O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, decretou nesta quinta-feira (15) a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, anteriormente conhecida como Reag DTVM. A medida foi anunciada apenas um dia após o fundador da gestora, João Carlos Mansur, ser alvo de uma operação da Polícia Federal que investiga um esquema bilionário de fraudes financeiras e triangulação de recursos com o Banco Master, liquidado em novembro do ano passado. De acordo com o BC, a instituição infringiu normas graves de compliance e gerenciamento de riscos, atuando como facilitadora de ilícitos que colocavam em xeque a disciplina do Sistema Financeiro Nacional.
A decisão da autoridade monetária baseia-se em indícios de que fundos administrados pela gestora foram utilizados para desviar patrimônio e lavar dinheiro através de transações relâmpago alimentadas por empréstimos do Master. Além do envolvimento em crimes financeiros, a CBSF é investigada pela Operação Carbono Oculto por supostos vínculos com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), servindo como instrumento para blindar o patrimônio do grupo no setor de combustíveis. Com o decreto, os bens de controladores e ex-controladores, incluindo Mansur, foram bloqueados, e a APS Serviços Especializados foi nomeada para assumir a gestão da liquidante.
A liquidação da antiga Reag ocorre em um cenário de desmonte da estrutura da empresa, que já havia vendido ativos e deixado sua sede em área nobre de São Paulo após o avanço das investigações. Segundo apurado, o Banco Central intensificou a coleta de provas robustas para enfrentar possíveis questionamentos judiciais por parte da defesa dos envolvidos, como o dono do Master, Daniel Vorcaro. No mesmo ato, o BC também determinou a liquidação da Advanced Corretora de Câmbio por comprometimento econômico-financeiro, embora a autarquia ressalte que este processo não possui relação direta com o caso Master/Reag.



