Os dados da pesquisa AtlasIntel de março de 2026 indicam uma perda de popularidade do governo federal frente às novas gerações: 72% dos jovens entre 16 e 24 anos desaprovam o presidente Lula. Enquanto a desaprovação geral marca 53,5%, o índice recorde na base da pirâmide etária confirma que a rejeição é puxada diretamente pela juventude.
Esse cenário é explicado pela política do próprio governo. Após 20 anos de protagonismo político e cinco mandatos presidenciais, o Partido dos Trabalhadores (PT) passou a ocupar a posição de administrador da política neoliberal. O jovem que se sente sem perspectivas econômicas e abandonado pela política tradicional mira sua revolta contra quem representa a ordem estabelecida.
Um dos pontos centrais desse desgaste é a chamada “Lei Felca”, medida que atingiu diretamente a juventude. O impacto dessa política é devastador, pois coloca o governo na posição de defensor de uma censura brutal. Ao se comportar como um “governo do sistema”, o PT subestima o nível de insatisfação acumulado. A ausência de mudanças estruturais profundas e duradouras nas últimas duas décadas reforça a percepção de que o governo abdicou da transformação para se tornar um administrador da máquina pública.
Ao jogar estritamente conforme as regras do jogo institucional, o governo não questiona gargalos econômicos reais, como as privatizações, limitando-se a uma gestão conformista. Isso retira a credibilidade do discurso oficial diante de problemas cotidianos, como a alta dos combustíveis. Sem uma campanha clara contra as causas estruturais desses problemas, as explicações governamentais perdem impacto e dão margem para que a direita utilize propagandas mais eficazes, ainda que maliciosas.





