A decisão de Lula de levar Receita Federal, Polícia Federal, Ministério da Justiça e Ministério da Fazenda para uma reunião com Donald Trump é mais um sinal grave de fraqueza política. O governo está pressionado — por dentro e por fora — e responde do pior jeito: tentando “se acertar” com o imperialismo e oferecendo como cartão de visitas justamente as engrenagens do Estado responsáveis por sua prisão.
Lula vende a conversa como “cooperação” contra narcotráfico, tráfico de armas e lavagem de dinheiro. Ou seja, o instrumento clássico dos Estados Unidos para a intervenção direta nos países oprimidos. E quando o presidente diz que “eles levam o FBI, a CIA e o Departamento de Justiça”, ele praticamente admite que está criando uma ponte oficial entre o núcleo do Estado brasileiro e a máquina de pressão e chantagem dos EUA.
É aí que entra o ponto central: Trump não é um “interlocutor difícil”, é um inimigo declarado de qualquer país que não aceite bater continência. A política do governo norte-americano — com Trump ou sem Trump — não é parceria, é domínio. E a tentativa de “civilizar” essa relação, de posar de amigo, de mostrar boa vontade, costuma terminar sempre do mesmo jeito: o governo cede, cede, cede… e fica mais fraco.
Pior ainda é o papel que Lula reserva para a PF, Receita e Justiça nessa encenação. No Brasil, essas instituições são completamente independentes de seu controle, capazes de sabotar governos e fabricar crises. Reforçar sua projeção, colocá-los em articulação internacional direta, e ainda por cima sob o guarda-chuva dos EUA, é reforçar o controle imperialista sobre as instituições de repressão e espionagem brasileiras.
O governo tenta parecer firme com frases de efeito (“eu não quero recebê-los, eu quero prendê-los”), mas o conteúdo real do anúncio é outro: aprofundar o controle do Departamento de Estado dos EUA sobre o regime brasileiro. Não há “respeito” possível nessa relação assimétrica: quem manda é o imperialismo, que tem uma capacidade tecnológica, militar e econômica muito superior.
Quando um governo está pressionado, o correto seria se apoiar na mobilização popular e na defesa intransigente da soberania do País. O que Lula faz é o contrário: busca proteção no inimigo, tenta construir “amizade” com o imperialismo e exibe sua própria polícia como credencial. O resultado previsível: enfraquece o governo, enfraquece o País e fortalece justamente os “aliados” que, amanhã, estarão na primeira fila para golpeá-lo.





