O Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (CGRI) anunciou neste sábado (28) que todas as universidades da entidade sionista e as universidades norte-americanas situadas na Ásia Ocidental passam a ser consideradas alvos legítimos, após os bombardeios dos Estados Unidos e de “Israel” contra universidades e centros de pesquisa iranianos.
Segundo o comunicado, a decisão foi tomada após o ataque à Universidade de Ciência e Tecnologia do Irã, em Teerã, e segue o princípio de destruir duas instituições para cada universidade iraniana atingida. A corporação afirmou que o bombardeio contra universidades e centros científicos do país não ficará sem resposta.
No texto, a Guarda da Revolução declarou que os “governantes desorientados da Casa Branca” devem saber que, a partir de agora, as universidades da entidade ocupante israelense e as universidades norte-americanas na região entram na lista de alvos militares do Irã. O comunicado também advertiu funcionários, professores, estudantes e moradores das proximidades a manterem distância mínima de um quilômetro das universidades norte-americanas instaladas na região.
A corporação acrescentou que, se o governo dos EUA quiser limitar os alvos, nesta fase, apenas às duas instituições correspondentes aos ataques já realizados, deverá divulgar até as 12 horas de segunda-feira (30), no horário de Teerã, uma nota oficial condenando o bombardeio contra as universidades iranianas. Ainda segundo a Guarda, caso Washington não impeça novos ataques de suas forças ou de seus aliados, essas instituições ficarão expostas a novas ações militares.
Universidades e escolas estão entre os alvos da guerra
Também neste sábado, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, condenou os ataques deliberados dos EUA e de “Israel” contra as instituições de ensino que são bases científicas e culturais do país. Em mensagem publicada no X, Baghaei afirmou que a Universidade de Tecnologia de Isfahan e a Universidade de Ciência e Tecnologia do Irã estão entre “muitas universidades e centros de pesquisa deliberadamente atacados pelos agressores ao longo dos últimos 30 dias de sua guerra ilegal contra a nação iraniana”.
Mais cedo, um bombardeio atingiu um prédio no campus da Universidade de Tecnologia de Isfahan e provocou danos materiais. Nos últimos dias, um centro de pesquisa por satélite ligado à Universidade de Ciência e Tecnologia do Irã, em Teerã, também foi atingido, e a explosão danificou estruturas ao redor.
O episódio mais grave contra o setor educacional ocorreu em 28 de fevereiro, quando mísseis atingiram a escola feminina Shajareh Tayyebeh, em Minab, durante o horário de aula. O ataque matou mais de 160 pessoas; outros balanços elevaram o número para mais de 170. A maior parte das vítimas era de estudantes. Agências da ONU condenaram o ataque e alertaram que bombardeios contra instalações educacionais constituem graves violações do direito humanitário internacional.
Além de Minab, há registros de escolas atingidas ou danificadas em várias cidades iranianas desde o início da guerra, entre elas Teerã e Parand, indicando uma ofensiva mais ampla contra o setor educacional do país.
Exército iraniano atinge radares em Haifa e depósitos de combustível em Ben Gurion
No mesmo dia, o Exército iraniano anunciou uma nova série de ataques com VANTs contra infraestrutura militar israelense, atingindo instalações de guerra eletrônica e radares em Haifa, no norte do território palestino ocupado.
Em seu 46º comunicado oficial, o Exército informou que a operação começou ao amanhecer e atingiu o centro estratégico de guerra eletrônica e radares da ELTA, subsidiária da Indústria Aeroespacial de “Israel” (IAI). A empresa produz os radares Green Pine do sistema antimíssil Arrow, o radar multifunção do Domo de Ferro e outros sistemas eletrônicos estratégicos.
Segundo o comunicado, o centro atingido é especializado no desenvolvimento de radares de varredura eletrônica, plataformas de alerta antecipado, tecnologias de vigilância aérea e sistemas de monitoramento por satélite. O Exército afirmou que os danos impostos ao local reduzem diretamente a capacidade de “Israel” de detectar e interceptar mísseis e VANTs, ao mesmo tempo em que enfraquecem sua capacidade de apoio à guerra eletrônica. Ainda segundo as forças iranianas, isso amplia a eficácia das operações de longo alcance contra alvos profundos no território ocupado.
O Exército acrescentou que também foram atingidos depósitos de combustível do aeroporto Ben Gurion, a sudeste de Telavive. Essas instalações, já bombardeadas várias vezes nos últimos dias, são consideradas essenciais para sustentar as operações aéreas norte-americanas e israelenses contra o Irã. O comunicado afirmou que os ataques repetidos provocaram graves interrupções nas cadeias de suprimento de combustível das aeronaves inimigas.
As forças armadas iranianas afirmaram ainda que manterão a ampliação das operações, em coordenação com os diferentes ramos militares do país, para vingar seus dirigentes assassinados e defender a soberania nacional.
Irã anuncia mais de 500 baixas norte-americanas em Dubái
Também neste sábado, as Forças Armadas iranianas anunciaram que infligiram pesadas perdas ao efetivo norte-americano ao atacar dois locais secretos usados para abrigar tropas dos EUA em Dubai. O porta-voz do Quartel-General Central Khatam al-Anbiya, tenente-coronel Ebrahim Zolfaghari, afirmou que mais de 500 soldados e oficiais norte-americanos foram atingidos, cerca de 400 no primeiro local e mais de 100 no segundo.
