O governo iraniano desmentiu nesta segunda-feira (30), horário local, as declarações de Donald Trump sobre supostas conversas com os Estados Unidos. Em entrevista coletiva, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou que não houve qualquer negociação direta entre os dois países, embora mensagens tenham sido transmitidas por mediadores sobre o interesse norte-americano em abrir tratativas.
Segundo Baghaei, a posição iraniana sobre o tema permanece clara, ao contrário da dos Estados Unidos, que mudam de posição com frequência e fazem declarações contraditórias. Ele afirmou ainda que, pelas mensagens encaminhadas ao Irã, o outro lado apresentou exigências “muito excessivas, irreais e irracionais”, inclusive em propostas divulgadas sob fórmulas como um suposto plano de 15 pontos.
O porta-voz também negou que o Irã tenha participado da reunião realizada no sábado em Islamabad, no Paquistão, com presença dos chanceleres da Arábia Saudita, Turquia e Egito. Ao comentar a movimentação diplomática na região, afirmou que os países vizinhos demonstram preocupação com a paz e a segurança, mas destacou que qualquer discussão séria sobre a guerra precisa reconhecer quem a iniciou.
“É necessário ser realista e justo e parar de esperar que apenas um lado exerça contenção”, afirmou.
Baghaei declarou ainda que a autodefesa do Irã não pode ser tratada como uma ação hostil contra os países da região. Segundo ele, os países vizinhos devem cumprir suas obrigações no marco do direito internacional e não permitir que os Estados Unidos e “Israel” utilizem seus territórios e instalações para atacar um país vizinho.
As declarações foram dadas em meio à guerra iniciada em 28 de fevereiro, quando os Estados Unidos e “Israel” lançaram uma nova etapa da agressão militar contra o Irã. Os ataques levaram ao martírio do Líder da Revolução Islâmica, aiatolá Saied Ali Khamenei, além de comandantes militares. Desde então, o Irã vem respondendo com ondas de mísseis e VANTs contra os territórios palestinos ocupados e contra bases norte-americanas na região.
Na mesma coletiva, Baghaei criticou duramente o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi. Segundo ele, Grossi adotou uma postura “muito incorreta” diante da agressão dos Estados Unidos e de “Israel”, sobretudo nos ataques contra instalações nucleares iranianas. O porta-voz afirmou que, em vez de condenar os agressores, o chefe da AIEA vem fazendo declarações que agravam ainda mais a situação.
A crítica ocorre depois de novos ataques contra instalações nucleares civis do país. Na sexta-feira (27), a Organização de Energia Atômica do Irã informou que a usina nuclear de Bushehr foi atingida por um projétil, no terceiro ataque contra o local, embora sem danos humanos, financeiros ou técnicos. No mesmo dia, os Estados Unidos e “Israel” voltaram a atacar o complexo de água pesada de Khondab, em Arak, e uma unidade de produção de bolo amarelo em Ardakan, na província de Yazd.
Baghaei também rejeitou a tentativa de relacionar a guerra na Ucrânia aos acontecimentos atuais no Oriente Próximo. Segundo ele, essa associação é um erro grave. Ao comentar a oferta de Vladmir Zelensqui de prestar assistência militar a aliados dos Estados Unidos na região, afirmou esperar que os países da área não permitam que alguém que expôs seu próprio país a uma guerra devastadora tente agora intervir no conflito contra o Irã.





