Valéria Guerra

Jornalista (UMESP), historiadora, atriz com DRT-RJ, escritora, colunista do 247, PCO, e do meu site (https://guerraluz.prosaeverso.net/); mestre em Intervenção Psicológica no Desenvolvimento e na Educação; professora do Estado do RJ na cadeira de biologia, poetisa e ativista contra a desigualdade no Brasil e no mundo.

Coluna

A mulher e o identitarismo soberbo

A mulher operária, proletária, trabalhadora, que é fruto do capitalismo industrial, precisa ser respeitada, com ou sem ramalhetes de flores...

Construir um conceito não é tão difícil; porém, realizar a sociologia desse conceito talvez seja tarefa árdua. O ser humano é histórico; ele faz parte do cenário evolutivo ontogênico, em relação ao meio natural e social.

Na Idade Média, por exemplo, as mulheres sofriam com a brutalidade do sistema vigente. O Concílio de Leptines, em 744, considerou a mulher um ser humano maléfico, visto que ela teria domínio sobre o amor, e não sobre a caridade. Trata-se de um pensamento medieval que não está muito longe do que atualmente atinge o gênero em questão.

As chamadas surras conjugais no Medievo eram normais e apoiadas no Costume de Namur, de 1558. As consequências jurídicas inexistiam em relação ao poder do homem sobre a mulher: ele poderia surrá-la, mas não matá-la.

Este panorama de maus-tratos e desvalorização do ser humano feminino, especialmente em relação às mulheres das classes inferiores, adentrou a modernidade, segundo os historiadores. Marguerite, cansada de ser espancada após o nascimento do sexto filho com Jequemim, ao escapar de uma machadada desferida por ele, reagiu e atirou o machado sobre o agressor, vendo, então, seu algoz e esposo falecer.

O identitarismo, que visa enaltecer as ditas minorias de forma interseccional e antropofágica, talvez erguesse uma estátua de Marguerite, a fim de que todos a idolatrassem, e, caso contrário, haveria sanções aos resistentes.

A mulher operária, proletária, trabalhadora, que é fruto do capitalismo industrial, precisa ser respeitada, com ou sem ramalhetes de flores ou caixas de bombons.

O Dia Internacional da Mulher, com todo o floreio identitário e hipócrita, sem dúvida registrará números alarmantes de assassinatos, ou mortes de mulheres em estado insalubre de vida, neste último dia 08 de março de 2026:

Há centenas de mulheres caídas na sarjeta, muitas com suas famílias, seus filhos, suas mães, em estado de miséria, de abandono. O Estado não enxerga essas mulheres, e o identitarismo não alcança essa camada social; ele prefere símbolos maquiados que, de dentro de seus gabinetes político-partidários, gritam palavras de ordem em favor de si mesmas, em um círculo desgastado de populismo farsesco.

O imperialismo tem seus fantoches financiados; ele precisa usar a máscara da benevolência, enquanto elimina meninas iranianas por meio de bombardeios: “Imagens de satélite, análises de especialistas, um funcionário dos Estados Unidos e informações públicas divulgadas pelos exércitos dos EUA e de Israel sugerem que uma explosão que matou dezenas de estudantes iranianas em uma escola foi provavelmente causada por ataques aéreos dos Estados Unidos, que também atingiram um complexo adjacente associado à Guarda Revolucionária do Irã.

O ataque de 28 de fevereiro, que teve o maior número de mortes de civis relatadas desde o início da guerra, foi alvo de críticas veementes da Organização das Nações Unidas (ONU) e de observadores de direitos humanos”.

O identitarismo/imperialismo está nu diante dos fatos e, com certeza, a soberba será o véu que o estimulará a defender o indefensável.

Como jornalista, historiadora e colunista do Diário Causa Operária, estou honrada por ter participado do encontro/palestra ocorrido no dia 8/3/26, no Centro do Rio de Janeiro, com a companheira Adriana Machado e os demais partícipes. A palestra trouxe um alerta a respeito do identitarismo. O Partido da Causa Operária (PCO) continua na trincheira contra o modus operandi do imperialismo e seus filhotes.

* A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a opinião deste Diário

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