Segundo Zolfaghari, ambulâncias transportaram mortos e feridos durante horas após as operações. Em seguida, Teerã dirigiu um aviso ao presidente Donald Trump e aos comandantes militares dos EUA, declarando que a região se tornou “um cemitério para seus soldados” e que os Estados Unidos não têm outra opção a não ser ceder à vontade do Irã ou enfrentar consequências inevitáveis.
Em outra declaração, Zolfaghari afirmou que os dois locais secretos foram identificados e atingidos com uma combinação de mísseis e VANTs em operações precisas. Acrescentou que um ataque da Guarda da Revolução contra o local de posicionamento de tropas norte-americanas na base de al-Kharj, na Arábia Saudita, destruiu uma aeronave de reabastecimento e danificou gravemente outras três, deixando as quatro completamente inoperantes.
Ao mesmo tempo dos ataques em Dubai, segundo o oficial iraniano, um depósito que armazenava sistemas ucranianos de combate a VANTs, instalados em Dubai para apoiar os militares norte-americanos, também foi destruído em uma ação combinada da força aeroespacial e da força naval da Guarda da Revolução. Havia 21 ucranianos no local no momento do ataque. Zolfaghari afirmou não haver informação confirmada sobre o destino desse pessoal, acrescentando que provavelmente foi morto.
Ondas 84 e 85 ampliam ofensiva contra instalações norte-americanas e israelenses
Horas antes, o departamento de relações públicas da Guarda da Revolução informou que, no âmbito da 84ª onda da Operação Promessa Verdadeira 4, sua força naval conduziu um “ataque conjunto contra terroristas sionistas e norte-americanos” contra o porto de Shweikh, no Cuaite, a costa de Dubái e instalações portuárias da cidade.
Separadamente, Zolfaghari afirmou que as forças iranianas também atingiram uma embarcação de apoio militar dos EUA a certa distância do porto de Salalah, na costa de Omã. Ao tratar desse ataque, o oficial insistiu no “compromisso total” de Teerã com o respeito à soberania nacional do Sultanato de Omã.
Ainda segundo a Guarda da Revolução, a fase anterior da 84ª onda, anunciada em 27 de março, incluiu um ataque com mísseis balísticos e mísseis de cruzeiro Ghadr-380 contra seis embarcações de desembarque do tipo LCU posicionadas no porto de Shweikh. Relatos citados pela corporação afirmaram que três dessas embarcações foram atingidas diretamente e afundaram, enquanto as demais pegaram fogo.
A mesma nota informou ataques com VANTs contra pontos de concentração de fuzileiros navais norte-americanos ao longo da costa e contra um hotel em Dubái, descritos como precisos e causadores de baixas significativas. Em uma segunda fase da mesma onda, um porta-voz do Quartel-General Khatam al-Anbiya afirmou que a força naval da Guarda atuou sob supervisão integral do comando em resposta às provocações das forças inimigas.
O comunicado acrescentou que um ataque-surpresa separado contra a ilha de Bubiyan, com VANTs de uso único e mísseis balísticos, provocou múltiplas baixas norte-americanas. Os feridos foram transferidos para os hospitais Saleh Al-Sabah, Mohammad Al-Ahmad e Ali Al-Salem. A Guarda reiterou que as operações contra as forças dos EUA continuarão até sua retirada completa das terras muçulmanas.
Na 85ª onda da Operação Promessa Cumprida 4, também anunciada neste sábado, a Guarda declarou ter realizado uma nova série de ataques com mísseis e VANTs contra várias indústrias pesadas pertencentes ao “inimigo agressor norte-americano-sionista”. A operação foi conduzida conjuntamente pela força naval e pela força aeroespacial da corporação, com emprego de mísseis de médio e longo alcance a combustível sólido e líquido, além de VANTs de ataque de uso único, sob o codinome “Ó Mensageiro de Alá”.
Segundo a nota, várias instalações industriais pesadas ligadas aos EUA e a “Israel” foram atingidas nos territórios ocupados e em outros locais, e parte desses alvos foi destruída. A corporação apresentou a ação como resposta aos bombardeios contra indústrias civis iranianas e dedicou a nova onda aos mártires da indústria do país, a seus trabalhadores e a seus produtores.
A Guarda afirmou ainda que, durante a operação, as forças aéreas inimigas tentaram atingir suas plataformas de lançamento, mas as unidades de defesa antiaérea responderam. Segundo o comunicado, um VANT norte-americano MQ-9 foi derrubado sobre Shiraz, e um caça F-16 dos EUA foi atingido na província de Pars, sendo destruído antes de conseguir pousar na Arábia Saudita.
De acordo com a Guarda, o próprio Comando Central dos EUA reconheceu que a aeronave sofreu danos severos. A corporação acrescentou que os ataques desta fase foram “apenas um aviso” e declarou que qualquer novo bombardeio contra alvos industriais iranianos receberá uma resposta “além das expectativas”.
As declarações vieram poucas horas depois de o Comando Central dos EUA afirmar que um caça F-16 havia feito um pouso de emergência em uma de suas bases na região “após uma missão de combate”, sem informar as circunstâncias. Em anúncios anteriores, o Irã já havia informado que interceptou e enfrentou aviões de guerra que violaram seu espaço aéreo, além de relatar danos e a derrubada de várias aeronaves.





