O aiatolá Ali Khamenei, líder da Revolução Islâmica desde 1989, foi assassinado na manhã de 28 de fevereiro de 2026 devido a ataques aéreos conjuntos dos Estados Unidos e de “Israel” contra o Irã. As informações foram confirmadas pela imprensa estatal iraniana na noite de sábado.
Nascido em 17 de julho de 1939 na cidade sagrada xiita de Maxhad, no nordeste do Irã, Ali Hosseini Khamenei era filho do aiatolá Saied Jawad Hosseini Khamenei, um estudioso e clérigo de origem azerbaijana, cuja família havia se estabelecido primeiro em Tabriz, no noroeste do país, antes de se fixar em Maxhad, onde o pai liderava uma mesquita azerbaijana. Sua mãe, Khadijeh Mirdamadi, era leitora assídua do Alcorão e de literatura em geral, tendo transmitido ao filho o apreço pelas letras e pela poesia.
Khamenei iniciou os estudos aos quatro anos de idade, aprendendo o Alcorão, e concluiu o ensino primário na primeira escola islâmica de Maxhad. Não completou o ensino médio, optando por ingressar em escolas de teologia, onde estudou com o xeique Haxem Gazvini e com seu próprio pai. Posteriormente, aprofundou sua formação nos centros xiitas de Najaf e Qom, as principais referências do mundo xiita, onde teve contato com renomados estudiosos islâmicos e tornou-se próximo do aiatolá Ruholá Khomeini. Em Qom, ministrou cursos de jurisprudência e aulas públicas de interpretação teológica, conquistando audiência crescente especialmente entre jovens estudantes.
A partir de 1962, Khamenei integrou o movimento de oposição liderado pelo aiatolá Khomeini contra a ditadura do xá Mohammad Reza Pahlavi, cuja restauração ao poder havia ocorrido em 1953 por meio de um golpe de Estado orquestrado pelo MI6 britânico e pela CIA norte-americana, que depôs o primeiro-ministro eleito democraticamente Mohammad Mosaddegh após sua tentativa de nacionalizar a indústria petrolífera iraniana. Ao longo dos anos seguintes, Khamenei foi repetidamente preso pela polícia secreta do xá, a SAVAK, e sentenciado ao exílio na remota cidade de Irãnxar, no sudeste do país. Retornou ao Irã para participar das manifestações de 1978 que culminaram no fim da dinastia Pahlavi.
Após a Revolução de 1979, Khamenei tornou-se figura central na organização do regime revolucionário iraniano. Atuou brevemente como ministro da Defesa em 1980 e, com a eclosão da guerra Irã-Iraque, assumiu a supervisão do Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (CGRI). Obteve também o posto de líder das orações de sexta-feira em Teerã. Foi eleito membro do Parlamento (Majlis) por Teerã e atuou como representante do imã Khomeini no Conselho Superior de Defesa, visitando pessoalmente as frentes de batalha durante a guerra com o Iraque.
Em 1981, Khamenei sobreviveu a um atentado perpetrado pelo grupo oposicionista Mojahedin-e Khalq (MEK), que lhe custou o uso permanente do braço direito. No mesmo ano, após o assassinato do presidente Mohammad Ali Rajai, foi eleito presidente da República Islâmica, tornando-se o primeiro presidente clerical do país. Em 1985, foi reeleito para um segundo mandato de quatro anos. Também em 1986, presidiu o Conselho do Discernimento. Durante a presidência, acompanhou diretamente as operações militares na guerra contra o Iraque, conflito que durou oito anos, causou mais de um milhão de mortes e destruiu a economia iraniana.
Com a morte do aiatolá Khomeini em 1989, abriu-se uma crise de sucessão. O herdeiro designado por Khomeini, o aiatolá Hossein Ali Montazeri, havia sido afastado após criticar as execuções em massa de prisioneiros ocorridas em 1988. Uma comissão constituída para revisar a Constituição indicou Khamenei para o cargo de líder da Revolução Islâmica, sendo necessário para isso flexibilizar os requisitos formais exigidos para a função — Khamenei não possuía, à época, o título de hojatoleslam, graduação clerical de alto nível. Ao ser designado, o próprio Khamenei declarou: “acredito que não mereço essa posição; talvez você e eu saibamos disso. Seria uma liderança apenas formal, não uma liderança real”.
Sob sua liderança, o CGRI expandiu-se de uma força paramilitar para uma instituição com ramificações nos campos de segurança, política e economia, tornando-se instrumento central da atuação iraniana na região. Khamenei também promoveu a chamada “economia de resistência”, voltada para a autossuficiência diante das sanções imperialistas, e intensificou programas de treinamento para jovens integrantes das milícias revolucionárias, a Basij.
Khamenei foi o principal arquiteto do Eixo da Resistência, uma rede de alianças e transferência de recursos militares para grupos aliados ao Irã fora de suas fronteiras, incluindo o Hesbolá no Líbano, o Hamas na Palestina, Ansar Alá no Iêmen, grupos armados no Iraque e, até dezembro de 2024, o governo de Bashar al-Assad na Síria. O principal executor operacional dessa estratégia foi o general Qassem Soleimani, comandante das Forças Quds do CGRI, assassinado pelos Estados Unidos em 2020.
Em 2003, Khamenei emitiu uma fatwa proibindo a fabricação, o uso e o armazenamento de armas nucleares. Em 2015, autorizou as negociações conduzidas pelo então presidente Hassan Rouhani que resultaram no Plano de Ação Conjunto Abrangente (JCPOA), acordo pelo qual o Irã limitava seu programa nuclear em troca de alívio nas sanções. Em 2018, Trump retirou os Estados Unidos do acordo, e o Irã retomou progressivamente o enriquecimento de urânio, chegando ao nível de 60%, próximo ao patamar necessário para a produção de urânio de grau militar. O Irã reiterou que seu programa nuclear tem fins exclusivamente civis.
Em 13 de junho de 2025, “Israel” atacou o Irã, assassinando dezenas de comandantes militares e cientistas nucleares e atingindo instalações nucleares e infraestrutura civil e militar. O Irã respondeu com uma salva de mísseis contra Telavive. O conflito durou cerca de 12 dias e culminou com o lançamento de bombas penetradoras norte-americanas contra três instalações nucleares iranianas. Netaniahu ameaçou matar Khamenei publicamente, enquanto Trump exigiu sua “rendição incondicional”. Khamenei respondeu: “pessoas inteligentes que conhecem o Irã e sua história jamais falariam com esta nação em linguagem ameaçadora, porque a nação iraniana não se renderá”.
Ruhollah Khomeini fez a revolução acontecer. Ali Khamenei fez a revolução prosperar. Por 36 anos, diante de guerras, sanções, atentados e pressão constante das maiores potências militares do mundo, ele recusou a rendição. Até que o imperialismo se desesperou ao ponto de chegar à conclusão de que era preciso assassinar o guardião da Revolução Islâmica da maneira mais covarde possível.
Ali Khamenei tinha 86 anos. Dirigiu a República Islâmica do Irã por 36 anos.




