A Seleção Brasileira de Carlo Ancelotti chegou à sua terceira derrota em partida disputada contra a França nos Estados Unidos. A França, com ótimo time, ganhou por 2 x 1, com gols marcados por Mbappé e Ékitiké. O Brasil não fez mau jogo, mas chama a atenção como algumas decisões erradas do treinador estrangeiro prejudicam o seu desempenho.
A primeira, antes de mais nada, é a postergação da volta de Neymar. Esse problema é o menos grave de todos, por enquanto. Pois, se foi uma decisão para poupar fisicamente o atleta, pode até ter sido certa. O problema será se, na hora da escalação final, Neymar não estiver na lista dos que vão nos representar na América do Norte.
Nenhuma Seleção do mundo poderia se dar ao luxo de não levar o melhor jogador que seu país já produziu em décadas! Mesmo fora de forma, Neymar é o tipo de jogador que eleva a qualidade do grupo apenas com a presença. Ademais, do ponto de vista técnico, não precisa provar nada para ninguém. Motivo pelo qual não me estenderei nesse assunto. Apenas espero que Ancelotti não cometa o erro de não convocá-lo.
Dito isso, vamos para mais um problema envolvendo convocação. Dá para entender que Ancelotti quis testar novos jogadores em suas últimas partidas antes da Copa. Até aí, tudo bem. Mas cometerá mais um gravíssimo erro se deixar de fora Igor Jesus — campeão brasileiro e da Libertadores em 2024, atual artilheiro da Europa League mesmo no fraquíssimo Forest; enfim, um jogador que vale por três atacantes.
Igor, em suas partidas pela Seleção na era Dorival, não deixou nada a desejar em relação aos outros camisas 9 que foram convocados. Da mesma forma, Endrick, que, mesmo convocado desta vez, sequer foi escalado na partida contra a França.
Agora, vamos ao ponto principal. Luiz Henrique comprovou, mais uma vez, que é indispensável para a Seleção Brasileira. O jovem ponta, com alguns segundos de jogo na partida contra os franceses, fez o espírito da Seleção mudar completamente. Acertou todos os dribles que tentou, com a exceção de um, justamente quando Ancelotti decidiu colocá-lo fora de posição, na esquerda. Nesse esquema, inclusive, o ponta, que tem um vigor físico impressionante, não pôde estar presente na cobertura pela direita, auxiliando Wesley, no segundo gol francês.
Vendo o erro que cometeu, Ancelotti o devolveu ao seu local de origem, onde nenhum jogador — vejam bem, NENHUM! — é melhor do que ele. A ponta direita pertence a ele e ponto final. Mas não apenas isso: as estrelas e o treinador da Seleção precisam entender que as jogadas ofensivas precisam passar por ele, como ocorreu em todas as jogadas do escrete nacional que levaram perigo para os franceses.
Ao contrário, o que aconteceu foi uma insistência pelo lado esquerdo, de Vinícius Júnior. Não sei se por decisão do técnico ou pela pressão da “estrela” no psicológico dos outros jogadores. Ele ainda foi agraciado com a faixa de capitão com a saída de Casimiro. Vini, ao contrário de Luiz Henrique, errou todos os dribles que tentou, com exceção de um. Mas também errou passes, tomadas de decisão etc. Com facilidade, pode-se afirmar que foi a pior partida do jogador do Real Madrid representando o escrete nacional.
Para ser justo, no entanto, são as boas atuações do atacante na Seleção exceções à regra. Vini, claramente mal-acostumado com a facilidade que é jogar no Real Madrid, sente a pressão de representar o País do Futebol.
Por isso, em grande medida, a derrota da Seleção — e aí só pode recair sobre o técnico que manteve, ou pelo menos não corrigiu — foi insistir na jogada pela esquerda quando, obviamente, não saía nada de lá. Por outro lado, Luiz Henrique, que em 10 minutos atordoou todo o sistema defensivo francês, mal tocou na bola após o segundo gol; foi simplesmente ignorado por seus companheiros. E, nas poucas vezes que tocou, deu o passe para o único gol do Brasil.
A lição que tiramos da partida contra a França é simples: tem que parar com o estrelismo e tentar resolver com quem sempre mostrou serviço na Seleção: Neymar, Luiz Henrique, Estevão, Casimiro e até mesmo Raphinha, que às vezes oscila. Também se encaixam nesse argumento jogadores que, com poucas oportunidades, mostram que podem ser ótimas peças para a Seleção — Douglas Santos, Igor Jesus, Endrick, Matheus Cunha, Martinelli.
Vini precisa entender que a sua vaga na titularidade não é cativa, mesmo que sua convocação — ele que, sem dúvidas, é um dos melhores jogadores brasileiros em atividade — seja importante. Para ser titular da Seleção, precisa mostrar um serviço que, até hoje, após quatro anos desde sua primeira convocação, não foi mais que centelhas no escuro.



