As Forças Armadas do Irã advertiram que uma invasão terrestre dos Estados Unidos contra o país teria consequências catastróficas para as tropas norte-americanas. Em declaração divulgada em meio às ameaças feitas por Donald Trump de lançar operações por terra e ocupar ilhas no Golfo Pérsico, o porta-voz do Quartel-General Central Khatam al-Anbia, tenente-coronel Ebrahim Zolfaqari, afirmou que os soldados dos EUA se converteriam em “boa comida para os tubarões do Golfo Pérsico”.
Segundo Zolfaqari, as forças iranianas estão prontas para responder de forma decisiva caso as ameaças da Casa Branca se convertam em ação militar direta. Ele declarou que os militares iranianos fazem a “contagem regressiva” para a aniquilação das forças norte-americanas caso Washington tente um ataque terrestre ou uma operação de ocupação. Na mesma declaração, afirmou que os planos de Trump de ocupar parte do Golfo Pérsico não passam de um delírio.
O porta-voz acrescentou que o Irã espera há muito tempo por esse tipo de movimento para demonstrar que agressão e ocupação não trarão outro resultado além de “captura vergonhosa, desmembramento e desaparecimento dos agressores”. A advertência foi divulgada enquanto circulam informes de que o Pentágono se prepara para semanas de operações terrestres no Irã caso a atual campanha de bombardeios fracasse em atingir seus objetivos.
Diante dessa ameaça, o Irã reforçou suas posições defensivas em todo o país, em especial na fronteira sudoeste com o Iraque, onde estão instaladas bases norte-americanas, e também no sudeste, próximo ao Estreito de Ormuz. Zolfaqari atacou ainda o próprio Trump, a quem chamou de “o maior mentiroso entre os presidentes do mundo” e um dirigente “completamente inconfiável”. Segundo ele, o presidente norte-americano arrastou suas tropas para um “pântano de morte”.
O militar iraniano afirmou também que, com medo de sofrer novas baixas, soldados dos EUA abandonaram bases já destruídas e buscaram abrigo em centros civis e econômicos da região, onde permanecem vulneráveis. Ele responsabilizou ainda a direção política de Washington por ter colocado o comando militar nas mãos de uma figura “desequilibrada”, cujas ações já causaram danos não apenas aos próprios norte-americanos, mas também à Europa e aos países do Oriente Próximo.
CGRI amplia ofensiva contra radares, logística e bases norte-americanas
Em nova atualização militar, o comandante da Força Aeroespacial do Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (CGRI), brigadeiro-general Seied Majid Mousavi, afirmou que as operações iranianas continuarão voltadas para a paralisação das redes de radar e dos sistemas logísticos dos Estados Unidos, ao mesmo tempo em que seguem impondo baixas às suas tropas.
Mousavi declarou que “a paralisação das redes de radar e dos serviços logísticos continuará”, acrescentando que as forças norte-americanas já não têm outra saída além de se afastar das fronteiras iranianas diante da superioridade de inteligência do Irã e da continuidade dos ataques de precisão. Em mensagem publicada no X, afirmou que os golpes devastadores desferidos contra ativos militares dos EUA deixarão Washington sem alternativa a não ser recuar.
O comandante apontou como prova disso os destroços de aeronaves AWACS, de aviões-tanque de reabastecimento e de hangares demolidos. Segundo ele, novos alvos de alto valor serão acrescentados em breve à lista de perdas norte-americanas.
Entre os episódios já anunciados pelo próprio CGRI está a destruição de ao menos uma aeronave de vigilância E-3 AWACS na base aérea de Al-Kharj, na Arábia Saudita. O Irã descreveu a aeronave como completamente eliminada. Trata-se de um aparelho equipado com sistemas aéreos de vigilância avançados, comando e controle. Em outro comunicado, o Exército iraniano informou, em seu 47º informe, que atingiu com VANTs um depósito de equipamento militar e um acampamento dos EUA na base aérea de Azraq, na Jordânia, descrita como um dos mais importantes centros de comando operacional da agressão contra o Irã.
Teerã vinha advertindo repetidamente que o uso do espaço aéreo ou do território dos países da região para lançar ataques norte-americanos exporia todas as bases dos EUA na Ásia Ocidental a ataques de represália. O governo iraniano enfatizou que sua resposta inclui todos os pontos militares norte-americanos na região, além de operações profundas nos territórios palestinos ocupados.
