A esquerda pequeno-burguesa vive atrelada aos movimentos que têm visibilidade na grande imprensa e/ou são financiadas por George Soros e CIA.
O artigo No Kings: milhões marcham nos EUA e na Europa contra o autoritarismo, a xenofobia e a guerra, publicado neste domingo (29) no sítio Esquerda Online, vinculado ao MRT (Movimento Revolucionário de Trabalhadores).
Esses grupos ficaram entusiasmados com os protestos de setembro de 2025 contra a “PEC da Blindagem” e o “PL da Anistia”, convocados principalmente pela Rede Globo. Os atos da Globo tiveram ampla repercussão no G1, O Globo e Globo News. Contaram com participação de vários artistas, como Caetano Veloso, e famosos. Desta vez, não é diferente, a “esquerda” cai no golpe.
Sem reis
O artigo traz no olho o seguinte: “milhões de pessoas se manifestaram nas marchas No Kings (“Não Queremos Reis”) deste sábado nos Estados Unidos contra o governo Trump. Ao protesto se somaram mais de uma dezena de países, entre eles Itália e Inglaterra, que acrescentam às reivindicações contra o autoritarismo, as políticas anti-imigração e as guerras imperialistas a luta contra o militarismo, a corrida armamentista e o ajuste no coração da Europa”.
Já era preciso ligar aí a luz amarela. A esquerda não tem conseguido grande protagonismo nas ruas. Mas, de repente, milhões se reúnem para protestar contra o governo Trump.
Donald Trump é considerado um fascista, mas todas as “democracias” europeias apoiam, não apenas palavras, suas ações na guerra de agressão contra o Irã.
Segundo o artigo, “As marchas No Kings (“Não Queremos Reis”) surgiram nos Estados Unidos contra o autoritarismo de Trump e foram crescendo desde a primeira delas, passando de centenas de milhares para milhões de manifestantes em todo o país em suas edições anteriores”. Ninguém se lembrou de sair às ruas contra Joe ‘Genocide’ Biden, que quase começou uma guerra contra a China, jogou a Ucrânia contra a Rússia e financiou amplamente o genocídio na Faixa de Gaza.
Conexões
Os números vão bem, o leitor é informado que “esta é a terceira marcha convocada sob a consigna No Kings, e a anterior, em outubro passado, já havia reunido mais de 7 milhões de pessoas nos 50 estados do país. Agora se soma a indignação posterior à atuação do ICE em Minneapolis, que terminou com uma série de mobilizações e paralisações que fizeram Trump recuar, e à qual agora se acrescenta sua política externa de guerra imperialista no Irã e sua ofensiva sobre a América Latina e o Caribe, incluindo os bombardeios sobre Caracas, o sequestro de Maduro e Cilia Flores, e o bloqueio extorsivo e sufocante contra Cuba”.
A grande imprensa frequentemente se esquecia de criticar a política para imigrantes de Biden, bastante agressiva.
Além de dizer que “a esta terceira convocação se somaram uma dezena de países, entre eles Itália e Inglaterra” e que em “Nova York, as mobilizações também foram massivas”, o artigo dá conta de que “as manifestações estão acontecendo em mais de 3.000 cidades dos EUA. Nas Cidades Gêmeas de Minnesota, uma das mais importantes concentrações do No Kings será convocada em St. Paul. Espera-se que Bruce Springsteen seja a principal figura do evento e interprete “Streets of Minneapolis”, canção que compôs após o assassinato, pelas mãos do ICE, de Renee Good e Alex Pretti no início deste ano. Os organizadores esperam aqui mais de 100 mil pessoas”.
Aqui nós temos Caetano, lá eles têm Bruce Springsteen, será que já existe um modelo de “manifestações” pré-formatado?
A coisa começa a fazer sentido quando é dito que “em Londres, centenas de milhares de pessoas participam da marcha contra a extrema direita convocada pela coalizão Together Alliance, em sintonia com as marchas No Kings nos Estados Unidos”.
A Togheter Alliance é uma coalização sediada no Reino Unido, que organiza grandes manifestações contra a extrema-direita, o racismo e a xenofobia.
Essa coalizão não possui um único financiador, sendo mantida por uma rede diversificada de organizações da sociedade civil e doações diretas. A organização Invisible, peça-chave do No Kings, recebeu doações milionárias da Open Society de George Soros. E há grupos ligados ao empresário Neville Roy Singham, conhecido por financiar causas da esquerda pelo mundo.
Singham e Soros contam com a colaboração da Donos Trust e Goldman Sachs Philanthropy. A imprensa americana já acusou ambos de utilizarem frequentemente dinheiro difícil de rastrear: “dark money”.
A Fundação Ford (fachada da CIA) é também uma das principais financiadoras.
Anti-Trump
Não é segredo que o imperialismo não queria Trump novamente no poder, por isso sofreu dois processos de impeachment logo no primeiro mandato (2019-2021). Em sua segunda participação, o presidente teve que enfrentar uma verdadeira enxurrada de processos judiciais que tentavam colocá-lo na cadeia, além de tentativas de assassinato.
A esquerda, mais uma vez, age como puxadinho do Partido Democrata americano, não tem uma política própria. Seu destino é ficar sendo guiada pelas circunstâncias pela democracia liberal que, dentre outros crimes, deu o gole em Dilma Roussef





