O governo de Donald Trump, visivelmente acuado pela ineficiência militar no Estreito de Ormuz e pela ameaça iminente de um colapso econômico provocado pela disparada dos preços dos combustíveis, tenta agora costurar uma saída diplomática de fachada para evitar uma humilhação histórica. Enquanto o presidente dos Estados Unidos acena com um suposto plano de 15 pontos, sumariamente rejeitado pela República Islâmica do Irã, a realidade no terreno revela um imperialismo desmoralizado, cujas defesas em “Israel” se assemelham a um queijo suíço diante da precisão dos mísseis iranianos, forçando o imperialismo a buscar o que parece ser, cada vez mais, uma “derrota honrosa” para salvar o que resta de sua dominação no Oriente Médio.
A suposta pausa nos bombardeios anunciada por Trump não passa de uma manobra vigarista para ganhar tempo, uma vez que a logística militar norte-americana atingiu um estado crítico e os estoques de mísseis de defesa estão se esgotando rapidamente. O envio de dez mil soldados para a região do Golfo é um movimento puramente simbólico e militarmente inútil contra uma potência como o Irã, que possui uma força mobilizável de mais de um milhão de homens e um arsenal de mísseis de cruzeiro que sequer foi totalmente utilizado. O imperialismo descobriu, da pior maneira possível, que o Irã detém a iniciativa estratégica da guerra, deixando o governo Trump sem respostas militares eficazes e recorrendo a bravatas que já não assustam ninguém.
No plano econômico, o tiro desferido pelos Estados Unidos saiu pela culatra e agora ameaça a estabilidade interna dos próprio país. A pressão sobre o mercado de petróleo fez com que as taxas de hipoteca em solo americano atingissem o nível mais alto dos últimos seis meses, enquanto países como Bangladexe, Austrália e Índia já sentem os reflexos no preço dos combustíveis. A estratégia iraniana de segurar o imperialismo pelo pescoço através do controle do fluxo energético demonstrou ser mais eficaz do que décadas de diplomacia, forçando Trump a recuar para não enfrentar uma recessão catastrófica em pleno ano de eleições legislativas. A desinformação generalizada da imprensa burguesa tenta pintar um quadro de um Irã arrasado, mas não consegue explicar por que um país supostamente destruído é capaz de impor um impasse tão severo à maior potência imperialista do planeta.
Se os Estados Unidos se mostram impotentes para dobrar o Irã, toda a sua estrutura de dominação mundial — do Japão diante da China à Europa diante da Rússia — entra em colapso. A desaprovação interna à guerra nos Estados Unidos já ultrapassa os 60%, evocando o fantasma do Vietnã.
A situação no Oriente Médio é um componente de um tabuleiro maior onde o Eixo de Resistência se mostra cada vez mais organizado. O Hesbolá, subestimado pela propaganda sionista, reorganizou suas células e mantém sua capacidade ofensiva, enquanto o Iraque acelera o processo de expulsão definitiva das tropas estrangeiras de seu território. O imperialismo está encurralado entre a necessidade de manter a aparência de força e a incapacidade física de vencer uma guerra terrestre contra o Irã, que seria. No final das contas, a procura por uma saída honrosa é a confissão de que a era da ditadura absoluta dos Estados Unidos sobre os povos está chegando ao seu ocaso definitivo.





