A Geórgia é uma antiga república soviética situada entre o Mar Negro, a Armênia, a Turquia e a Rússia atual. O noticiário pouco tem falado sobre este país, mas ele está passando por uma crise do tipo que a Ucrânia passou em 2014 e o Brasil em 2013. O que está acontecendo lá é uma série de manifestações provocadas por ONGs contra uma lei que foi aprovada pelo congresso do país.
Segundo a Euronews: “a aprovação da controversa lei da “influência estrangeira” da Geórgia, com 84 votos a favor e 30 contra, provocou nesta terça-feira (14) mais uma forte vaga de protestos no país. No exterior do parlamento, manifestantes envolveram-se em confrontos com a polícia de choque, o que resultou na detenção de 13 pessoas, informou o Ministro do Interior da Geórgia. (…) Os Estados Unidos ameaçam cortar financiamento à Geórgia. Mas, o primeiro-ministro georgiano diz que lei garante soberania e ‘paz duradoura’“.
Segundo a própria Euronews, “a legislação, aprovada na terça-feira, exige que os meios de comunicação e as organizações não governamentais que recebam mais de 20% de financiamento do exterior se declarem como ‘agentes de influência estrangeira’, como acontece na Rússia”.
Se esse é o caso, temos um bom motivo para parabenizar o parlamento georgiano pela capacidade de aprová-la, apesar da pressão imperialista manipulando as ruas como se quisessem promover uma nova Praça Maidan.
A Euronews também aponta que “a presidente da Geórgia, Salome Zourabichvili, classificou como inaceitável a lei sobre “agentes estrangeiros”, aprovada pelo parlamento, prometendo vetá-la e reafirmando a sua oposição à legislação que os críticos consideram uma ameaça à liberdade de expressão”. Não conseguirá reverter o quadro visto que, ao que parece, o parlamento pode alterar o seu veto.
A situação georgiana cria um alerta para nós que lutamos pela soberania do Brasil. O parlamento da Geórgia aprovou uma lei que expõe as ONGs e os meios de comunicação. É louvável o que o país conseguiu e um exemplo para nós brasileiros.
Imagine-se quantos aqui no Brasil não seriam classificados como agentes de influência estrangeira? Eu tenho vários em mente. É fato que os identitários vão surtar se algo assim for colocado em pauta. E, nesse caso, o processo georgiano também nos ensina uma lição bastante importante. A entrega do osso não será nada fácil aqui também.
Qualquer mudança no horizonte será combatida por violentas críticas e ameaças nos meios de comunicação e nas ruas, pelo ativismo dos grupos identitários, das fundações, das ONGs e de todos que financiam e são financiados por esse caos aqui, à esquerda e à direita. Vide o showmício da Madonna.
Buscando na internet, encontrei uma matéria do UOL de 2020 sobre o governo Bolsonaro que diz:
Em carta aberta divulgada na noite desta segunda-feira (9), um grupo de 73 das principais organizações não governamentais brasileiras e internacionais que têm atuação no Brasil afirmou que é “repugnante” a informação de que o governo de Jair Bolsonaro, por meio do CNAL (Conselho Nacional da Amazônia Legal), pretende controlar a atividade das ONGs na Amazônia a fim de permitir a atividade apenas das que atendam supostos “interesses nacionais“.
Entre os assinantes, estavam a Fundação Tide Setúbal, Geledés, o Greenpeace, Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, Instituto Global Attitude, Observatório do Petróleo e Gás e WWF.
Isso explica, de alguma forma, o desinteresse do Partido Democrata, e de parte da burguesia nacional, ao direitista brasileiro.
Um texto deste mês de jornal Gazeta do Povo, associado à direita, aponta:
As organizações não governamentais (ONGs) frequentemente destacam-se por seu papel influente nas políticas públicas ao redor do mundo. É bom destacar a preocupação com a influência de grandes doadores nas agendas das ONGs, o que pode levar à concentração de poder e à limitação da diversidade de ideias. Entretanto, suas atividades e influências nem sempre são percebidas de maneira uniforme. Em alguns círculos, críticas surgem quanto à possível manipulação das agendas políticas democraticamente estabelecidas, especialmente quando envolvem interesses econômicos e geopolíticos de nações poderosas como os Estados Unidos. Um exemplo notório pode ser observado na atuação da Fundação Ford no Brasil, que tem uma presença marcante, distribuindo generosas doações para mais de 200 instituições entre 2020 e 2024.
Infelizmente, a luta contra esses “agentes de influência estrangeira” está capturada pela direita, que não tem nada de soberanista e de nacionalista na política econômica.
Por outro lado, percebo um aumento nas redes sociais de indivíduos progressistas, muitos do PT, que se manifestam contra o wokismo e contra a subserviência aos estrangeiros. Talvez sejamos mais fortes até do que os georgianos.
De qualquer jeito, vamos nos preparar. Não será nada fácil quando o assunto se tornar objeto de regulamentação.