Segundo as informações divulgadas até agora, as Forças Armadas iranianas já lançaram 86 ondas de ataques de retaliação contra alvos dos EUA e de “Israel”, causando baixas e danos avaliados em bilhões de dólares. Num dos episódios mais relevantes, uma aeronave de comando e controle E-3 Sentry AWACS da Força Aérea dos EUA foi atingida e danificada durante o ataque de mísseis e VANTs de 27 de março contra a Base Aérea Príncipe Sultão, na Arábia Saudita. De acordo com a Air & Space Forces Magazine, a mesma operação deixou mais de 10 militares feridos e danificou vários aviões-tanque de reabastecimento.
Analistas militares descreveram a perda desses “radares voadores” como um golpe de grande importância, que reduziu de maneira significativa a capacidade dos Estados Unidos de administrar o espaço de batalha no Golfo Pérsico. Para além dos AWACS e dos aviões de reabastecimento, os ataques iranianos já danificaram ou destruíram sistemas de radar, um sistema antimíssil THAAD e VANTs Reaper em ações contra bases norte-americanas na Arábia Saudita, nos Emirados Árabes Unidos, no Barém, na Jordânia e no Cuaite.
Ao mesmo tempo, informes apontam que os Estados Unidos e seus aliados regionais estão consumindo rapidamente seus estoques de mísseis Tomahawk e interceptadores. Desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, o Pentágono já confirmou ao menos 13 soldados mortos e cerca de 200 feridos.
Onda 86 homenageia jornalistas assassinados por ‘Israel’
A 86ª onda da Operação Promessa Verdadeira 4 foi dedicada pelo CGRI aos jornalistas libaneses Ali Sheaib, Fatima Ftouni e Mohammad Ftouni, assassinados por “Israel”. Em comunicado, o CGRI informou que a operação foi executada em várias fases, com ataques coordenados de mísseis e VANTs levados adiante por suas forças Aeroespacial e Naval. A ofensiva começou na madrugada de domingo e foi dedicada também aos mártires armênios e cristãos da Sagrada Defesa de oito anos e da Guerra do Ramadã.
Na primeira fase, os ataques de mísseis e VANTs atingiram infraestrutura ligada às operações aéreas e não tripuladas dos EUA e de “Israel”, além de depósitos de armas nas bases militares Vitória, no Iraque, Arifjan, no Cuaite, e Al-Kharj, na Arábia Saudita. Em seguida, novos ataques atingiram posições das forças norte-americanas, das forças de ocupação sionistas e do Partido Komala em diversos pontos, entre eles Arad, Naqab, Telavive, Erbil, a Quinta Frota dos EUA no Barém e Al Dhafra, nos Emirados Árabes Unidos.
Segundo o CGRI, as imagens que circulam mostram colunas de fumaça, explosões e escombros de aeronaves norte-americanas multimilionárias, contrariando a tentativa dos governos aliados dos EUA e dos órgãos de imprensa imperialistas de minimizar a dimensão da operação.
A homenagem do CGRI veio depois do assassinato, no sábado (28), da correspondente da Al Mayadeen no sul do Líbano, Fatima Ftouni. Ela foi assassinada num ataque aéreo direto de “Israel” contra um carro claramente identificado como veículo de imprensa, no qual viajavam também o correspondente da Al-Manar, Ali Sheaib, e Mohammad Ftouni, irmão de Fatima. De acordo com Jamal Ghourabi, correspondente da Al Mayadeen, o carro foi atingido por quatro mísseis de precisão. Quando as ambulâncias chegaram ao local, os paramédicos também foram atacados, o que levou ao martírio de um socorrista.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, condenou o assassinato dos jornalistas e declarou que o crime não representou apenas uma perda profunda para a comunidade jornalística, mas também “um sério alarme para a consciência do mundo”. Em sua nota de condolências, Araghchi afirmou que o assassinato “constitui claramente uma morte deliberada com uma intenção que vai além de eliminar indivíduos; é uma tentativa evidente de assassinar a verdade e silenciar as vozes daqueles que relatam a realidade”.
Resistência iraquiana amplia advertências aos EUA e aliados
A escalada também produziu novos posicionamentos de grupos da resistência iraquiana. O comando de operações do Caetebe Hesbolá declarou que a suspensão dos ataques contra pontos de espionagem e sabotagem próximos à embaixada dos EUA em Bagdá está condicionada ao fato de as forças norte-americanas e seus aliados se absterem de atacar áreas civis. Em comunicado, o grupo afirmou que a interrupção das operações se deu “somente sob a condição de que áreas residenciais em Bagdá e em outras províncias não sejam atingidas”, advertindo que retomará os bombardeios caso essa condição seja violada.
