A ativista pró-Palestina Qesser Zuhrah, de 21 anos, foi presa novamente na manhã de segunda-feira (30) em Watford, perto de Londres, poucas semanas após ter sido libertada sob fiança. Imagens divulgadas nas redes sociais mostram a jovem sendo algemada por policiais mascarados dentro de sua casa e, em seguida, levada em um carro para a prisão.
Segundo Lisa Minerva Luxx, militante que acompanha a campanha em defesa de Zuhrah, a nova prisão teria sido motivada por uma publicação feita pela jovem no Instagram, na qual ela supostamente incentivava pessoas a realizarem “ação direta”. A Polícia de Hertfordshire confirmou à Al Jazeera que uma mulher de 21 anos foi detida e continuava sob custódia, sob suspeita de incentivo deliberado à prática de um delito e de “incentivo ao terrorismo”, sem citar o nome de Zuhrah.
Zuhrah está entre os réus do grupo conhecido como “Filton 24”, acusado de ter participado de uma ação contra uma fábrica da Elbit Systems UK em Filton, perto de Bristol, em 6 de agosto de 2024. A operação foi reivindicada pela Palestine Action, organização que afirma atuar contra os crimes de guerra de “Israel” e contra a cumplicidade britânica com esses crimes por meio de ações dirigidas a fabricantes de armamentos e empresas associadas. O principal alvo da organização é a Elbit Systems, maior fabricante de armas de “Israel”, que mantém várias instalações no Reino Unido.
Militantes que apoiam os integrantes do “Filton 24” afirmaram que os agentes que prenderam Zuhrah cobriram o rosto para evitar responsabilização, comparando a operação a ações conduzidas por agentes de imigração nos Estados Unidos. A nova prisão ocorreu pouco tempo depois de 23 dos acusados terem sido libertados sob fiança, após a retirada da acusação de roubo qualificado contra todos os integrantes do grupo.
Dias antes dessas libertações, a Alta Corte havia decidido que a proibição da Palestine Action como organização “terrorista” era ilegal. Apesar disso, a medida continua em vigor, porque a secretária do Interior pretende recorrer da decisão no fim de abril.
Zuhrah havia sido libertada em fevereiro, depois de passar 15 meses em prisão preventiva sem condenação. Durante esse período, ela participou de uma greve de fome em protesto contra a proibição da Palestine Action, adotada em meados de 2025, e também contra as condições carcerárias que descreveu, na semana passada, como desumanas.
Segundo a ativista, ela foi submetida repetidamente ao isolamento, agredida e provocada por guardas durante a greve de fome. Zuhrah ficou quase 50 dias sem se alimentar. Em um dos trechos mais graves de seu relato, afirmou que, no 45º ou 46º dia, foi deixada paralisada no chão da cela por 22 horas devido à perda de massa muscular. “Eles me deixaram para morrer no chão da cela, ou ao menos me fizeram acreditar que fariam isso”, declarou.
Um porta-voz do governo britânico negou as acusações de maus-tratos e afirmou que todos os presos foram acompanhados de acordo com os procedimentos oficiais de longa data. Segundo a versão oficial, houve exames regulares por profissionais de saúde, monitoramento cardíaco, exames de sangue e apoio para retomada da alimentação e da ingestão de líquidos, além de encaminhamento ao hospital quando a equipe médica considerou necessário.
Os réus ligados à Palestine Action anunciaram na semana passada que pretendem processar o sistema prisional. Já Naila Ahmed, da organização Cage, declarou que a nova prisão de Zuhrah representa a continuidade da repressão dirigida contra os ativistas pró-Palestina no Reino Unido. Segundo ela, o uso da legislação antiterrorista para policiar publicações em redes sociais ligadas ao ativismo mostra um alargamento dessas medidas.





