Editorial

Escândalo do Banco Master expôs a farsa da ‘defesa da democracia’

“Defesa da democracia” feita pelo STF nunca foi dirigida ao povo

Durante anos, o Supremo Tribunal Federal (STF) se escondeu atrás de um discurso falacioso de “defesa da democracia” para justificar verdadeiros atentados contra os direitos democráticos da população. Sob a liderança do ministro Alexandre de Moraes, o tribunal protagonizou uma escalada autoritária sem precedentes no regime político brasileiro, perseguindo opositores, censurando veículos de imprensa, prendendo adversários políticos e, sobretudo, manipulando abertamente o processo eleitoral.

Tudo era justificado em nome de um suposto combate ao “golpismo”, à “desinformação” e à “ameaça às instituições”. O STF foi alçado à condição de guardião da democracia, uma democracia que, na prática, servia de fachada para o fortalecimento de um regime cada vez mais policialesco e antipopular.

Mas como toda farsa, essa também está ruindo. O escândalo do Banco Master — que revela o envolvimento direto de ministros do STF, especialmente Dias Toffoli — escancara o verdadeiro funcionamento do Judiciário brasileiro: uma instituição comprometida até o pescoço com os interesses do grande capital e com seus próprios privilégios.

O caso é grotesco. Toffoli, citado nas investigações envolvendo o banco, permanece à frente do inquérito. Mesmo diante dos indícios gritantes de conflito de interesse, o ministro segue comandando a apuração e mantendo todas as informações sob sigilo, escondendo da população o conteúdo de um processo que diz respeito diretamente ao interesse público.

Pior: quando Edson Fachin, atual presidente do STF — e, diga-se, considerado parte de uma “ala mais moderada” do tribunal — propôs tirar o inquérito das mãos de Toffoli, foi prontamente pressionado por Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes a recuar. Resultado: Fachin cedeu e Toffoli continua como juiz do próprio caso. Um escárnio jurídico.

Aqui, a “democracia” desaparece como num passe de mágica. Quando se trata de proteger os próprios pescoços, a cúpula do Judiciário joga às favas o moralismo de ocasião, o discurso de ética, a retórica institucionalista. Toda a estrutura repressiva que armaram contra o povo agora serve para blindar seus próprios crimes.

Este escândalo revela, de forma cristalina, que a “defesa da democracia” feita pelo STF nunca foi dirigida ao povo. Sempre foi uma farsa usada para calar adversários e centralizar ainda mais o poder nas mãos de um punhado de juízes não eleitos. A realidade é que, sob o verniz democrático, opera um regime profundamente autoritário e corrupto.

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