É impossível sintetizar em um breve artigo todos os casos de censura no ano que se passou. Em 2025, a censura e a supressão dos direitos democráticos foram impostas contra os povos oprimidos em todo o mundo. O imperialismo, em uma crise cada vez maior, tem fechado o regime de modo a estabelecer verdadeiras ditaduras nos principais países “democráticos”.
O sionismo seguiu na sua ofensiva judicial contra os que denunciaram o massacre em Gaza, alegando que criticar seus crimes é antissemitismo.
Dignos de nota foram os casos de alunos da USP que denunciaram as relações da universidade com “Israel” e foram ameaçados de expulsão; do jornalista Breno Altman e do ativista André Constantine, alvos permanentes da ofensiva judicial; do jornal A Nova Democracia, que teve seu canal de YouTube cancelado por sua defesa da Palestina.
Ao mesmo tempo, o Partido da Causa Operária (PCO) continuou sendo o alvo preferido dos sionistas. Rui Costa Pimenta, presidente nacional do PCO, e Henrique Áreas, membro da Direção Nacional, foram denunciados por seu apoio à resistência do Hamas e podem ser condenados à prisão. Pimenta também foi condenado a pagar R$16 mil reais ao deputado federal Kim Kataguiri por ter classificado como “nazismo” sua política de atacar o governo Lula pelo envio de recursos para alimentar os palestinos. Até mesmo o ato em defesa da Palestina realizada em outubro, no aniversário de dois anos da heroica Operação Dilúvio de Al-Aqsa, na APEOESP, levou a direita a pressionar a Polícia a abrir inquérito contra Antônio Carlos Silva, dirigente do PCO e da APEOESP.
Na Inglaterra, em junho, o grupo Palestine Action foi banido pela “Lei de Terrorismo”, o que deu abertura para a polícia realizar prisões sistemáticas em atos pró-Palestina.
Cenas de repressão a estas mobilizações em todo o mundo puderam ser acompanhadas pela Internet, inclusive no Brasil, onde um ato pacífico na Embaixada dos Estados Unidos Israel no 7 de outubro, em Brasília, acabou em gás lacrimogêneo e prisão de manifestantes.
Esquerda chave de cadeia
A pretexto de defender os pobres e oprimidos, a esquerda seguiu fomentando a “censura do bem”: apoiou a condenação do humorista Léo Lins a oito anos de prisão por “conteúdo discriminatório” pelas piadas de seus shows; apoia toda a perseguição judicial de Erika Hilton contra mulheres críticas ao ativismo transexual; e defende as “democráticas” arbitrariedades do STF a pretexto do Judiciário estar “enfrentando o fascismo”.
É óbvio, porém, que a censura incidirá de forma muito mais violenta sobre a esquerda e a luta dos trabalhadores do que a qualquer suposta tentativa de coibir o avanço da extrema direita.
O presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe), Adilson Souza, foi condenado a pagar multa de R$7.590,00 por ter chamado o secretário de Segurança de São Paulo, Guilherme Derrite, de “DeHitler”, pelas mortes da PM no estado. Tiago Torres, o Chavoso da USP, criticou em 2021 o prefeito de Guarulhos Guti (PSD) por fechar uma empresa pública e foi condenado este ano a 10 meses e 15 dias em regime aberto, além de multas, indenizações e custas judiciais que somam cerca de R$20 mil.
Influenciadores de esquerda como o próprio Chavoso da USP e Tiago Santineli tiveram suas redes sociais bloqueadas por posições que defenderam. Mesmo depois de terem sustentado a tese de que a liberdade de expressão não deve ser “irrestrita”.
Para o próximo ano, os ataques às liberdades democráticas tendem a aumentar. A nós, não custa repetir: a repressão não é a resposta da esquerda! É preciso intensificar a luta pela liberdade de expressão, contra a censura e na defesa de todos os direitos democráticos do povo.





