Um navio-tanque russo chegou a Cuba com uma carga humanitária de 100 mil toneladas de petróleo bruto em meio ao bloqueio imposto pelos Estados Unidos, que vem provocando escassez severa de combustível e apagões recorrentes na ilha. A embarcação Anatoly Kolodkin atracou no porto de Matanzas e aguarda o descarregamento da carga.
Segundo o Ministério da Energia da Rússia, o carregamento tem como objetivo aliviar a situação criada nos últimos meses pela interrupção de remessas de combustível para Cuba. A crise se agravou depois que a Venezuela, historicamente uma das principais fornecedoras de petróleo para a ilha, suspendeu os envios sob pressão dos Estados Unidos.
De acordo com informações divulgadas ao New York Times por uma fonte ligada ao caso, embora embarcações da Guarda Costeira dos Estados Unidos estivessem presentes na região, o governo Donald Trump não ordenou qualquer ação para barrar o petroleiro russo. A mesma fonte afirmou que, até a tarde de domingo, a Guarda Costeira deixaria a embarcação seguir para Cuba caso não recebesse instruções em contrário.
Trump confirmou a decisão ao falar com jornalistas a bordo do Air Force One. Segundo ele, os Estados Unidos permitiram a entrada do navio por razões humanitárias. “Não nos importamos que alguém leve um carregamento de barco porque eles precisam sobreviver”, afirmou. “Prefiro deixá-lo entrar, seja Rússia ou qualquer outro, porque o povo precisa de aquecimento e refrigeração”.
Ao mesmo tempo, o presidente norte-americano manteve o tom de ameaça contra Cuba. Na mesma declaração, afirmou que ainda espera que o país “fracasse em breve” e disse que os Estados Unidos estariam ali para “ajudar”. Nos últimos meses, Trump vinha ameaçando impor tarifas contra países que exportassem combustível para a ilha.
O bloqueio ao abastecimento de petróleo já havia interrompido diversas entregas internacionais. Embarcações ligadas a Cuba passaram a enfrentar dificuldade para conseguir suprimentos e algumas chegaram a ser desviadas ou interceptadas. Dados de rastreamento naval indicam que ao menos um navio foi escoltado para longe das águas cubanas.
Diante do agravamento da situação e da possibilidade de uma crise humanitária, Havana aceitou neste mês iniciar conversações com os Estados Unidos. O presidente cubano Miguel Díaz-Canel confirmou que as negociações estão em andamento e declarou que o objetivo é encontrar, por meio do diálogo, uma saída para a situação.
Apesar disso, Trump não abandonou a ameaça de tomar a ilha “de um jeito ou de outro”. Na sexta-feira (27), declarou que Cuba poderia ser o “próximo” alvo, depois do que descreveu como operações militares bem-sucedidas dos Estados Unidos na Venezuela e no Irã.





