua, apelos das organizações palestinas por pressão internacional e novas condenações à medida, inclusive por parte do Irã e do alto comissário da ONU para os direitos humanos.
A paralisação foi convocada por organizações nacionais e islâmicas palestinas, com o objetivo de pressionar pela revogação da lei e pela responsabilização da ocupação por seus crimes contra os prisioneiros. Em Ramala, Nablus, Al-Khalil, Tulcarém e Calquília, as atividades comerciais foram interrompidas, enquanto universidades e órgãos públicos também fecharam as portas.
Em Ramala, centenas de pessoas saíram às ruas contra a lei apoiada pelo ministro da “Segurança” Nacional de “Israel”, Itamar Ben-Gvir. Em Nablus, manifestantes carregaram cartazes contra a execução de prisioneiros. Um deles dizia: “parem a lei para executar prisioneiros, antes que seja tarde demais”.
A adesão à greve foi ampla em várias cidades da Cisjordânia. Em Al-Khalil, Ramala e Nablus, a maior parte das lojas permaneceu fechada ao meio-dia. Na localidade de Anata, a nordeste da Cidade Velha de Jerusalém, soldados israelenses obrigaram comerciantes palestinos que participavam da paralisação a reabrir seus estabelecimentos.
Também houve protestos no posto de controle de Calandia, uma das principais entradas entre a Cisjordânia e Jerusalém. Imagens divulgadas por palestinos mostraram pneus queimados no local. Segundo a agência palestina WAFA, soldados israelenses dispararam balas revestidas de borracha, granadas de efeito moral e gás lacrimogêneo contra os manifestantes. Não houve informação de feridos.
A mobilização ocorreu dois dias depois da aprovação definitiva, em segunda e terceira votações, da lei que cria a pena de morte para palestinos condenados por ataques letais classificados por “Israel” como “terrorismo”. Como os palestinos da Cisjordânia são automaticamente julgados por tribunais militares israelenses, a nova lei cria, na prática, uma via jurídica separada e mais dura para os palestinos.
Pelo texto aprovado, a execução passa a ser a pena padrão em determinados casos, sem necessidade de decisão unânime dos juízes e iniciativa por parte da acusação. A chamada administração prisional israelense ficará encarregada de cumprir a sentença em até 90 dias. A norma também determina que, na Cisjordânia ocupada, a prisão perpétua só poderá ser aplicada em “circunstâncias especiais” pelos tribunais militares. Recursos também são proibidos.
O texto ainda prevê que o primeiro-ministro israelense possa pedir o adiamento da execução em certas condições, mas esses adiamentos não poderão ultrapassar 180 dias no total. O critério da lei estabelece que qualquer pessoa acusada de provocar a morte de um israelense por motivos definidos como “hostilidade” à ocupação poderá ser condenada à morte. Mais macabro ainda é o fato de que a pena será executada por meio de enforcamento.

Em Ramala, a psicóloga Riman, de 53 anos, afirmou à agência AFP que praticamente toda família palestina tem alguém preso. “Não há uma única pessoa aqui que não tenha um irmão, um marido, um filho ou até um vizinho na prisão. Não existe família palestina sem um prisioneiro”, declarou.
Mais de 9.500 palestinos estão presos em cadeias israelenses, entre eles 350 crianças e 73 mulheres. Organizações palestinas denunciam que os detidos são submetidos a tortura, fome, estupro e negligência médica, o que já provocou dezenas de mortes.
O Irã condenou a lei nesta quarta-feira e afirmou que ela constitui uma violação aberta dos direitos humanos. O Ministério das Relações Exteriores iraniano declarou que a medida faz parte do genocídio em curso contra o povo palestino e reiterou o direito dos palestinos à autodeterminação e à formação de um Estado independente com capital em Al-Quds. A pasta acrescentou que a continuidade da inação internacional e a ausência de responsabilização da entidade sionista ameaçam a segurança de toda a Ásia Ocidental e do mundo.
O alto comissário das Nações Unidas para os direitos humanos, Volker Türk, também condenou a medida e afirmou que sua aplicação contra moradores do território palestino ocupado configuraria crime de guerra.
A Cisjordânia está sob ocupação israelense desde 1967. A violência no território se intensificou ainda mais desde o início da guerra genocida de “Israel” contra Gaza, em outubro de 2023, que já assassinou mais de 72 mil pessoas.




