O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou nesta segunda-feira (23), em Seul, que “não está preocupado com o que os EUA vão fazer com o Irã”. Perguntado se aproveitaria sua escala em Abu Dhabi para tratar da escalada de tensões entre Washington e Teerã, o presidente respondeu que vai à capital dos Emirados Árabes para discutir relações comerciais, e que não é membro permanente do Conselho de Segurança da ONU.
O mesmo Lula que tentou se apresentar como mediador na guerra defensiva da Rússia contra a Ucrânia, que discursou sobre paz em Gaza, que viajou ao mundo inteiro anunciando uma diplomacia ativa, declara, sem cerimônia, que a ameaça norte-americana ao Irã não é problema seu.
Vale lembrar que foi esse mesmo Lula — e o PT junto com ele — que passou anos alardeando que o confronto político do nosso tempo era entre democracia e fascismo, e que Trump encarnava o fascismo em sua forma mais perigosa. O PT usou essa política para justificar toda a sua política direitista, desde alianças eleitorais até medidas truculentas contra Bolsonaro e os bolsonaristas. Pois bem: o grande fascista virou parceiro de negócios. Lula prepara comitiva, marca reunião para março e cuida para não dizer nada que possa desagradar Washington antes do encontro. O conto da carochinha do “fascismo” durou até o momento em que deixou de ser eleitoralmente útil.
Abu Dhabi, destino da escala de Lula, abriga bases militares norte-americanas. O Brasil vai a um país que integra a infraestrutura de uma possível agressão ao Irã para tratar de “assuntos políticos e comerciais” e o presidente garante que não vai tocar no assunto. Uma política pró-imperialista por excelência.
Lula não exigiu a libertação de Maduro, adotou o vocabulário de Washington para a Venezuela ao falar em “restabelecer a democracia”, quer operar a PF em solo norte-americano mediante autorização de Trump e, agora, declara publicamente que a sorte do Irã não é preocupação sua. A cada passo, o governo brasileiro se aproxima mais do imperialismo e se afasta mais dos países que resistem a sua ditadura sanguinária.
O Irã enfrenta ameaças militares diretas dos EUA. O Brasil deveria, no mínimo, condenar publicamente essa escalada e exigir que os norte-americanos recuem. Não é necessário ser membro permanente do Conselho de Segurança para isso, basta ter uma política externa que não esteja completamente subordinada à política que o imperialismo quer para os oprimidos.
Ao abandonar o Irã e deixá-lo completamente à mercê dos Estados Unidos, o que Lula está declarando é um abandono dos povos oprimidos. Finalmente, o Irã é o grande arquiteto do Eixo da Resistência, o país responsável por garantir que “Israel” e, consequentemente, o imperialismo, não domine completamente o Oriente Médio e massacre todos os povos da região.





