O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, em entrevista coletiva neste domingo (22) em Nova Déli, que pretende realizar operações da Polícia Federal nos Estados Unidos para combater o crime organizado, mediante autorização do governo de Donald Trump.
O governo que declarou que sua prioridade na Venezuela é “restabelecer a democracia” agora quer operar policialmente em solo norte-americano com o aval de Trump. O mesmo governo que não exige a libertação de Maduro oferece informações da Receita Federal aos EUA e aguarda que Trump decida se e quando agir.
O “combate ao narcotráfico e ao crime organizado” é o pretexto tradicional do imperialismo norte-americano para intervir na América Latina. Foi sob essa bandeira que os EUA financiaram golpes, treinaram grupos fascistas e promoveram sequestros, assassinatos e muito mais por décadas. A lição do episódio venezuelano não é que o Brasil precisa aprender a atuar junto com os Estados Unidos.
A lição é que o imperialismo usa esse pretexto para atingir os países oprimidos e, de maneira geral, todos aqueles que não se submetem a sua ditadura. A lição é, nesse sentido, que é preciso denunciar o imperialismo e agir no sentido de o enfrentar. Nesse caso, a ação concreta correta é exigir a libertação imediata de Maduro.
Sem contar no fato de que, para operar nos Estados Unidos, a Polícia Federal precisará coordenar com o FBI, a DEA e órgãos do tipo. Isso significa troca de dados, métodos, funcionários, tecnologia, informação e mais, uma contaminação da já infestada PF brasileira. E quando a contar chegar e os EUA exigirem reciprocidade em território brasileiro sob a forma de treinamentos, “assistência técnica”, operações conjuntas e acesso a bancos de dados, o governo Lula terá criado as condições para não poder recusar.
Diante de uma escalada imperialista na região, a resposta correta é elevar o conflito político: denúncia internacional, articulação com os países da América Latina, pressão sobre os EUA. A prioridade deve ser a libertação de Nicolás Maduro, e o governo deveria dizê-lo publicamente.





