O presidente do Irã descreveu a operação norte-americana como um “erro épico”. A expressão é precisa. Os Estados Unidos e “Israel” calcularam mal, e agora pagam o preço.
A reação iraniana foi muito mais forte do que o imperialismo esperava. Bases norte-americanas na região foram destruídas. O Estreito de Ormuz está fechado há vários dias, e os Estados Unidos não conseguem desobstruí-lo. O barril do petróleo disparou só com o pânico, e se a situação não se resolver rapidamente, pode chegar a 200 dólares. O que era para ser uma demonstração de força virou uma demonstração de fragilidade.
O Irã foi agredido sem provocação, de maneira traiçoeira, no meio de negociações diplomáticas. Está reagindo. Tem todo o direito de fechar o Estreito de Ormuz e de se defender como puder, porque é uma questão de vida ou morte. O que a imprensa não diz é que aviões decolaram de bases de países da região para atacar o Irã. Alguns desses países alegaram que suas bases não estavam sendo utilizadas. Mentira. É um ato de guerra. O direito de autodefesa do Irã é incondicional.
A destruição de bases norte-americanas é uma humilhação para os Estados Unidos e uma derrota parcial importante. Mais do que isso: é difícil que o imperialismo consiga alcançar qualquer objetivo fundamental nessa guerra. A contraofensiva imperialista global, iniciada após derrotas catastróficas no Afeganistão e com a operação russa na Ucrânia, buscava recuperar terreno e reafirmar a dominação norte-americana. Se fracassar no Irã, essa contraofensiva ficará muito desorganizada, na melhor das hipóteses para o imperialismo.
Há algo mais profundo em jogo. O papel de “Israel” naquela região se modificou completamente. Durante décadas, o Estado sionista exerceu o policiamento do Oriente Médio em nome do imperialismo, travou guerras contra o Egito, a Síria, o Iraque. Era o braço armado do capital financeiro internacional na região. Essa função acabou. “Israel” não dá conta do Irã. É o imperialismo que tem que socorrer “Israel”, e não o contrário. O que era uma máquina de guerra virou um fardo que precisa ser constantemente sustentado pelos EUA.
O fechamento do Estreito de Ormuz demonstra algo que o imperialismo preferia que o mundo não soubesse: os países oprimidos têm a capacidade material de encurralar o capital financeiro internacional. 30% do petróleo mundial passa por ali. O Irã, sozinho, colocou a economia global em pânico. Essa é a realidade que os bombardeios tentavam apagar, e que a resistência iraniana tornou impossível de ignorar.
Os Estados Unidos se enfiaram num pântano. A saída não está à vista.