O Caetebe Hesbolá afirmou estar pronto para “retomar o bombardeio desses locais com força, reduzindo-os a escombros” se o inimigo não respeitar a condição estabelecida. O grupo deixou claro que suas operações se dirigem exclusivamente contra o “inimigo sionista-norte-americano e seus aliados” e que têm por objetivo defender os interesses da população.
No mesmo texto, a organização condenou o ataque contra concentrações civis e residências, citando o bombardeio de uma casa pertencente a Najeerfan Idris Barzani. Segundo o grupo, suas posições contrárias a Massoud Barzani e a seu filho Masrour podem explicar por que ele foi atingido. O Caetebe Hesbolá denunciou ainda uma série de ações recentes, incluindo um ataque ao porto de Salalá, em Omã, realizado por VANTs lançados a partir dos Emirados Árabes Unidos, acusando os agressores de tentarem envolver mais forças na guerra injusta contra o Irã. O comunicado acrescentou que um inimigo desse tipo, que vive de assassinar inocentes e semear a discórdia, só pode ser detido pelo fogo. Ao final, o grupo lembrou sua luta contra a ocupação norte-americana do Iraque desde 2003 e afirmou que atacará qualquer colaborador dos EUA e de “Israel”, incluindo a Ucrânia.
Também o movimento Al-Nujaba lamentou a morte de vários combatentes das Forças de Mobilização Popular (FMP) em ataques contra suas bases nas províncias de Nínive e Kirkuk. Em nota, declarou que “esses sangues não são meros números, mas combustível para um vulcão de ira que não poupará nada”. O grupo condenou os EUA por atacarem suas posições e declarou que sua resposta não se resumirá a notas de condenação, mas será “um inferno despejado sobre as cabeças dos agressores”. O movimento reafirmou seu compromisso com os mártires e prometeu continuar a resistência até que todos os responsáveis sejam punidos.
As forças norte-americanas já haviam atacado bases das FMP em Nínive e Kirkuk como parte da agressão em curso, paralela à agressão dos EUA e de “Israel” contra o Irã. Em resposta, a resistência islâmica do Iraque continua atingindo bases e instalações norte-americanas no Iraque e em toda a Ásia Ocidental, inclusive a embaixada dos EUA em Bagdá, consulados associados e a base Vitória.
Irã prende agentes de ‘Israel’ e reforça segurança interna
Enquanto amplia os ataques com mísseis e VANTs contra “Israel” e as bases norte-americanas, o Irã também intensificou as operações de segurança interna. No domingo, as autoridades iranianas anunciaram a prisão de 35 agentes na província de Lorestão, no oeste do país, por fornecer a entidades hostis informações sensíveis e imagens de locais estratégicos.
Unidades de inteligência do CGRI informaram ainda a detenção de seis agentes ligados a “Israel” na província do Azerbaijão Oriental. No sábado, segundo a agência Tasnim, quatro dirigentes do grupo xahanxaísta, ligados a órgãos de propaganda hostis, foram presos em Borujen, no oeste-centro do país.
Na sexta-feira, a inteligência do CGRI já havia anunciado o desmantelamento de uma célula que atuava em nome do Mossad na província de Kermanshah, no oeste do Irã. Paralelamente, outras operações resultaram na prisão de 46 integrantes de redes ligadas aos EUA, a “Israel” e a grupos armados em Golestrão, Azerbaijão Ocidental, Kerman, Isfahan e Ilam.
Em Golestrão, uma célula de duas pessoas foi detida antes de lançar um ataque armado contra forças de segurança; na revista ao esconderijo, foram encontradas quatro pistolas e 43 munições. No Azerbaijão Ocidental, oito agentes hostis foram presos; quatro deles estavam ligados a um grupo separatista em Mahabad e haviam recebido equipamentos especializados de comunicação para realizar uma ação armada posteriormente. A maior operação de sexta-feira ocorreu em Kerman, Isfahan e Ilam, onde 36 pessoas foram presas por enviar informações a veículos ligados a “Israel” e a nós de inteligência na Internet. Desses detidos, 21 estavam em Kerman, 10 em Isfahan e cinco em Ilam.
Essas operações ocorreram em meio aos repetidos ataques de “Israel” contra integrantes da polícia iraniana e do Basij, sobretudo nas regiões de fronteira. Segundo os informes divulgados pelas autoridades iranianas, esses ataques buscam abrir espaço para a entrada de grupos armados e separatistas no país e fomentar agitação interna, como parte do esforço conjunto dos EUA e de “Israel” para desestabilizar a República Islâmica por dentro.





