Rio Grande do Sul

Catástrofe vira pretexto para repressão e demagogia ambiental

Tragédia no RS continua tendo seus responsáveis escondidos pela esquerda

Os acontecimentos no Rio Grande do Sul comprovam que boa parte da esquerda não tem um programa de luta para casos tão dramáticos, além de se somar à campanha direitista da chamada luta contra as “fake news”.

Em um texto recente da “Esquerda Online”, é dito, além do retrato da situação que o estado se encontra, que o “Bolsonarismo espalha fake news criminosas, prejudicando o povo gaúcho”, e que a “a extrema direita se aproveita da tragédia para espalhar mentiras em escala industrial”.

Um dos casos relatados pelo texto é que o foi divulgado por bolsonaristas que a Anvisa não estaria deixando chegar remédios ao estado, além de que, segundo os bolsonaristas, “Lula está dificultando a chegada de caminhões com suprimentos e negando auxílio de outros países”.

Em grande medida são posts e comentários feitos por bolsonaristas que, sem perder o enorme potencial calunioso que possuem, divulgam uma série de notícias inverídicas sobre o governo de Lula, seu principal adversário e que, na realidade, não tem culpa por nada que aconteceu no Rio Grande do Sul.

Ao invés do esclarecimento político, de se propor que o governo utilize seus meios para o esclarecimento do povo, o texto do “Esquerda Online” afirma que “os criminosos que disseminam as fake news precisam ser desmascarados e punidos”, e que “a luta política e ideológica contra o bolsonarismo e suas mentiras é central nesse momento”, como se a prisão fizesse parte de algum tipo de luta política.

Ora, se o bolsonarismo divulga mentiras e faz calúnias, cabe os caluniados a resposta, o esclarecimento do que realmente está acontecendo, através dos meios de comunicação disponíveis. Se uma mentira foi dita, é preciso desmenti-la, simples assim.

A tentativa de combater mentiras (“fake news”) por meio da repressão do estado capitalista só faz reforçar o aparato repressivo do estado e limitar, ainda mais, o direito à liberdade de expressão, que é fundamental para qualquer organização de esquerda. Também é preciso destacar que essa esquerda pequeno-burguesa acredita ter, ela mesma, a chave das cadeias, para mandar prender e soltar quem quiser, quando todos sabem que quem controla o aparato repressivo de um estado capitalista é a burguesia. É ridícula a ideia de combater o bolsonarismo e a extrema direita com cadeia. Na verdade, se uma política dessa é colocada em prática seriamente, a tendência é o fortalecimento dos bolsonaristas, não o contrário.

Claro que o texto não poderia deixar de mencionar o responsável principal pelo que ocorreu e ocorre no Rio Grande do Sul. O Sr. Eduardo Leite, tucano, é quem deve ser responsabilizado diretamente sobre tudo que aconteceu no RS. Ele e os governos anteriores, que, como representantes da política neoliberal, faliram o estado para entregar os recursos todos para os banqueiros. Deixando obras e serviços essenciais para o povo totalmente paralisados.

Mas, como todo bom esquerdista influenciável pela imprensa capitalista, não é possível ficar sem falar de Lula, que, segundo o “esquerda on line” está fazendo algo que deve ser “valorizado, mas é necessário novas e mais robustas ações federais”.

E que o governo Lula “tem que liderar esse programa de reconstrução do RS em bases ambientais sustentáveis. Para ter dinheiro para tanto, será necessário suspender o arcabouço fiscal. É preciso aprovar um ‘orçamento de guerra’, livre das amarras da austeridade neoliberal, para socorrer e reconstruir o RS”.

Aqui um dos escorregões mais comuns dentro da esquerda no que toca a questão do Rio Grande do Sul, o aspecto ambiental. Se antes o problema ambiental teria sido a causa da tragédia (agora um pouco em baixa essa justificativa) a reconstrução do estado também precisa ser “sustentável”, sabe-se lá o que isso quer dizer. A palavrinha é dita, apenas, para agradar um setor da classe média esquerdista, que, com a barriga cheia, se preocupa com a chamada “sustentabilidade”.

O texto segue para fazer propaganda das ações parlamentares de deputados do PSOL. Aliás, quanta propaganda fazem os abnegados ajudantes do Rio Grande do Sul. Afinal, a autopropaganda, apesar de estar sob a base de uma tragédia, é sempre boa, especialmente em ano eleitoral.

Por fim, bagunçando todo o cenário e oferecendo uma ótima desculpa para Eduardo Leite, o texto afirma que “o evento extremo e devastador no Sul é consequência direta da emergência climática que o planeta vive. A temperatura média na Terra bateu recorde histórico em 2023. Tragédias climáticas estão acontecendo com cada vez mais frequência em várias partes do mundo. São inundações devastadoras, secas agudas e prolongadas, ciclones e furacões destruidores, ondas insuportáveis de calor”.

Qualquer crítica que tenha sido feita contra Eduardo Leite ou qualquer outro responsável pela calamidade do RS cai por terra diante de tão grande problema, a questão climática, que, convenientemente, não pode ser responsabilizada por nada, ou seja, não tem como culpar, em último caso.

“A dolorosa tragédia no RS tem que servir de lição. É preciso mudança radical na política pública, tanto para preservar e recuperar o meio ambiente, como para preparar as cidades para eventos climáticos extremos”. Não. É preciso expropriar os bancos e colocar Eduardo Leite para correr. São os responsáveis pelo estado de coisas no RS e, mesmo com um meio ambiente de 1 milhão de anos atrás, iriam destruir absolutamente tudo que vissem pela frente.

Mas como ninguém quer falar do papel dos banqueiros nessa tragédia toda e nem derrubar o irresponsável do Eduardo Leite, o negócio é: “a solidariedade do povo trabalhador e a organização popular nos territórios, em conjunto com a luta política e ideológica por um programa de esquerda, ecossocialista, é o caminho”. Outra vez mais, o tal “ecossocialista”, que, em bom português, significa entregar toda área verde do Brasil, e de outros países pobres, para os capitalistas internacionais, seus governos e suas ONGs, sob o pretexto de “sustentabilidade”, defesa do meio ambiente, “ecossocialismo”. 

 

 

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