Ao apostar na escalada militar contra o Irã, os Estados Unidos e o Estado de “Israel” procuraram reafirmar, pela força bruta, a dominação imperialista no Oriente Médio. O que se viu, no entanto, foi justamente o contrário: uma reação iraniana de grande envergadura, capaz de expor as fragilidades do aparato militar norte-americano e de abrir uma crise regional com consequências políticas, econômicas e estratégicas enormes.
A primeira semana da guerra terminou com uma demonstração de força sem precedentes por parte da República Islâmica. Na manhã de sexta-feira (6), o Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (CGRI) anunciou a 22ª onda da Operação Promessa Cumprida 4, sob o código “Ya Hussein bin Ali”, mobilizando o que apresentou como seu armamento mais avançado até aqui. Entre os destaques da ofensiva esteve o uso massivo do míssil balístico superpesado Khorramshahr-4, ou Khaibar, equipado com ogiva de duas toneladas e lançado a partir de instalações subterrâneas contra alvos considerados estratégicos.
Segundo a Declaração Pública nº 22 do CGRI, o objetivo central da fase foi neutralizar a arquitetura de vigilância e defesa aérea dos Estados Unidos na região. O balanço iraniano aponta para a destruição de sistemas de radar THAAD posicionados na Jordânia e nos Emirados Árabes Unidos, além do radar de detecção além-do-horizonte FPS-132, conhecido como Desert Eye, no Catar. Se confirmados em toda a sua extensão, esses ataques representam um golpe de grande profundidade, pois atingem justamente os “olhos” do sistema defensivo imperialista.
A operação prosseguiu com ataques diretos ao território israelense. Mísseis Fatá e Khorramshahr-4 atingiram Telavive, o Aeroporto Ben Gurion e centros de comando em Haifa. Ao mesmo tempo, a 23ª onda da ofensiva, sob o código “Ya Sahib al-Zaman”, ampliou os alvos para bases norte-americanas na região. A Base Aérea de Al Dhafra, nos Emirados, foi atacada com enxames de VANTs e mísseis de cruzeiro; no Cuaite, a Base Ali Al Salem e o quartel-general de Camp Arifjan também sofreram bombardeios, com danos a pistas, hangares e depósitos de combustível.
Do ponto de vista militar, a mensagem iraniana é clara: o inimigo não é intocável. O próprio porta-voz do CGRI, general Ali Mohammad Naeini, afirmou que novas armas e novas iniciativas ainda não foram utilizadas em sua escala total. Mais do que retórica de guerra, a declaração procura mostrar que o Irã conserva capacidade de escalada, mesmo após os ataques iniciais lançados por pelos EUA e “Israel”.
Essa resposta ocorreu após o criminoso assassinato do aiatolá Saied Ali Khamenei, em 28 de fevereiro, durante ataque aéreo dos Estados Unidos e “Israel”. O bombardeio atingiu o líder iraniano enquanto ele exercia funções oficiais em seu escritório, além de vitimar membros da alta cúpula militar e política do país. A morte de Khamenei, longe de quebrar a espinha dorsal do regime, acelerou a reorganização interna do Estado iraniano e ofereceu a base política para uma retaliação ampla.
Ao lado disso, os ataques contra civis, especialmente o bombardeio à escola primária Shajarat Tayyiba, em Minab, que causou a morte de 165 crianças e 14 professores, aprofundaram a indignação popular e transformaram a crise em uma guerra de existência nacional para amplos setores do país. Nessa situação, a expectativa de que o terror aéreo produziria desmoralização e submissão mostrou-se uma ilusão total.
O tiro saiu pela culatra, o Irã segue mais forte do que nunca.





