Oriente Próximo

Como inteligência iraniana combateu infiltração do Mossad

Padrão de interferência detectado em 2026 assemelha-se meticulosamente aos protocolos documentados durante os protestos de 2022

Uma investigação profunda conduzida pelos serviços de inteligência da República Islâmica do Irã, cujos detalhes foram amplamente divulgados e analisados pela emissora HispanTV nesta quinta-feira (15), expôs uma complexa arquitetura de espionagem coordenada pelo Mossad israelense e pela Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA). O relatório detalha como o que começou como uma série de protestos legítimos e pacíficos de comerciantes do Gran Bazar de Teerã, motivados por flutuações cambiais e pressões inflacionárias, foi alvo de uma tentativa de sequestro político por potências estrangeiras que buscavam transformar o descontentamento econômico em uma insurreição armada de larga escala destinada a desestabilizar o governo nacional.

A crise começa no final de dezembro de 2025, quando lojistas e comerciantes tradicionais, descritos pelo líder da Revolução Islâmica, o Aiatolá Saied Ali Khamenei, como um dos segmentos mais leais à Revolução, iniciaram marchas para solicitar intervenções estatais contra a volatilidade do mercado. Diferente de episódios anteriores, as autoridades iranianas, incluindo o presidente Masud Pezeshkian e o presidente do Parlamento Mohamad Baqer Qalibaf, agiram rapidamente para declarar a legitimidade dessas preocupações, estabelecendo um canal de diálogo e garantindo o direito à manifestação pacífica. No entanto, o monitoramento forense e de inteligência indicou que, enquanto os comerciantes discutiam políticas fiscais, agências estrangeiras acionavam células operacionais para infiltrar elementos violentos entre os manifestantes.

O padrão de interferência detectado em 2026 assemelha-se meticulosamente aos protocolos documentados durante os protestos de 2022, mas com um incremento significativo no uso de tecnologias de ponta. O General de Brigada Mohammad Kazemi, da inteligência do Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica, já havia alertado sobre o papel ativo de mais de vinte agências estrangeiras no passado, e os indícios atuais apontam para uma coalizão semelhante. A operação deste ano envolveu o recrutamento de indivíduos através de plataformas de redes sociais para realizar atos de vandalismo e sabotagem em troca de pagamentos em moeda estrangeira.

A HispanTV também reportou a existência de uma verdadeira fábrica de propaganda alimentada por Inteligência Artificial. Analistas forenses expuseram como imagens de protestos antigos, alguns datados de 2022 e outros ocorridos em países tão distantes quanto a Grécia e os Estados Unidos, foram manipulados digitalmente para simular um estado de anarquia total no Irã. O caso de Saqar Etemadi tornou-se o exemplo mais flagrante desta técnica, no qual sua imagem foi transformada em um símbolo de martírio por redes de bots vinculados ao Estado de “Israel”, apesar de provas hospitalares e depoimentos diretos de sua própria família confirmarem que ela estava viva e em segurança, desmascarando a tentativa de inflamar as emoções populares com informações forjadas.

Simultaneamente à ofensiva digital, o aparato de segurança iraniano realizou operações cirúrgicas que resultaram na prisão de células de sabotagem do Mossad. Em confissões detalhadas, os detidos revelaram que recebiam ordens diretas de manipuladores operando a partir da Alemanha para incendiar propriedades públicas e filmar os confrontos de ângulos específicos para satisfazer a demanda de imagens das grandes redes de notícias do imperialismo. Em batidas em casas de segurança em Teerã, foram apreendidos arsenais que incluíam fuzis de combate, munições, hachas e componentes explosivos, o que, segundo o chefe da Polícia Ahmadreza Radan, prova que o objetivo final nunca foi a reforma econômica, mas a execução de um plano de desestabilização orquestrado externamente.

No plano internacional, a rapidez das reações de oficiais de alto escalão dos Estados Unidos confirmou a percepção de uma coordenação pré-estabelecida. O embaixador Mike Waltz e o presidente Donald Trump emitiram declarações quase instantâneas de apoio aos protestos, com Trump chegando a instigar publicamente os cidadãos a tomarem o controle de instituições governamentais. Estas ações foram classificadas por Ali Lariyani, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, como atos de agressão direta, colocando os nomes de Trump e Benjamin Netaniahu como os principais responsáveis pela violência no país. O Ministro da Defesa, General Aziz Nasirzade, reforçou que qualquer agressão física resultante dessas incitações seria respondida de forma dolorosa e decisiva pelas forças armadas iranianas.

A análise política de Mohamad Baqer Qalibaf conectou esses eventos a um cenário mais amplo, sugerindo que o desespero das potências imperialistas em fomentar o caos interno no Irã é uma resposta direta à tenacidade do Eixo de Resistência na região, especialmente diante do fracasso do imperialismo em Gaza e em outras frentes. Para o governo iraniano, a tentativa de desestabilização fracassou devido à rapidez em separar os interesses dos cidadãos comuns das provocações dos serviços de espionagem.

A matéria da HispanTV conclui que a evolução dos métodos de sabotagem deste ano, embora mais tecnológicos e perigosos devido ao uso de Inteligência Artificial e recrutamento remoto, encontrou uma barreira na cooperação entre a população e o Estado. O episódio encerrou-se como mais um capítulo de um longo histórico de tentativas de mudança de regime que, segundo as autoridades, ignoram a profundidade da soberania nacional iraniana e a capacidade do país de identificar e neutralizar ameaças antes que elas consigam fragmentar o tecido social da nação.

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