A Torcida Independente do São Paulo, por meio do Bonde do Che, lançou novos adesivos oficiais em apoio às resistências palestina e libanesa, incluindo o símbolo do Hesbolá. A organizada também publicou nas redes sociais, em parceria com a página Arresala Notícias, um material de caráter histórico e didático sobre a origem do grupo político-militar libanês, contextualizando seu surgimento no início da década de 1980, durante a Guerra Civil Libanesa e a invasão de “Israel” ao Líbano, em 1982, e sua relação com a comunidade xiita e com a Revolução Islâmica Iraniana.
As imagens divulgadas mostram integrantes do Bonde do Che após um clássico de futebol exibindo o novo adesivo da entidade. A torcida afirmou que a publicação foi realizada no exercício da liberdade de expressão, conforme os artigos 5º, incisos IV e IX, da Constituição Federal, e que o conteúdo não constitui apologia ou incentivo de práticas ilícitas, nem tem qualquer vínculo ou incitação à violência.
Em declaração exclusiva ao Diário Causa Operária, Régis Ulisses Lopes, presidente da Torcida Independente, explicou que a política da entidade não é novidade. “A Torcida Independente sempre adotou símbolos e uma postura anti-imperialista. Surgimos num contexto de Ditadura Militar, em 1972, enfrentamos muita repressão das autoridades e, desde os anos 80/90, com a reabertura política, passamos a utilizar símbolos de resistência, como o Che, Fidel, Ho Chi Minh, Mao Tsé-Tung e de entidades como o Hesbolá”, afirmou. Segundo Régis, a torcida possui bandeiras e artigos com o símbolo do Hesbolá que datam do início dos anos 2000.
Viagem à Palestina ocupada
Régis esteve na Palestina ocupada no ano passado, experiência que aproximou a Independente da comunidade árabe de São Paulo, em particular de libaneses radicados no Brasil. O presidente da torcida relatou que os testemunhos sobre o que ocorre no Líbano são brutais e que praticamente nada é noticiado pela grande imprensa brasileira. “O que é feito no Sul do Líbano é semelhante ao que é feito em Gaza”, declarou.
Régis contou ainda que a torcida conheceu um libanês residente no Brasil que, um dia antes, havia perdido a família inteira em um bombardeio de “Israel” contra um prédio residencial, em um bairro residencial no Líbano. “Frente a essa barbárie, decidimos resgatar o uso do símbolo do Hesbolá, junto a outros que já utilizamos da resistência palestina, como forma de nos posicionar, de deixar bem clara a nossa visão e o nosso apoio à causa dos que lutam contra a opressão sionista”, concluiu.



