Ricardo Machado

É dirigente do Sindicato dos Bancários de Brasília e ex-dirigente da CUT-DF. Integra a Coordenação dos Comitês de Luta do DF e Membro do Partido da Causa Operária (PCO)

Coluna

Debate necessário sobre a antecipação da Campanha Salarial

Não é que uma campanha deva ser antecipada, é que as campanhas não poderiam parar, teriam que ser permanentes

Tendo em vista a Campanha Salarial dos Bancários, cuja data-base da categoria é no mês de setembro, a burocracia sindical já começa a lançar várias matérias em preparação da campanha e, como diz o ditado popular, “cachorro mordido de cobra tem medo de linguiça”, fica aquela suspeita de antecipação do processo devido às eleições de outubro.

A primeira coisa que devemos considerar, ou melhor, impugnar, diz respeito justamente ao principal argumento para justificar tal antecipação, que, na prática, se resume ao seguinte: vem “eleição” aí e é melhor fazer logo a campanha.

Deixando de lado que quem fala isso é quem mais prega que sindicato é uma coisa e partido é outra (logo, por que os bancários deveriam subordinar a campanha ao calendário eleitoral? E por que seria ruim a campanha coincidir com as eleições? Não seria o contrário? Não seria até melhor? As condições não seriam mais propícias, até porque a demagogia vai a mil?), para os bancários o problema não é de calendário. Ano passado não houve eleição e também não houve campanha. Ademais, de setembro de 2023 para cá (já que o acordo foi bianual), simplesmente nada foi feito.

Então, é sempre bom ficar atento em relação à antecipação da campanha salarial, já que “antecipar por antecipar” a campanha sugere apenas um desencargo e, na prática, levaria apenas a que não fosse feito antes do mês de setembro o que não seria feito no próprio mês de setembro.

Com efeito, tanto faz julho, agosto, setembro ou seja lá o mês que for, quando já não há nada de luta agora, hoje, de fato, contra os banqueiros, que, nos últimos períodos, lançaram uma política feroz contra a categoria bancária; quando não se organiza de imediato uma campanha contra as demissões em massa; quando se desperdiçam tempo, recursos e, certamente, a paciência da categoria com as tais consultas nacionais inúteis, cujos eixos são sempre vagos (aumento real; aumento do piso da categoria; aumento da PLR — mas que aumento, cara-pálida?).

Razões mais que suficientes para uma campanha já existem hoje e, nesse sentido, não é preciso — e é até um crime — esperar por setembro. Não é que uma campanha deva ser antecipada; é que as campanhas não poderiam parar, teriam que ser permanentes (ou a burocracia sindical acredita candidamente, confundindo a situação dos bancários com a dela, que eles estão vivendo no melhor dos mundos?).

Dessa forma, o problema não está em se “discutir” agora se se deve antecipar ou não a campanha de setembro, porque, com a política da burocracia sindical, seja em setembro, seja em abril, maio, junho ou julho, qualquer campanha está de antemão fadada ao insucesso. Nem mesmo a existir, para ser precisos.

A questão é outra, portanto, e está em saber se a burocracia, que vem renegando há bastante tempo os métodos próprios de luta dos trabalhadores diante das reivindicações mais elementares da categoria, confinando-se em “negociações” tão intermináveis quanto inúteis, estaria agora disposta, como condição básica até para que haja campanha, qualquer campanha, a romper com a política de colaboração com os patrões — política essa que tem implicado na completa atomização da categoria, na desmobilização e vem gerando um descrédito cada vez maior em relação ao sindicato nos locais de trabalho.

Para uma campanha hoje, em julho, em agosto, em setembro ou em qualquer época do ano (só dessas, que interessam aos trabalhadores), não precisa nem pedir licença para começar. Basta querer começar!

Finalizando, vamos relembrar o que é uma Campanha Salarial, porque é simples: apresentar a pauta (as necessidades e reivindicações são mais do que sabidas e conhecidas pela categoria), divulgar a pauta, debater tudo democraticamente nos boletins (com direito de todos se manifestarem), fazer cartazes de campanha (depois colá-los, claro), vídeos, reuniões por local de trabalho, comandos de luta/greve, assembleias gerais unificadas (nada de banco por banco, nada de divisionismo, nada virtual)… Enfim, motivos é o que não faltam, assim como mobilização e disposição para lutar. Com certeza, a categoria, penalizada, responderá com muito ânimo e luta.

• Contra o roubo dos salários;

• Não ao confisco salarial: reposição de todas as perdas dos planos econômicos;

• Reajuste automático dos salários toda vez que a inflação acumular 3%;

• Não às demissões; reintegração de todos os demitidos;

• Estatização do sistema financeiro sob controle dos trabalhadores;

• Salário mínimo vital de acordo com as necessidades de uma família (R$7.500,00);

• Por uma campanha salarial unificada.

* A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a opinião deste Diário

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