Supremo Tribunal Federal

60% da população brasileira não confia no STF

O caso Banco Master alcançou quase toda a população: mais de 97% dos brasileiros já teriam tomado conhecimento do episódio

Uma pesquisa AtlasIntel/Estadão divulgada na sexta-feira (20) mostra que a desconfiança da população em relação ao Supremo Tribunal Federal (STF) chegou a 60%, o maior patamar da série histórica iniciada em janeiro de 2023. Segundo o levantamento, 34% disseram confiar na Corte e 6% afirmaram não ter opinião definida. A pesquisa foi realizada entre 16 e 19 de março, com 2.090 entrevistados, margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%.

O levantamento foi divulgado em meio à repercussão do caso Banco Master, que passou a atingir diretamente a imagem do tribunal. Segundo a reportagem do Estadão, a condução do inquérito e as suspeitas de relações entre integrantes da Corte e o banqueiro Daniel Vorcaro produziram um efeito negativo sobre a percepção pública do STF. A pesquisa indica que, além da perda de confiança, cresceu a avaliação de que os magistrados não julgam com imparcialidade e de que há influência externa sobre o tribunal.

Os dados mostram uma piora acentuada em comparação com os números anteriores da própria série. Em janeiro de 2023, quando o levantamento começou, 45% afirmavam confiar no STF e 44% diziam não confiar. Já em agosto de 2025, o índice de desconfiança havia chegado a 51,3%, enquanto 48,5% declaravam confiança. Agora, a taxa negativa subiu para 60%, 8,7 pontos acima daquele resultado, enquanto a confiança caiu para 34%, uma redução de 14,5 pontos.

Segundo a pesquisa, 66,1% dos entrevistados consideram que há envolvimento direto de ministros do STF no caso Master. Outros 18,9% disseram não ter opinião sobre o tema, enquanto 14,9% afirmaram não acreditar que haja ministros ligados aos fatos investigados. O dado aparece após a divulgação, pelo Estadão, de informações sobre contatos entre o banqueiro Daniel Vorcaro e integrantes do tribunal.

O jornal afirmou que vieram à tona suspeitas de que o ministro Alexandre de Moraes mantinha contato com Vorcaro, inclusive com relatos de que ambos teriam conversado no dia em que o banqueiro foi preso pela primeira vez, em novembro do ano passado. A reportagem também mencionou outros episódios envolvendo nomes da Corte. Segundo o periódico, o ministro Dias Toffoli seria sócio anônimo de uma empresa que recebeu pagamento do cunhado de Vorcaro pela venda de participação no resort Tayayá, no interior do Paraná. O jornal também informou que o Banco Master e a JBS repassaram R$18 milhões a uma empresa de consultoria que fez pagamentos ao filho do ministro Kassio Nunes Marques.

Outro dado relevante do levantamento diz respeito à percepção de imparcialidade. Para 76,9% dos entrevistados, há “muita influência externa”, de políticos, partidos e grupos poderosos, no julgamento do caso. Outros 13% disseram ver alguma influência externa. Apenas 6,1% afirmaram que os procedimentos estão sendo conduzidos de forma técnica e baseados na lei, enquanto 3,9% não souberam responder.

A pesquisa também mediu a opinião sobre a competência do STF para julgar o processo de liquidação do Banco Master. Segundo os números divulgados, 53% dos entrevistados avaliam que o caso não deveria ser analisado pela Corte. Em sentido contrário, 36,9% disseram que o processo deve permanecer no STF, e 10,1% afirmaram não saber opinar.

O levantamento aponta ainda diferenças relevantes por faixa de renda. Entre os entrevistados com renda familiar acima de R$10 mil, o STF registra seu melhor desempenho relativo: 48,5% disseram confiar na instituição, enquanto 45,3% afirmaram desconfiar. É a única faixa em que a confiança supera a desconfiança. Já entre aqueles com renda familiar entre R$3 mil e R$5 mil, a rejeição é a mais alta: 69,6% disseram não confiar no Supremo, contra 27,8% que afirmaram confiar.

O caso Banco Master alcançou quase toda a população, segundo outra informação destacada pelo Estadão: mais de 97% dos brasileiros já teriam tomado conhecimento do episódio. Nesse cenário, o novo levantamento da AtlasIntel mostra que a crise em torno do banco e das relações atribuídas pela imprensa a integrantes do Judiciário produziu um impacto expressivo sobre a imagem do Supremo, tanto no índice geral de confiança quanto na percepção de imparcialidade e legitimidade da Corte.

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